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Caso Clínico Infecção Sistêmica e Manchas na Pele

PACIENTE MASCULINO, 77 ANOS, EM PÓS-OPERATÓRIO TARDIO DE DERIVAÇÃO BILIODIGESTIVA, EM INTERNAÇÃO PROLONGADA E COM INFECÇÕES RECORRENTES TRATADAS, APRESENTOU NOVA DESCOMPENSAÇÃO CLÍNICA NO 30° DIA DE PÓS-OPERATÓRIO. EVOLUIU COM QUADRO DE CHOQUE SÉPTICO NECESSITANDO DE NORADRENALINA E INSUFICIÊNCIA RESPIRATÓRIA COM CONGESTÃO PULMONAR, TRATADA COM VENTILAÇÃO NÃO INVASIVA. AO EXAME, ENCONTRAVA-SE TORPOROSO, TAQUICÁRDICO E COM AGITAÇÃO PSICOMOTORA. AUSCULTA CARDÍACA EVIDENCIA SOPRO DIASTÓLICO EM FOCO AÓRTICO +++/4. AS EXTREMIDADES DOS PÉS E DAS MÃOS APRESENTAM PEQUENAS MANCHAS AVERMELHADAS.

REALIZOU RADIOGRAFIA DE TÓRAX QUE EVIDENCIA CONGESTÃO PULMONAR. NA HEMOCULTURA, HOUVE CRESCIMENTO DE S. aureus. ECOCARDIOGRAMA TRANSTORÁCICO EVIDENCIOU FUNÇÃO SISTÓLICA PRESERVADA, INSUFICIÊNCIA MITRAL DISCRETA E INSUFICIÊNCIA AÓRTICA IMPORTANTE.

  1. QUAL A HIPÓTESE DIAGNÓSTICA?
  2. QUAL SINAL CLÍNICO REFERE-SE ÀS MANHAS NAS EXTREMIDADES?

  1. NO VIDEO A SEGUIR, QUAL O DIAGNÓSTICO?

 

AUTOR: Dr José Antônio Lima Neto ( Cardiologista e Ecocardiografista)

 

 

ENDOCARDITE INFECCIOSA

É uma infecção da superfície endotelial do coração. As valvas são as estruturas cardíacas mais atingidas, porém pode acometer o endocárdio, cordoalhas, defeitos septais e até dispositivos como cabo de marcapasso. São causadas principalmente por estafilococos, estreptococos, enterococos, bacilos Gram-negativos e, menos comumente, por fungos, micobactérias ou clamídias.

Acomete mais homens (1,7:1) e 55-75% apresentam fatores predisponentes: doença reumática, prolapso de valva mitral, doença cardíaca degenerativa, hipertrofia septal assimétrica, uso de drogas injetáveis, má higiene dentária, hemodiálise, diabetes e imunossuprimidos como portadores do vírus HIV. Verificou-se nas últimas décadas um aumento dos casos nosocomiais, principalmente com uso de cateteres intravenosos, em procedimentos genitourinários e gastrointestinais e quando há infecção de ferida perioperatória.

Outro grupo de risco são os portadores de próteses cardíacas, principalmente metálicas. Todavia, os riscos entre biopróteses e válvulas metálicas se igualam após 5 anos.

Os doentes com suspeita de endocardite devem ser divididos em:

- Alta suspeita de endocardite: novo sopro regurgitante, evento embólicos de origem desconhecida, sepse de foco indeterminado, hematúria, glomerulonefrite e febre na presença  de: prótese intracardíaca, cardiopatias com alto risco para endocardite, endocardite prévia, arritmias ou insuficiência cardíaca de início recente, hemoculturas positivas, abscessos periféricos, intervenção diagnóstica ou cirúrgica que cause bacteremia, infiltrados pulmonares multifocais e manifestações oculares e cutâneas.

- Baixa suspeita clínica: febre na ausência dos achados anteriores.

                Os sinais clínicos podem ser organizados nos critérios de Duke, sendo o diagnóstico de endocardite provável quando existe a presença de dois critérios maiores ou um maior e três menores ou cinco menores.

