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Dica de livro

 

É sempre bom ver um livro novo lançado por médicos do Incor. Este livro de cardiologia pediátrica lançado pelo Dr Edmar Atik e pela Dra Valéria de Melo Moreira é excepcional. Traz uma série de relatos de casos com as diversas patologias encontradas na cardiologia pediátrica, correlacionando os dados clínicos com os de exames de imagem (ecg, eco, cate, rnm, tomo, etc). Muito bom para os cardiologistas gerais que costumam atender apenas adultos e que sentem falta de uma formação mais concreta em cardiologia pediátrica – a correlação anatômica através de exames de imagem ajuda bastante neste sentido. Devemos lembrar sempre que a população de pctes adultos com cardiopatias congênitas vem aumentando cada vez mais e o cardiologista de adulto não pode deixar de ter os conceitos pelo menos básicos destas patologias. Realmente um ótimo livro.

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Quando solicitar ressonância cardíaca em pcte com cardiopatia congênita?

 

 

O ecocardiograma segue como o exame inicial de imagem de escolha para avaliação de cardiopatias congênitas. Contudo, há algumas situações em que a RNM cardíaca mostra-se superior ao eco. As principais, segundo o consenso europeu de cardiopatias congênitas no adulto, são:

  1. Avaliação de volume e FE do VD – casos de tetralogia de Fallot, por exemplo
  2. Avaliação de tubos prostéticos na via de saída de VD ou ligando o VD com artéria pulmonar
  3. Quantificação de regurgitação tricúspide – ex: pós-op de Fallot
  4. Avaliação de artérias pulmonares (estenose ou dilatação)
  5. Avaliação da aorta (dissecção, aneurisma, coarctação)
  6. Avaliação de veias sistêmicas ou pulmonares (conexão anômala, obstrução, etc)
  7. Quantificação da massa do VE
  8. Detecção e quantificação de fibrose miocárdica (através do realce com gadolíneo)

O grande problema é que na maioria dos locais no Brasil não há profissional com formação específica em RNM cardíaca, muito menos com experiência em cardiopatias congênitas…

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Desafio diagnóstico – Coarctação de aorta

Menino de 10 anos com hipertensão de início recente. Como a radiografia de tórax pode ajudar no diagnóstico?

 

 

Em relação a Raiografia do tórax o que chama atenção, de imediato, é a corrosão das margens inferiores das costelas ( Sinal de Roesler )

É o resultado das artérias intercostais dilatadas e hiperpulsáteis.

Normalmente é um sinal radiológico tardio, não sendo visto nos primeiros anos de vida.

As 2 ou 3 primeiras costelas são poupadas em virtude das artérias subcostais destas costelas serem ramos de um tronco inominado, que tem origem na subclávia, de um lado e do outro, não tendo conexão com a Ao descendente.

Portanto, o sinal é caracteristicamente encontrado desde a 3ª ou 4ª até a 7ª costela, bilateralmente.

Raramente pode ser observado o sinal de Roesler apenas do lado direito quando existe obstrução ( estenose ou atresia) do ostio da SCE ou quando este nasce abaixo da zona coarctada. Neste caso, apenas a SCD tem pressão e fluxo para o desenvolvimento de circulação colateral. 

DICAS

- É importante ressaltar que a palpação dos pulsos dos MMII deve fazer parte, rotineiramente, do exame físico em qualquer idade. Pulsos diminuídos em mmii na população pediátrica deve logo levantar a hipótese de coarctação. Em pctes mais velhos, lembrar que é mais comum a presença de arteriopatia periférica.

- A aferição da pressão arterial, também, deve fazer parte da rotina de exame físico do paciente pediátrico.

- Coarctação da aorta deve fazer parte do diagnóstico diferencial quando se detecta HAS na criança.

Texto e imagem cedidos pela Dra Cleusa Lapa – chefe do serviço de cardiopaediatria do IMIP (Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira – Recife – PE).

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CIA em adultos – fechar ou não fechar?

Foi realizado um estudo de coorte prospectivo, publicado no European Heart Journal, para avaliar os benefícios clínicos do fechamento da comunicação inter-atrial (CIA) em adultos, faixa etária na qual os resultados de estudos prévios eram controversos.

Para isso, foram avaliados status funcional, presença de arritmias, remodelamento de VD e pressão de artéria pulmonar (PAP) em 236 pacientes que foram submetidos a fechamento da CIA por cateter (Amplatzer).

Foram divididos em 3 grupos: A (<40 anos), B (40-60 anos) e C (>60 anos).

Pós procedimento, houve melhora no tamanho do VD e queda da PAP em todos os grupos (p < 0,0001), além de melhora dos sintomas (grupo A - 13% para 3%, B – 49% para 11%, C – 83% para 34% dos pacientes) .

O melhor benefício foi obtido em pacientes com menor limitação funcional e menor PAP (em geral mais novos).

Considerando uma piora contínua em sintomas, remodelamento de VD e piora da PAP com a idade, os autores recomendam fechar a CIA após o diagnóstico, mesmo em pacientes com menos sintomas ou em idade avançada.

Devemos lembrar que os pacientes do estudo tinham defeito de septo médio de 22mm e tinham shunt esquerdo-direito significante (com sinais de sobrecarga de VD). Assim, devemos tomar cuidado para não extrapolar o resultado desse estudo para qualquer CIA em adultos.

Referência: Humenberger M, Rosenhek R, Gabriel H, Rader F, Heger M, Klaar U, Binder T et al. Benefit of atrial septal defect closure in adults: impact of age. European Heart journal 2011 32:553-560.

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