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O que mudou no manejo da Fibrilação Atrial? Atualização 2010


 

Em recente artigo de atualização publicado em 20 de dezembro de 2010 pelo   American College of Cardiology Foundation/American Heart Association Task Force on Atrial Fibrillation, novas recomendações para o manejo desta entidade foram divulgadas.

CONTROLE DE FREQUÊNCIA:

- Parâmetros de frequência  e métodos de avaliação ainda  são controversos ;

- No holtter de 24 horas a variabilidade de frequência Cardíaca  é um parâmetro do status autonômico do paciente e fornece informações  prognósticas importantes;

- Após dados do Estudo AFFIRM as metas recomendadas no último guideline para  controle de FC eram aproximadamente  60 a 80 bpm em repouso e  90- 115 bpm durante esforço moderado;

- A nova recomendação, oriunda de dados do RATE II, é que o controle de FC rigoroso ( FC <80bpm em repouso ou <110bpm após teste de caminhada de 6 min) não adiciona benefício ao controle mais tolerante ( FC<110bpm )em portadores de FA com função de VE estável (FEVE: >0,4) e sem sintomas ou  naqueles com sintomas  toleráveis . Manter controle Rigoroso  tornou-se Classe III.

COMBINAÇÃO ENTRE  ANTICOAGULANTES E ANTI-PLAQUETÁRIOS:

- Anticoagulação com Warfarina é definitivamente mais efetiva em prevenir eventos cardioembólicos do que AAS isoladamente ou AAS + Clopidogrel;

- O tratamento com AAS + clopidogrel comparado com Warfarina adequadamente ajustada apresentam o mesmo risco de sangramento ( ACTIVE –W Trial);

- A anticoagulação associado com dupla antiagregação é recomendada naqueles pacientes com 2 fatores : FA,  Stent farmacológico ou em portadores de prótese valvar mecânica;

Recomendação: AAS + Clopidogrel reduz a incidência de eventos vasculares maiores ( i.e AVC) naqueles pacientes  não candidatos a anticoagulação ( preferência do pcte ou do médico ) e que não conseguem manter faixa de anticoagulação  segura ou aceitável. Classe IIb – NE B – NOVA OPÇÃO DE TRATAMENTO

NOVOS AGENTES ANTITROMBÓTICOS:

- Recomendações a respeito da Dabigratana ( inibidor direto  da trombina) não foram inclusas neste suplemento por ainda não ser liberada pelo FDA

DISPOSITIVOS NÃO FARMACOLÓGICOS DE PREVENÇÃO DE TROMBOEMBOLISMO:

- Watchman Device para Fechamento de apêndice atrial ainda não foi liberado pelo FDA

RECOMENDAÇÕES PARA O USO DE DRONEDARONA PARA PREVENÇÃO DE FA RECORRENTE.

- A Dronedarona é semelhante a molécula da Amiodarona porém com menor conteúdo de IODO e com melhor perfil de efeitos colaterais.

- É menos Efetiva do que a amiodarona (DIONYSOS study);

-  Principais Efeitos colaterais da Dronedarona  são a bradicardia e prolongamento do Qt;

- Não interfere com a Warfarina;
Recomendações:

-  O uso da Dronaderona é razoável para reduzir a necessidade de hospitalizações por eventos cardiovascular em paciente com FA paroxística  ou após conversão para FA persistente. IIa NE B;

- Não deve ser utilizadas em IC CF IV ou pacientes com história de IC descompensada nas úlitmas 4 semanas, especialmente naqueles com FEVE<= 35%. Classe III NE B


 

MANUTENÇÃO DO RITMO SINUSAL

- Nesta atualização enfoque maior foi dado ao controle do ritmo com Ablação com rádio frequência sendo reclassificado para Classe I a ablação em centros experientes, de pacientes  com sintomas significantes , FA paroxistica refratários a tratamento medicamentoso e que têm atrio normal ou dilatado discretamente e sem Doença pulmonar servera ( de Classe IIa –> I)  podendo ser tambpem  recomendado nos paciente com FA persistente sintomática (IIA NE A)

- Também pode ser recomendada para aqueles com FA paroxística aumento atrial ou com Disfunção ventricular esquerda significantes ( IIb  NE A) – Antes era contra indicado.