                Além de exames gerais que podem evidenciar leucocitose (20-30%), anemia (70-90%), hematúria (30-50%), consumo do complemento (5-40%), elevação de VHS e PCR (90%), é mandatório a coleta de, no mínimo, três pares de hemoculturas e exame ecocardiográfico transtorácico (ETT).

                O ecocardiograma transesofágico (ETE) deve ser solicitado quando o ETT não consegue uma janela adequada; quando existe alta suspeita clínica e o ETT é normal; e diretamente em pacientes com alta suspeita em portadores de valva protética. Nesse último caso, quando negativo, deve repetir o ETE em 1 semana.

Os achados ecocardiográficos que sugerem o diagnóstico são: vegetações, abscessos ou fístulas perivalvares e nova deiscência de valva protética. 

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Síndrome de Austrian

Foi publicado no Arquivos Brasileiros de Cardiologia um relato de caso de um paciente que apresentou quadro de endocardite, pneumonia e meningite por um mesmo agente – a Tríade de Osler.

Quando essas infecções ocorrem por Streptococcus pneumoniae, é conhecida como síndrome de Austrian.

É um quadro raro, de elevada morbi-mortalidade.

A endocardite pneumocócica é responsável por 1-3% dos casos em valvas nativas. Geralmente acomete a valva aórtica.

Sua apresentação predominante é aguda, com rápida evolução. Normalmente não são encontrados sinais periféricos, e complicações como instabilidade hemodinâmica, formação de abscessos e embolização sistêmica são comuns.

Os principais fatores de risco são idade avançada e alcoolismo.

Devido ao surgimento de resistência à penicilina e à evolução agressiva e associação com meningite, a penicilina não é a droga de primeira escolha. Em geral, opta-se por introduzir uma cefalosporina de 3ª geração, associada ou não à vancomicina, a depender da resistência à cefalosporina estudada.

Referência: Midon ME, Goldoni F, Souza SGR, Miy JNS. Síndrome de Austrian. Arq Bras Cardiol 2011; 97(3) : e50-e52.

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Qual é o diagnóstico dessa taquiarritmia?

Paciente do sexo feminino de 37 anos, com antecedente de palpitações taquicárdicas. Solicitado ECG e holter, mostrados abaixo. O que acontece durante essa taquiarritmia?

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Qual a causa da síncope deste paciente?

Paciente do sexo masculino, de 69 anos, procurou o pronto-socorro com história de síncope aos esforços.

Antecedentes pessoais: hipertensão, ex-tabagista, IAM prévio em 1992. Apresenta, ao ecocardiograma, FE 45%, com acinesia inferior.

A imagem do teste de esforço encontra-se abaixo:

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Qual é o diagnóstico?

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Prinzmetal – mito ou realidade?

Paciente de 47 anos, fumante, foi admitido no PS do Incor devido a quadro de dor precordial típica prolongada em repouso, não apresentando alterações de marcadores de necrose miocárdica ou de ECG. Na admissão, apresentava-se assintomático e sem alterações de exame clínico. Negava uso de drogas ilícitas. Subsequentemente foi estratificado com cateterismo o qual mostrou artérias coronárias sem lesões. Recebeu alta do PS com encaminhamento para o ambulatório.

Após 1 semana o paciente voltou a apresentar dor típica em repouso e pouco antes de chegar ao PS apresentou PCR em FV. Após reversão da arritmia, o ecg revelava supra de ST evidente em parede inferior. Levado para cate de emergência que revelou:


Após o uso de tridil intra-coronariano, observou-se o seguinte:

Confirmado o diagnóstico de vasoespasmo coronariano. Paciente evoluiu bem, recuperando sem déficits neurológicos.

A angina de Prinzmetal foi descrita pela primeira vez na década de 30. É caracterizada por episódios de dor precordial típica, geralmente em repouso, acompanhados de supra de ST. O mecanismo causal é o vasoespasmo de artérias epicárdicas. Os pacientes costuma ser jovens, sem fatores de risco com excessão do tabagismo. Os episódios frequentemente ocorrem durante a noite/madrugada. O tratamento baseia-se principalmente no uso de antagonistas dos canais de cálcio e de nitrato, os quais previnem a ocorrência de novos episódios de vasoespasmo.

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