Imagens de ecocardiograma: comunicação interatrial

A cardiopatia congênita mais comumente encontrada em adultos é a comunicação interatrial (CIA). Assim, é importante que o cardiologista clínico esteja familiarizado com as imagens da patologia no ecocardiograma.

A janela do ecocardiograma transtorácico que melhor visualiza os defeitos do septo interatrial é a subcostal. Abaixo colocamos um vídeo mostrando a visualização de um coração normal na janela subcostal.

httpv://youtu.be/ZzZ_sfnwf8Q

Captura de Tela 2013 10 30 às 07 58 04 Imagens de ecocardiograma: comunicação interatrial

Na imagem nota-se que o septo interatrial está íntegro.

No vídeo a seguir, contudo, nota-se uma falha importante no septo interatrial. Trata-se de uma CIA ostium secundum. Revisaremos as classificações dos tipos de CIA em um post futuro.

httpv://www.youtube.com/watch?v=LFnSoRpJ-44&feature=share&list=UUlNIx-dih_PN9C_noVw4zWA

 Imagens de ecocardiograma: comunicação interatrial

Como visualizado na imagem acima, a CIA mede 2,5 cm.

O fluxo de sangue através da CIA costuma ser predominantemente do átrio esquerdo (AE) para o átrio direito (AD) uma vez que a pressão no interior do AE é superior a do AD em condições normais. Isto faz com que o doppler mostre um fluxo vermelho entre os átrios. No doppler, convenciona-se que o que estiver em cor vermelha está se aproximando do transdutor e o que está em cor azul está se afastando do transdutor.

httpv://www.youtube.com/watch?v=zGa5Kk6tGk4&feature=share&list=UUlNIx-dih_PN9C_noVw4zWA

 Imagens de ecocardiograma: comunicação interatrial

Alguns casos de CIA não tratados evoluem com hipertensão pulmonar o que eleva as pressões em câmaras direitas. A medida que as pressões em AD vão se elevando, o fluxo entre os átrios pode começar a se inverter até que, em casos extremos, pode ficar AD-AE ao invés de AE-AD. 

No vídeo acima observa-se que o fluxo é predominantemente AE-AD mas em alguns momentos observa-se fluxo inverso (evidenciado em azul).

Para que o cardiologista clínico possa decidir se há indicação ou não de tratar invasivamente uma CIA, quer seja por próteses percutâneas quer seja por cirurgia cardíaca, é fundamental saber se este defeito está causando repercussões hemodinâmicas no coração. Como a CIA desvia sangue do lado esquerdo do coração para o lado direito ela termina por causar uma sobrecarga de volume no VD e no AD. Assim sendo, quando há repercussão hemodinâmica relevante, nota-se dilatação das câmaras cardíacas direitas. 

A figura abaixo revela uma åtrio direito bastante dilatado. A área normal do AD é <18 cm2.

 Imagens de ecocardiograma: comunicação interatrial

A figura a seguir, por sua vez, revela um ventrículo direito bastante dilatado. O normal é que o diâmetro basal do VD seja < 42 mm. 

 Imagens de ecocardiograma: comunicação interatrial

Outro parâmetro que deve ser avaliado é a pressão sistólica na artéria pulmonar. Por fim, a relação entre o fluxo pulmonar (Qp) e o fluxo sistêmico (Qs) pode ser calculada. Se o fluxo pulmonar superar o fluxo sistêmico em mais de 50-100% considera-se que a CIA possui repercussão hemodinâmica, mesmo que não esteja causando hipertensão pulmonar ou dilatação de câmaras direitas.

 Imagens de ecocardiograma: comunicação interatrial

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3 opiniões sobre “Imagens de ecocardiograma: comunicação interatrial”


  1. Boa tarde. A cardiopatia congênita mais comum em adultos não seria CIV, seguida de CIA e PCA?? Isso sem falarmos na valva aortica bicuspide, que esta presente em aproxim 2% adultos.
    Obrigado


  2. Marcelo, realmente se considerarmos valva aórtica bivalvulada (o termo bicúspide não é mais usado) esta seria sim mais frequente do que CIA em adultos. Nesta população, CIA é mais comum do que CIV. Já em crianças o inverso é observado. Tal fato decorre tanto da maior incidência de fechamento espontâneo de CIV quanto do fato da CIV ser mais comumente detectada e posteriormente tratada do que a CIA, uma vez que o sopro mais intenso é mais fácil de ser percebido do que o da CIA.

    Artigo interessante sobre cardiopatias congênitas em adultos: http://publicacoes.cardiol.br/abc/2001/7605/7605011.pdf

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