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PARTNER coorte B – seguimento de 2 anos

Já publicamos no cardiopapers os resultados originais do Partner. Na coorte A foram avaliados pctes de alto risco cirúrgico sendo os mesmos randomizados para a troca valvar cirúrgica convencional ou para o implante percutâneo de prótese aórtica. Já na coorte B foram selecionados pctes considerados de risco cirúrgico proibitivo (mortalidade estimada em >50% caso fosse optado por cirurgia). Estes então eram randomizados para tratamento clínico otimizado (incluindo valvoplastia percutânea) ou para o implante de prótese de forma percutânea.

Os resultados da coorte B foram espetaculares. A cada 5 pctes tratados com a nova estratégia salvou-se uma vida no seguimento inicial. Lembrando que pouquíssimas intervenções na medicina têm um NNT (número necessário para tratar) tão pequeno. Um exemplo – temos que tratar 25 pacientes que se apresentam com IAM com supra de St na primeira hora de evolução com trombolíticos para salvar 1 vida. NNT de 25. 

Esta semana foi apresentado no congresso TCT (transcatheter cardiovascular therapeuthics) o seguimento de 2 anos da coorte B do PARTNER. O que foi mostrado é que o que era bom ficou melhor. Após 2 anos de acompanhamento o NNT baixou para 4 – ou seja, a cada 4 pctes tratados com o implante percutâneo da prótese aórtica salvou-se uma vida. Segundo os pesquisadores as curvas de sobrevida continuam a divergir. Assim sendo, é provável que no seguimento de 3 ou 4 anos tenhamos resultados ainda mais promissores.

A grande questão é quando esta terapêutica estará disponível em larga escala no Brasil. Atualmente o procedimento custa mais de 80.000 reais não sendo coberto pelos planos de saúde. Ou seja, ainda é uma realidade para muito poucos aqui.

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Eco – trombos em átrio esquerdo

Uma das indicações mais comuns do ecotransesofágico é a pesquisa de trombos em átrio esquerdo em pacientes com FA. Estes são particularmente frequentes quando a arritmia é associada a estenose mitral. As imagens à seguir referem-se a uma paciente com prótese biológica mitral implantada há 8 anos que iniciou com quadro de icc.

Janela paraesternal, corte longitudinal

httpv://www.youtube.com/watch?v=RvocvOoHPt8

Pode-se ver a prótese mitral extremamente calcificada, com a mobilidade dos elementos móveis bastante prejudicada. Na parede posterior do átrio esquerdo pode-se ver uma estrutura sugestiva de trombo. Trata-se de uma única estrutura cortada pela sombra acústica gerada pela calcificação importante da prótese.

Eco transesofágico, nível de esôfago médio, próximo de 0 grau

httpv://www.youtube.com/watch?v=41Eusz7pLgY

Vê-se o VE embaixo e o AE em cima. Há fluxo anterógrado turbulento pela prótese além de um refluxo transprotético. Nota-se uma grande carga de trombos dentro do átrio esquerdo. A prótese, entretanto, não apresenta sinais de trombose/atapetamento por trombos. 

Eco transesofágico, nível do esófago médio, a 120 graus

httpv://www.youtube.com/watch?v=lhXQU_J_ZQc

Nota-se a presença de trombo também no átrio direito.

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Atualização: Dabigatran contra indicado para Disfunção Renal Importante

Recentemente, a bula americana  do Pradaxa ( dabigatrana) foi atualizada. Novas recomendaçãoes orientam que pacientes com fatores de risco  para disfunção renal devem ter a função renal avaliada antes do início da medicação.

Naqueles pacientes com idade maior ou igual a  75 anos e nos que possuem clerance de creatinina < 50ml/min a função renal deve ser avaliada anualmente devido a possível necessidade de ajuste de dose.

 

Considerar reduzir  a dose para dabigatran 75 mg 2xd quando houver disfunção renal moderada associado ao uso de cetoconazol ( sistêmico) ou dronaderona tendo em vista a interação medicamentosa.
 

Está contra indicado Dabigatran na disfunção renal importante ( Cl Cr < 15-30 ml/min)

 

 

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Resultado da prova do CREMESP

http://www.portal.cfm.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=22422%3Acremesp-divulga-resultados-do-exame-dirigido-a-alunos-e-egressos&catid=3

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Enquete: Quando operar pacientes com SCA sem supra após evento.

