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Hipertensão pulmonar e IC

 

Estudo prospectivo publicado recentemente no JACC avaliou o impacto prognóstico da elevação da pressão arterial pulmonar em pacientes com insuficiência cardíaca (IC).

Em uma análise de mais de 1.000 pacientes, a pressão arterial pulmonar sistólica (PSAP) foi um forte preditor de mortalidade por todas as causas e por causas cardiovasculares, independentemente de outros fatores, como função diastólica e BNP. Nesse estudo, ela foi avaliada por ecocardiografia.

Esse impacto foi semelhante tanto para pacientes com fração de ejeção reduzida como para pacientes com fração de ejeção preservada.

Sabia-se que a hipertensão pulmonar (HP) associada à IC piorava o prognóstico desses pacientes. Esse estudo veio reforçar esse impacto negativo, nos fazendo pensar que talvez o tratamento para HP em pacientes com IC seja um alvo interessante para futuros estudos. Estudos já publicados mostraram melhora em qualidade de vida e teste de caminhada de 6 min com o uso de inibidores de fosfodiesterase 5 (ex.: sildenafil) com HP e IC. Mas será que conseguiremos algum impacto em mortalidade com o uso dessas drogas?

Referência

Bursi F, McNallan SM, Redfield MM, et al. Pulmonary pressures and death in heart failure a community study. J Am Coll Cardiol 2012; 59:222-231. 

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Hipertensão pulmonar – como investigar?

Já vimos em outros tópicos quais as principais causas de hipertensão pulmonar assim como enfatizamos a diferença entre hipertensão pulmonar (HP) e hipertensão arterial pulmonar (HAP). Hoje colocamos o algoritmo proposto pela AHA em seu guideline de 2009 para investigar pctes com hipertensão pulmonar. Normalmente o diagnóstico inicial de hipertensão pulmonar é feito pelo ecocardiograma (níveis de PSAP acima de 35-40 mmHg ou pressão média de artéria pulmonar>25 mmHg). Quem queiser lembrar como se calcula a PSAP pelo eco é só dar uma olhada neste tópico. Após ver estes valores alterados no eco, inicia-se então a investigação atrás da etiologia. Notar que se o próprio eco transtorácico muitas vezes já revela uma causa óbvia (ex: valvopatia mitral moderada/importante, disfunção sistólica ou diastólica significantes de ve, presença de cardiopatia congênita que cause hiperfluxo pulmonar, etc). Nestes casos não são necessários exames adicionais. Contudo, se o eco TT não mostra nada mais convincente, é necessário continuar a investigação com uma série de exames para avaliar outras etiologias (tep crônico, doença pulmonar parenquimatosa com hipoxemia crônica, etc). 

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Qual a diferença entre hipertensão pulmonar e hipertensão arterial pulmonar?

Já vimos em outro tópico as definições básicas de hipertensão pulmonar. Lembrar que hipertensão pulmonar (HP) não é igual a hipertensão arterial pulmonar (HAP). A HP é definida como pressão média em artéria pulmonar > ou igual a 25 mmHg (ou PSAP >40 mmHg). Isto geralmente é revelado inicialmente por um ecocardiograma transtorácico realizado por motivos diversos (investigação de dispnéia, investigação de síncope, exame de rotina, etc). Das várias causas de hipertensão pulmonar, a mais comum no dia-a-dia do cardiologista é o grupo representado por doenças do coração esquerdo (ex: valvopatia mitral, insuficiência cardíaca, cardiopatia hipertensiva, etc). Estas patologias geram o que chamamos de hipertensão venosa pulmonar, já que o aumento da pressão na artéria pulmonar é consequência do aumento da pressão no átrio esquerdo o qual é transmitido para o leito venocapilar pulmonar.

Já hipertensão arterial pulmonar é quando as pressões na artéria pulmonar são elevadas por alterações no leito capilar pulmonar. O coração esquerdo é normal ou tem alterações discretas que não justificam os outros achados. Por definição a HAP ocorre quando a PAPm é > ou igual a 25 mmHg e a pressão ocluída em artéria pulmonar (que reflete as pressões em átrio esquerdo) é <15 mmHg. 

Observação: se pegamos um laudo de eco em que se descreve uma estenose mitral importante com área valvar de 0,8 cm2, gradiente transmitral médio de 15 mmHg e níveis de PSAP estimados em 60 mmHg – o termo correto para se colocar no laudo é hipertensão pulmonar e não hipertensão arterial pulmonar.

Veremos em breve o algoritmo proposto pela AHA para investigar pctes com HP.

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