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IECA x BRA: nova metanálise sobre impacto em mortalidade

Uma nova metanálise publicada no European Heart Journal comparou o impacto em mortalidade do uso de inibidores da ECA (IECA) e do uso de bloqueadores do receptor AT1 (BRA) em pacientes com hipertensão.

O estudo analisou 158.988 pacientes, sendo 71.401 no grupo dos inibidores do sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA).

Esse estudo mostrou que o uso de IECA esteve associado com uma redução de 10% na mortalidade por todas as causas em 4 anos (HR 0,90 – p 0,004). Com relação aos BRA, não houve o impacto em redução da mortalidade (HR 0,99 – p 0,683).

Conclui, então, que o uso de IECA para tratamento da hipertensão seria preferível em relação ao BRA.

Devemos lembrar que, por se tratar de uma metanálise, não podemos mudar as recomendações em relação ao tratamento da hipertensão. Nesse estudo, não houve diferença em mortalidade cardiovascular entre os BRA e os IECA. Além disso, 2 estudos prévios (ONTARGET e DETAIL) não mostraram diferenças significativas entre as duas classes de medicações.

Esse estudo reforça, então, que os IECA devem ser considerados uma das drogas de primeira linha para tratamento da hipertensão.

Referência:

  1. van Vark LC, Bertrand M, Akkerhuis KM, et al. Angiotensin-converting enzyme inhibitors reduce mortality in hypertension: A meta-analysis of randomized clinical trials of renin-angiotensin-aldosterone system inhibitors involving 158 998 patients. Eur Heart J 2012.

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Eventos adversos com associação alisquireno e terapia com IECA ou BRA

 

O estudo ALTITUDE foi desenvolvido para avaliar o efeito do uso de alisquireno, um inibidor da renina, associado à terapia com inibidores de conversão de angiotensina (IECA) ou bloqueadores de receptor de angiotensina (BRA) em pacientes com diabetes mellitus tipo 2 e comprometimento renal.

Um aumento em eventos adversos e uma aparente ausência de benefícios com o uso do alisquireno nessa situação justificou a interrupção do estudo em questão. Os eventos adversos foram: AVC não fatal, complicações renais, hipercalemia e hipotensão em 18 a 24 meses de seguimento.

A Novartis (que promove o Rasilez), por enquanto, irá cessar a divulgação de que essa droga seria benéfica quando utilizada em associação com IECA ou BRA em diabéticos com comprometimento renal.

Era de se esperar um aumento nos eventos adversos com o uso do alisquireno nesse cenário, uma vez que é uma droga que age no sistema renina-angiotensina aldosterona, mesmo local de ação dos IECA e BRA. Restava saber se haveria um benefício em otimizar o bloqueio desse sistema para promover alguma proteção renal (como diminuir proteinúria). Baseado nesse estudo, parece que não há benefício.

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Nova diretriz britânica de hipertensão – parte 2

- Qual a rotina de exames que deve ser solicitada para todo pcte hipertenso?

- Enquanto que a diretriz britânica recomenda avaliar microalbuminúria em todo mundo a diretriz brasileira é mais seletiva – recomenda fazer em pctes diabéticos, com sínd. metabólica ou com 2 ou mais fatores de risco para dcv (tabagismo, dlp, hx familiar de dcv precoce, etc)

- Não esquecer do fundo-de-olho!!!!!!!!!

- E qual as metas de PA?

- Esta recomendação é similar a do novo guideline de HAS da AHA que fala para manter a PAS entre 140 e 145 mmHg em idosos com mais de 80 anos. Tais recomendações vieram principalmente do estudo HYVET que saiu na New England alguns anos atrás.

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Qual é o melhor IECA?

Os inibidores da ECAs são drogas eficazes para reduzir a pressão arterial e apresentam um bom perfil de tolerabilidade.

Um grupo britânico realizou uma análise dos IECA disponíveis utilizando o método SOJA, que pontua diversos critérios para cada droga, tais como número de formulações, indicações, biodisponibilidade, interações, eficácia, efeitos colaterais, freqüência da dose, desfechos clínicos. A pontuação é dada baseada na literatura vigente e é realizada por um grupo de “experts”.