Gostaríamos de saber as condutas em seus serviços. Votem e nos ajudem a entender o tratamento das SCAs  no Brasil.

 

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Eco – Estenose aórtica

Dando seguimento à nova sessão de imagens ecocardiográficas de patologias importantes. Veremos à seguir um caso de estenose aórtica. As imagens não estão 100% devido à janela acústica limitada (pcte com DPOC).

Janela paraesternal, corte longitudinal. Observa-se uma hipertrofia ventricular importante (predomínio septal), valva aórtica bastante calcificada, com mobilidade reduzida.

httpv://www.youtube.com/watch?v=7otjHg3s7tU&feature=feedu

Dando-se um zoom na via de saída do VE e colocando o doppler podemos observar fluxo turbulento através de valva aórtica além de presença de um refluxo aórtico leve.

httpv://www.youtube.com/watch?v=GDzsybv7cQY&feature=feedu

Na janela apical, corte 4 câmaras, notamos mais uma vez a presença de HVE importante

httpv://www.youtube.com/watch?v=1MU0eUcy1rc&feature=feedu

Na janela supraesternal, podemos notar a presença de fluxo turbulento na aorta ascendente.

httpv://www.youtube.com/watch?v=Yp8KNgxhMuw

Como saber a gravidade da EAo pelo eco? Pela avaliação de vários parâmetros

Neste caso:

Velocidade de pico de 4,98, gradiente máximo de 105 mmHg e médio de 65 mmHg – parâmetros sugestivos de EAo importante.

Como faço para calcular o último ítem da tabela – a razão de velocidades?

Divide-se a velocidade máxima na via de saída do vE (obtida pela corte apical 5 câmaras) pela velocidade máxima pela valva aórtica.

Ou seja – a velocidade máxima na VSVE é de 0,914 e a velocidade máxima pela valva aórtica é de 4,98 – relação de 0,18 – menor que 0,25 e por isso também sugestiva de EAo importante.

O último parâmetro é a área valvar. Como calculá-la pelo eco? O método mais utilizado é a equação de continuidade. Para ver como se faz em detalhes, ver o link abaixo

http://escolaecope.com.br/?p=137

Neste caso a área valvar calculada foi de 0,591 cm2 (ou seja, 0,6 cm2) – confirmando a EAo grave.

Em pctes com superfície corporal aumentada o ideal é indexarmos a área valvar pela superfície corporal. por que? – Porque uma área valvar de 1,1 cm2 para um pcte de 100 Kg e 1,90m pode representar uma EAo importante (apesar do valor absoluto de 1,1 indicar uma EAo moderada). Neste caso se indexarmos a área valvar para a superfície corporal teremos um resultado de 0,47 cm2/m2 – ou seja – <0,6 e portanto sugestiva de EAo importante  e não moderada.

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Eco – miocardiopatia hipertrófica

Estamos começando uma nova sessão do site. Trata-se de um espaço para colocar imagens de eco típicas de determinadas patologias. Para comecar, colocamos estas belas imagens de miocardiopatia hipertrófica enviadas pelo Dr Luiz Henrique França – cardiologista do Intercordis – Recife-PE. 

httpv://www.youtube.com/watch?v=D8Zd13-j1zA&feature=youtube_gdata_player

Nota-se uma hipertrofia de VE nitidamente maior na parede septal (41 de mm de espessura diastólica x 17 mm da parede infero-lateral), presença de gradiente na via de saída de VE (secundário à obstrução dinâmica causada pela hipertrofia septal).

Caso algum leitor do blog queira compartilhar algum eco, é só nos enviar um email (link contato no canto superior da tela).

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IECA/BRA diminuem eventos na insuficiência aórtica?

 

As recomendações da última diretriz americana de valvopatias sobre o uso de vasodilatadores na IAo são:

1- Recomendação classe A - Vasodilator therapy is indicated for chronic therapy in patients with severe AR who have symptoms or LV dysfunction when surgery is not recommended because of additional cardiac or noncardiac factors. (Level of Evidence: B 

2- Recomendação classe IIa - Vasodilator therapy is reasonable for short-term therapy to improve the hemodynamic pro?le of patients with severe heart failure symptoms and severe LV dysfunction before proceeding with AVR. (Level of Evidence: C

3- Recomendação class IIb - Vasodilator therapy may be considered for long-term therapy in asymptomatic patients with severe AR who have LV dilatation but normal systolic function. (Level of Evidence: B

Ou seja, o uso de vasodilatadores (mais comumente ieca ou bra) em pctes com IAo moderada/importante que não têm ainda indicação de cirurgia (assintomáticos) tem pouco embasamento (recomendação IIb).