REFERÊNCIA:

ACCF/AHA/HRS focused update on management of patients with atrial fibrillation 2011

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Hemoglobina glicada no diagnóstico de Diabetes

                

No último consenso da American Diabetes Association (ADA) -2010 a hemoglobina glicada (HbA1C) foi recomendada como mais um teste para firmar o diagóstico para o DM. Previamente o exame era utilizado apenas para acompanhamento principalmente por falta de padronização do método pelos diferentes laboratórios ao redor do mundo.Na nova diretriz  foi estabelecido que um valor > ou igual a 6,5% faz o diagnóstico de DM.

Vantagens:

- não requer jejum

- pode ser utilizado no lugar do GTT de 2h em pacientes com glicemia de jejum alterada

- pode estabelecer definitivamente o diagnóstico nos casos de paciente em situações críticas (IAM, Sepse, Pós operatório) em que é comum haver hiperglicemia e muitas vezes o paciente não saber ter o diagnóstico prévio de DM.

Desvantagens:

- pacientes com hemoglobinopatias, anemias ou outras condições que afetem o turnover das hemáceas não podem usar a HbA1C nem como diagóstico nem como acompanhamento

- em alguns grupos étnicos como negros é sabido que HbA1C superestima o diagnóstico e nos idosos pode subestimar  diagnóstico.

- não há correlação perfeita entre glicemia de jejum e HbA1C, mas também não há entre glicemia de jejum e glicemia 2h pós GTT e mesmo assim esses dois métodos já são consagrados no diagnóstico.

Resumindo: mais uma arma diagnóstica que, por prescindir do jejum, pode ajudar a detectar precocemente pacientes diabéticos (apenas 30% dos pctes com DM do Brasil sabem ter esse diagnóstico)

-HbA1C > ou igual a 6,5%: diagnóstico de DM

- HbA1C 5,7-6,4%: risco de diabetes ou pré-diabetes (semelhante a glicemia de jejum alterada ou intolerância à glicose)

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Dabigatran x rivaroxaban – qual o melhor?

                    

- Várias medicações têm surgido como alternativa a varfarina nos pacientes com fibrilação atrial. As 2 mais comentadas no momento são o rivaroxaban (vide comentários postados sobre o trial ROCKET-AF neste blog – http://cardiopapers.wordpress.com/2010/11/25/rocket-af-rivaroxaban-na-fa/) e a dabigatrana (vide post sobre a medicação também neste blog – http://cardiopapers.wordpress.com/2010/11/27/dabigatrana-informacoes-praticas/) a qual foi avaliada no estudo RELY. O primeiro trata-se de um anti-Xa oral enquanto que o segundo é um antagonista oral da trombina.

- Ambas as medicações têm suas vantagens e desvantagens. No The Heart desta semana foram publicadas opiniões de vários especialistas da área sobre as 2 medicações. Farei um breve resumo aqui.

- No RELY a dabigatrana mostrou-se superior ao marevan. Houve diminuição de 34% dos eventos embólicos e de 74% dos AVCHs. Já o rivaroxaban no estudo ROCKET-AF mostrou-se não inferior a varfarina mas não chegou a atingir o alvo de superioridade. A metodologia dos trials contudo foi um pouco difernte. Enquanto o RELY foi um open-label trial (os pctes e os médicos sabiam qual a medicação estava sendo administrada, marevan ou dabigatrana) o ROCKET-AF foi um estudo duplo-cego.

- Ambas as medicações diminuíram o risco de AVCH quando comparadas com o marevan.

- O rivaroxaban tem a grande vantagem de precisar ser ingerido apenas 1x ao dia enquanto que a dabigatrana tem que ser tomada 2x ao dia.

- No RELY, 10% dos pacientes em uso de dabigatrana referiram presença de dispepsia. Este efeito colateral foi responsável por boa parte das descontinuações da medicação no trial.

- No estudo de fase 2 REEDEM que testou a dabigatrana houve aumento do risco de IAM, fato não visto no RELY (estudo fase 3 com a mesma medicação).  No primeiro estudo, quando comparado com o marevan, houve 2 casos a mais de IAM para cada 1.000 pacientes tratados com a dabigatrana. Tal fato não foi observado en nenhum dos trial com rivaroxaban.