Segundo essa avaliação, o IECA com melhor pontuação foi o ramipril, seguido do perindopril, lisinopril e enalapril.

A medicação que atingiu maior pontuação relacionados aos desfechos clínicos, como morbidade e mortalidade cardiovascular, foi o ramipril.

Lembrando que por ser uma análise baseada na pontuação dada por um grupo de "experts", seus resultados são bem questionáveis.

Referência: Edgar L, Hogg A, Scott M, et al. ACE inhibitors for the treatment of hypertension drug selection by means of the SOJA method. Rev Recent Clin Trials 2011 Jan;6(1):69-93. (Artigo completo)

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Nova diretriz britânica de hipertensão – parte 1

Pontos relevantes:

- Provavelmente o ponto mais importante deste guideline, na minha opinião, é o seguinte:

Ou seja, PA elevada no consultório = MAPA, independente de você achar que o aumento da PA é falso (has do jaleco branco – indicação tradicional do MAPA pelos guidelines prévios) ou verdadeiro.

No texto completo do guideline britânico ele coloca uma série de análises econômicas que consideram a custo-efetividade de ficar fazendo MAPA para todo mundo e chega à conclusão que vale a pena sim. Não vou ficar entrando em detalhes aqui até porque os dados referentes a custos de exames lá na Inglaterra não se adequam à nossa realidade.

Obviamente é inviável pedir MAPA para todo pcte com PA elevada no SUS. Não há disponibilidade de exames para isto. Mas no consultório esta conduta pode ser facilmente adotada.

Lembrando também que pacientes diabéticos e com PA no consultório limítrofe tambpem se beneficiam do MAPA – ver este tópico.

- A diretriz britânica usa pontos de corte diferentes da diretriz da SBC para se confirmar HAS pelo MAPA

Britânica – PA média durante a vigília maior ou igual a 135×85 mmHg

SBC – PA média na vigília maior que 130×85 mmHg

- Em pctes com pulso irregular (ex: FA) – evitar a medida da PA através de aparelhos eletrônicos. Preferir o método manual com ausculta da artéria braquial. Os dispositivos eletrônicos perdem muito acurácia nestes casos.

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Hipertensão mascarada – qual perfil de paciente devemos investigar?

A hipertensão mascarada é aquela que apresenta níveis pressóricos normais nas consultas ambulatoriais, mas pressão arterial elevada na monitorização ambulatorial (MAPA). Está associada com risco cardiovascular aumentado. É uma condição de difícil diagnóstico, já que poucas vezes se pede MAPA para pacientes com PA normal no consultório – são em geral considerados “normotensos”.

Como não dá para pedir MAPA para todos pacientes normotensos do consultório para investigar hipertensão mascarada, um grupo finlandês montou um estudo para avaliar características que podem sugerir a presença desse diagnóstico.

Foram avaliados 1459 pacientes sem tratamento. Realizadas medidas de PA no consultório e MAPA, além de avaliação de fatores de risco.

A prevalência de hipertensão mascarada foi de 8,1% nessa população.

Os fatores que se correlacionaram independentemente com a presença de hipertensão mascarada foram: PA sistólica e diastólica limítrofe na avaliação no consultório; idosos; IMC elevado; tabagismo; consumo excessivo de álcool; diabetes mellitus e hipertrofia ventricular esquerda ao ECG.

Assim, devemos considerar MAPA para pacientes com PA limítrofe no consultório ou com diagnóstico de DM (fatores que mais se correlacionaram com hipertensão mascarada); considerar também se presença de HVE ao ECG ou associação de fatores de risco cardiovasculares convencionais.

Referência

- Hanninena MA, Niiranena TJ, Puukkaa PJ, Mattilab AK, Julaa AM. Determinants of masked hypertension in the general population: the Finn-Home study. Journal of Hypertension 2011, 29:1880–1888.

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Parte 3: Medida automática de Pressão Arterial. Como Orientar a aferição?

Já discutimos nos tópicos anteriores ( parte 1 e parte 2), o que é o método e como orientar a aquisição dos aparelhos, agora comentaremos as orientações quanto à realização das medidas de maneira sistemática de maneira a evitar erros de aferição.