Para avaliar melhor isto, um grupo de pesquisadores fez um estudo retrospectivo para avaliar se o uso de ieca ou bra poderia diminuir mortalidade/eventos cardiovasculares em pctes com IAo moderada a importante.

Como foi feito o estudo?

Avaliou-se um grande banco de dados de exames ecocardiográficos de um único centro da Escócia e dos mais de 110.000 exames realizados entre 1993 e 2008 foram selecionados os pctes com diagnóstico novo de IAo moderada ou importante. Depois procurou-se os dados destes pctes em outros bancos de dados – onde era possível saber qual medicação usavam, se foram internados por eventos cardiovasculares, se morreram, etc.

Conseguiu-se selecionar um grupo de 2.266 pctes. Estes foram divididos em 2 grandes grupos – os que usaram ieca/bra e os que não usaram. À partir disto foram avaliados desfechos como morte, eventos cardiovasculares, troca valvar aórtica, etc.

Os 2 grupos obviamente eram muito heterogêneos por tratar-se de um trabalho não randomizado. Para tentar diminuir os vieses os pesquisadores fizeram uma avaliação corrigida, em que através de artifícios matemáticos foi possível deixar algumas das características basais iguais entre os 2 grupos (ex: idade, genêro, imc, PAS, PAD, etc).

O que se observou após estas correções é que a mortalidade no grupo com vasodilatadores foi de 20% enquanto que no grupo controle foi de 31%. Houve também diminuição de internações por IC.

Bem, resolvido então – ieca/bra para todo mundo com IAo moderada a importante, certo? Não é bem assim.

Limitações do estudo:

1- Mesmo fazendo as correções em relação a várias características basais, inúmeras variáveis eram diferentes entre os grupos. Ex – estatinas foram usadas em 57% dos pctes do grupo ieca e apenas em 31% do grupo não-ieca. AAS – 63% x 44%. Bbloq – 46% x 33%. E por aí vai… Finalmente, o efeito benéfico foi do ieca/bra ou de qualquer uma destas outras medicações? Não é possível dizer.

2- No estudo não foi especificado se os pctes tinham Estenose aórtica associada ou não. O mesmo grupo que fez este trabalho tem uma publicação mostrando que ieca na EAo pode diminuir eventos. Assim sendo, o efeito do ieca poderia ter ocorrido apenas em um subgrupo com dupla disfunção aórtica (EAo + IAo) e não ter efeito algum na IAo isolada. Com os dados apresentados não há como afirmar nada.

3- Pelo que é dito a IAo foi graduada pelo eco usando parâmetros como vena contracta, espaço ocupado pelo jato regurgitante na VSVE e PHT. Não há menção a área efetiva do orifício regurgitante, volume regurgitante, etc – métodos tidos como mais fidedignos para graduação da IAo. Ou seja, não foi a avaliação ideal da gradação da IAo. 

Há um editorial do JACC que fala de mais algumas limitações importantes…

Então o estudo não serviu de nada? Serviu – basicamente para justificar um ensaio clínico randomizado para avaliar melhor a hipótese, Enquanto isto não é feito, a evidência para usar ieca/bra em pctes com IAo significante e sem indicação de troca valvar não parece ser suficientemente forte para alterar os guidelines…

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Revisão clínica – Dabigatran – parte 2

- O dabigatran tem uma farmacocinética bastante previsível e, de forma geral, não tem que ter sua atividade monitorizada. É o mesmo conceito das heparinas de baixo peso molecular.

- Mas mesmo as heparinas de baixo peso molecular têm que ser monitorizadas em certas situações (ex: gestação, obesidade, insuficiência renal, etc) – o mesmo se aplica ao dabigatran? Sim. Nas situações exemplificadas assim como em casos de sangramentos, suspeita de intoxicação, necessidade de cirurgia de emergência.