- Mesmo nos locais com melhor controle do RNI, a dabigatrana e o rivaroxaban ainda mostraram vantagem em relação ao marevan. Isto se deveu basicamente a diminuição do risco de AVCH. Quanto pior o controle do RNI, maior a vantagem das novas medicações sobre a varfarina.

- Ambas as medicações são eliminadas por via renal, o que traz aumento do risco de sangramento em pctes com IRC quando utilizado a dose padrão. Devido a isto, está se desenvolvendo um novo anti-Xa oral (Betrixaban) o qual é metabolizado pelo fígado e assim poderia ser usada sem problemas em pctes com disfunção renal.

- Como já dito previamente no post em relação ao ROCKET-AF, no momento ainda não há como dizer qual a medicação melhor no contexto de FA. Esta resposta seria dada de forma definitiva apenas fazendo um ensaio clínico comparando rivaroxaban x dabigatrana. O importante é que independente da medicação utilizada, os dias do marevan parecem estar contados.

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"Less is more" também na cardiologia

                 

Uma expressão cada vez mais usada em terapia intensiva nos últimos anos é a “Less is more”. Ela se refere ao fato de que vem se descobrindo que muitas vezes limitar o número de intervenções aplicadas ao paciente (antibióticos, sedativos, swan ganz, bloqueadores neuromusculares, etc) resulta em uma melhor evolução.

Este conceito pode ser utilizado em outras áreas de atuação, incluindo a cardiologia. O Archives of Internal Medicine desta semana mostra um caso muito ilustrativo sobre isso. Trata-se de uma mulher de 52 anos com antecedente de HAS e obesidade grau 1 que chegou a um pronto-socorro americano com uma dor torácica completamente atípica (piorava com a inspiração e com a movimentação do MSD). O ecg e os marcadores de necrose miocárdica eram normais. A dor da paciente foi classificada como de etiologia músculo-esquelética mas, “just in case”, foi solicitado uma angiotomografia de coronárias. O exame revelou presença de lesão complexa em terço proximal de DA. Devido ao achado a paciente foi submetida posteriormente a cate o qual revelou apenas irregularidades na DA. Contudo, durante o procedimento houve dissecção de aorta e de tronco de coronária esquerda. Teve que ser passado balão intra-aórtico devido a choque cardiogênico e a paciente terminou sendo submetida a revascularização miocárdica de urgência. Colocado Sf-DA e Sf-Mg.

 Após 6 meses do procedimento a pcte iniciou com quadro de angina aos esforços. Novo cate revelou lesões importantes dos enxertos venosos, sendo colocado vários stents farmacológicos para tratamento das lesões. Poucas semanas após, apesar do uso correto de aas e clopidogrel, evoluiu com trombose aguda do stent de Sf-Mg. Como consequência, teve de ser submetida a nova ATC mas terminou por cursar com choque cardiogênico refratário às medidas clínicas. A pcte precisou ser submetida a transplante cardíaco!!!!

Este caso ilustra bem como a solicitação de um exame desnecessário, “just in case”, pode deflagar uma série de consequências catastróficas. A pcte apresentava baixa probabilidade pré-teste de coronariopatia. A causa da dor torácica foi classificada claramente como músculo-esquelética. Neste cenário, a angiotc de coronárias não está indicada. O uso de testes diagnósticos nunca deve sobrepor-se ao raciocínio clínico. Mesmo testes não invasivos podem causar malefícios ao pcte. A angiotc de coronária, por exemplo, traz o risco de nefropatia por contraste além de expor o pcte a radiação. Para se ter uma idéia, um cate diagnóstico expõe o pcte a 7 mSv de radiação. Já uma angiotc, a até 15 mSv, dependendo do aparelho. Estima-se que até 2% das neoplasias malignas nos Estados Unidos atualmente sejam secundárias a radiação produzida por tomografias diagnósticas.

Referência: Becker M, Galla JM, Nissen S.  Left main trunk coronary artery dissection as a consequence of inaccurate coronary computed tomographic angiography. Arch Intern Med 2010; DOI:10.1001/archinternmed.2010.464.

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Qual o diagnóstico?