Tomaremos por base as orientações fornecidas nas V Diretrizes Brasileiras de Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA) e III Diretrizes Brasileiras de Monitorização Residencial da Pressão Arterial (MRPA).

O primeiro passo é explicar as como se realizar as medidas fora do consultório.

 

Em seguida orientar quanto às instruções gerais do método.

 

Agora temos bases técnicas para fornecer  àquelas informações solicitadas pelos pacientes a respeito dos métodos automáticos e semiautomáticos de medida de PA.

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Parte 2: Medida automática de Pressão Arterial. Como Orientar o método?

Como discutido no artigo anterior a medida indireta automática da pressão arterial está ganhando espaço, e o conhecimento deste método é de suma importância para podermos orientar os nossos pacientes de forma mais consciente.

A medida automática/ semiautomática de PA consta nas VI diretrizes brasileiras de hipertensão arterial e V Diretrizes Brasileiras de Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA) e III Diretrizes Brasileiras de Monitorização Residencial da Pressão Arterial (MRPA) o que fornece evidências para sua indicação.

Atualmente apenas o método oscilométrico com manguito no braço está recomendado. Portanto os aparelhos de pulsos, mesmo que validados por órgãos internacionais e pela sociedade brasileira de cardiologia e hipertensão arterial ainda não tem embasamento pelas diretrizes.

Dentre as recomendações de diagnósticos e seguimento da hipertensão  que utilizam o método automático / semiautomático, as diretrizes brasileiras utilizam as seguites denominações :

  • Automedida de Pressão Arterial ( AMPA): E realizada de maneira não sistemática pelo paciente ou por familiares , não profissionais de saúde e fora do consultório. Tem a vantagem de fornecer uma estimativa real da PA tendo em vista que as aferições ocorrem no ambiente em que o paciente passa a maior parte do dia. E recomendado a utilização de aparelhos automáticos e semiautomáticos.  Na suspeita de Hipertensão do avental branco e Hipertensão mascarada, deve-se solicitar um MAPA ou MRPA. Valores superiores a 130×85 mmHg são considerados alterados.

 

  • Monitorização Residencial  da Pressão Arterial (MRPA): E o registro da PA realizada pelo paciente ou outra pessoa capacitada, durante a vigília, e por um longo período,  no domicílio ou no trabalho, com aparelhos validados e calibrados e seguindo protocolos. A diferença com a AMPA é que esta não é sistematizada enquanto que na MRPA deve-se seguir um protocolo de horário e numero de medidas pré-estabelecidos. Fornece o diagnóstico de hipertensão do avental branco e Hipertensão mascarada Medidas acima de 130×85 mmHg são considerados anormais.

Agora que sabemos que se pode indicar a medida com aparelhos automáticos / semiautomáticos de braço, devemos saber como recomendar.

Os aparelhos automáticos e semiautomáticos devem preferencialmente utilizar a técnica  oscilométrica como mencionado acima, serem digitais,  e possuírem certificados de validação emitidos por entidades  utilizam protocolos acreditados internacionalmente pela AAMI (Association for the Advancement of MedicalInstrumentation) e BHS (British Hypertension Society).

Para a recomendação das marcas e modelos dos aparelhos, recomenda-se verificar os seguintes sites:

http://www.dableducational.org/sphygmomanometers/devices_2_sbpm.html

http://www.bhsoc.org/bp_monitors/automatic.stm

Obs1: Todos os aparelhos além de validados, devem ser avaliados quanto a calibração  1 vez ao ano pela Rede Brasileira de Metrologia Legal e Qualidade – RBMLQ (IPEMs – Institutos de Pesos e Medidas Estaduais) ou em local designado pelo Inmetro  ( http://www.inmetro.gov.br/consumidor/produtos/esfigmo2.asp )

OBS 2: Lembrar de observar se o aparelho é validado para situações especiais como idoso, gestantes, crianças , obesos, e em vigência de arritmias.

 No proximo tópico discutiremos a técnica da aferição.

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Parte1: Medida automática de Pressão Arterial. O que é?