- E como faço para monitorizar a ação do dabigatran, quando for necessário? Bem, isto pode ser um problema. O INR e o tempo de protrombina não costumam ser alterados pela medicação. O ttpa é alargado mas isto não ocorre de forma linear com a ação da medicação (diferente das heparinas não fracionadas, por exemplo). Ou seja, dá para dar uma idéia se está fazendo efeito ou não mas não gradua adequadamente o nível da ação anticoagulante exercida. O tempo de trombina serviria melhor para este fim mas o método varia muito de lugar para lugar. 

- Quem não deve usar a medicação?

1- pctes com disfunção renal importante – (ClCr < 30 mL/min)

2- Hipersensibilidade à medicação

3- Hemorragia ativa importante

4- Lesões com risco aumentado de sangramento grave (ex: pcte com metástase cerebral)

5- Hepatopatia ativa. Os trials excluíram pctes com aumento maior do que 2x o limite superior da normalidade das transaminases.

6- Discrasias importantes da coagulação

7- Tratamento concomitante com cetoconazol, tacrolimus, ciclosporina ou itraconazol. Evitar o uso concomitante com rifampicina, quinidina.

O uso da medicação em pctes com <50 kgs ou com >110 kg foi pouco estudado. Cuidado ao usar o dabigatran neste grupo.

- O que aumenta o risco de sangramento com dabigatran

1- Idade >75 anos

2- ClCr<30-50 mL/min

3- Peso <50 Kg

4- Uso de inibidores da glicoproteína-p – amiodarona, quinidina, verapamil

5- Uso de outras medicações como clopidogrel, AAS, AINES
6- Plaquetopenia

7- Coagulopatia

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Revisão clínica – dabigatran – parte 1

- Existem 3 grupos de anticoagulantes orais:

1- Antagonistas da vitamina K – exemplo – varfarina

2- Inibidores diretos da trombina – exemplo – dabigatran

3- Inibidores do fator Xa – exemplos – rivaroxaban e apixaban

- O dabigatran então é um inibidor direto da trombina.

- A medicação surgiu como alternativa a varfarina. Só para se ter uma idéia nos Estados Unidos em 2004 foram feitas 30 milhões de receitas ambulatoriais de varfarina. Ou seja, o mercado para uma nova medicação é gigantesco.

- Os problemas da varfarina são bastante conhecidos – faixa terapêutica estreita (o inr tem que ser mantido entre 2 e 3 na grande maioria das circunstâncias), necessidade de monitorização laboratorial frequente, interação com uma infinidade de drogas e alimentos. Mesmo em grandes trials, onde os pctes são monitorizados de perto, dificilmente se chega a mais do que 60% das dosagens de inr na faixa terapêutica entre os pctes submetidos à terapia com varfarina. 

- O dabigatran é rapidamente absorvido no TGI. Em no máximo 3 horas após a ingestão a medicação já atingiu o pico de ação. O tempo de meia-vida fica entre 12 e 14 hrs. Isto gera vantagens e desvantagens. Por um lado tem-se o benefício de ser uma medicação rapidamente eliminada do organismo, o que é interessante nos casos em que houver sangramento. Contudo, a meia-vida relativamente curta gera a necessidade de 2 tomadas diárias, o que pode ser um fator limitante em pctes pouco aderentes. 80% da medicação é eliminada por via renal – ou seja – a dose deve ser corrigida na disfunção renal.

-  A medicação não é metabolizada pelo conhecido citocromo P450 – o que limita em muito a sua interação com outras drogas. Isto é uma enorme vantagem em relação a varfarina. Esta interage com praticamente tudo, desde antibióticos a antiarrítmicos. Uma medicação que diminui a atividade da varfarina e também do dabigatran, contudo, é a rifampicina. O mecanismo é diferente. No caso da varfarina a atividade é diminuída pelo aumento da atividade do P450. No caso do dabigatran o problema ocorre no intestino – a rifampicina diminui sua absorção. Assim, evitar a combinação dabigatran + rifampicina. Qual o mecanismo que a rifampicina faz isto? Ela ativa a glicoproteína-P a qual diminui a absorçao do dabigatran. Mecanismo contrário é feito pela amiodarona – esta aumenta a absorção do dabigatran. Assim, caso vá se usar dabigatran + amiodarona – deve se diminuir a dose do anticoagulante.

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