            

 

Os métodos automáticos de medida indireta de pressão arterial estão cada vez mais acessíveis devido aos avanços tecnológicos que possibilitaram uma redução nos preços destes equipamentos e também pela tendência da substituição dos aparelhos de coluna de mercúrio com elevado risco de contaminação ambiental. E extremamente importante ao médico conhecer o que é o método e suas limitações para poder orientar.

Os aparelhos podem ser divididos de acordo com sua forma de insuflação  em:

  • Medidas automáticas: São realizadas por aparelhos eletrônicos  que apresentam manguitos com insuflação , desinsuflação e análise de PA e batimento cardíacos de maneira automática.
  • Medidas semi-automáticas: A insuflação e desinsuflação são realizadas através de um bulbo de compressão manual e a análise da PA é realizada por sistemas eletrônicos microprocessados.

 Levando-se em consideração as formas de análises da PA, a medida automática pode utilizar-se de:

  • Método Auscultatório: Utiliza manguitos e microfones para captar o sinal. Tem a desvantagem de interferências por ruídos externos e movimentos, além de serem difícil realização técnica em pacientes com baixo débito. O manguito e microfones  devem ter o posicionamento ideal.
  • Método Oscilométrico: Utiliza o manguito para captar o sinal (dispensa microfones) e microprocessador para análise de oscilações. O manguito é insuflado acima da PA sistólica e desinsuflado gradualmente. As oscilações da PA são transmitidas para o manguito. Um microprocessador analisa estas oscilações transmitidas e através de algoritmos determina a PA sistólica, média diastólica e Freqüência cardíaca. O posicionamento não é crítico para medida. È o método recomendado pelas diretrizes.

                – Primeiro par de oscilações: PA sistólica

                – Maior amplitude de oscilação: PA média

                -Ultimo par de oscilações: PA Diastólica

                – Número total de oscilações: Freqüência cardíaca  

  • Desvantagens e limitações: O manguito deve estar adequadamente acoplado ao braço ( nem folgado, nem demasiadamente apertado); Movimentação e arritmias  influenciam o resultado. Dor e desconforto por compressão excessiva.

 

Existem outros métodos de medidas automáticas como por exemplos os métodos combinados ( oscilométricos + auscultatórios) e o Finapress ( Finger Arterial Pressure)  que utiliza um pequeno manguito conectado no dedo e é utilizado comumente em laboratórios de Tilt Test.

Nos próximos artigos discutiremos como orientar a medida indireta automática de PA.

 

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Estudo ASPIRANT: uso de espironolactona para hipertensão refratária

O estudo ASPIRANT é um estudo multicentrico, randomizado, duplo-cego, realizado para avaliar o efeito da adição de espironolactona 25mg em pacientes com hipertensão arterial resistente.

Foram incluídos 117 pacientes com PA no consultório acima de 140mmHg de sistólica ou 90mmHg de diastólica apesar de tratamento com pelo menos 3 drogas anti-hipertensivas, incluindo um diurético.

O desfecho primário foi queda da PA média diurna (medida no MAPA) em 8 semanas de tratamento. A diferença entra aqueles que receberam espironolactona comparado com placebo foi de 5,4mmHg na PA sistólica (p 0,024) e 1,0mmHg na PA diastólica (p 0,358). A queda foi significativa também na média da PA sistólica noturna, na PAS de 24hs e na PAS medida no consultório (queda de 8,6, 9,8 e 6,5mmHg; p 0,011; 0,004 e 0,011).

Não houve diferença de eventos adversos entre os grupos.

Os autores concluem que a espironolactona é uma droga efetiva em reduzir a PA sistólica em pacientes com hipertensão resistente. Resultados semelhantes já foram demonstrados para o uso dessa droga nesse perfil de pacientes, independente de resultados séricos de aldosterona e relação aldosterona/atividade de renina sérica (o que nos faria pensar em hiperaldosteronismo primário).

A espironolactona fica então como uma boa opção para ser adicionada como quarta ou quinta droga para pacientes com hipertensão arterial resistente.

 

Referência

1. Václavík J et al. Addition of spironolactone in patients with resistant arterial hypertension (ASPIRANT): a randomized, double-blind, placebo-controlled trial. Hypertension. 2011 Jun;57(6):1069-75. Epub 2011 May 2.

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