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(mais…)

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Hipotermia Terapêutica

A hipotermia terapêutica deve ser realizada até 6hs após a parada cardiorrespiratória, para pacientes que não recuperam nível de consciência em até 1 hora do evento (indicação Ib se FV/TV e IIb se AESP ou assistolia). Manter hipotérmico por 12 a 24h. O objetivo é diminuir encefalopatia hipóxica. Reduz o cosumo cerebral de oxigênio, suprime reações químicas associadas com lesões de reperfusão, reduz reações de radicais livres e liberação de cálcio intracelular, e modula apoptose e resposta anti-inflamatória.

Contraindicações: gravidez (absoluta). Instabilidade hemodinâmica refratária (com necessidade de aumento contínuo de drogas vasoativas) e coagulopatia (relativa). Trombólise não é contraindicação.

Complicações: arritmias, infecção, coagulopatia, status epiléptico, hipertermia rebote.

Como fazer:

INDUÇÃO

- Diminuir T ? 34°C em até 6hs. Idealmente em 1 a 2hs da ressucitação.

- Colocar termômetro esofágico (opções: catéter de artéria pulmonar, timpânico ou vesical).

- Avaliar padrão neurológico.

- Dar SF 0,9% ou Ringer Lactato a 4°C, 30 a 50ml/kg, até no máximo 3L, idealmente em 20 minutos. Parar se SatO2 < 90%. OU Se hipervolemia, considerar infundir solução via sonda nasogástrica – inicialmente, aspirar o conteúdo via SNE. Instilar rapidamente 250-500ml de SF0,9% ou água filtrada a 4°C. Após 10min (500ml bolus), aspirar o conteúdo gástrico. Repetir até 30ml/kg ou 3L.

- Associar manta térmica, colete, perneiras. Opção, se outros métodos indisponíveis: 3 bolsas de gelo, nas axilas e região inguinal (deixa 1 livre). troca a cada 10min, para evitar lesão cutânea. Removê-los quando T de 33°C.

- Documentar T a cada 15 minutos. Após atingir 34°C, a cada hora.

- Sedação: titular para sedação profunda (RASS -4). Ex.: Fentanil 1-2mcg/kg EV ataque + manutenção 1-4mcg/kg/h. Midazolan 2-6mg EV ataque + manutenção 1-2mg/h. Opção: Propofol 5mcg/kg/min EV.

- Passar SVD – diurese abundante. Cuidado com DHE (K+). Manter PAS > 90mmHg.

MANUTENÇÃO

- Manter T 32-34°C por 12 a 24hs.

- Exames: eletrólitos (K, Ca, Mg) a cada 6hs. Colher também CPK, CKMB, troponina, BNP, hemograma, coagulo. Controle de dextro. Hemocultura na 12ª hora.

- Reavaliação do status neurológico a cada 2hs.

- Se tremores: sulfato de magnésio (4g EV), benzodiazepínicos. Bloqueio neuromuscular só se refratário (risco de paralisia do doente crítico) – ex.: pancurônio 4mg bolus (1 amp) EV seguido de 0,1 a 0,2mg/kg a cada 1 a 2hs..

REAQUECIMENTO

- Parar reposição de K+ 1h antes do reaquecimento.  Avaliar necessidade de reposição de fluidos. Manter sedado pelo menos até 36°C.

- Aumentar a T 0,5°C/hora até atingir 36,5°C. Documentar T a cada 30 minutos.

- Depois, na recuperação, pode ter febre por alteração do set point (centro termorregulador hipotalâmico). Administrar antitérmicos e manta térmica para T < 38°C.

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Série Devices: Impella

O Impella é o menor dispositivo de assistência ventricular esquerda disponível até o momento. É um dispositivo que pode ser inserido na sala de hemodinâmica, e que é utilizado com a finalidade de melhorar o débito cardíaco e a perfusão coronariana e tecidual, diminuindo o trabalho miocárdico e o consumo de oxigênio. O aparelho consiste em uma bomba que tem sua porção distal colocada na cavidade do ventrículo esquerdo, e sua porção proximal, por onde é ejetado parte do débito, na aorta ascendente. Pode obter um fluxo de até 2,5 ou 5 L/min (dependendo do dispositivo – Impella 2.5 ou 5.0). Deve ser usado por no máximo 10 dias.

Suas indicações são as mesmas do balão intra-aórtico (BIA), como choque cardiogênico pós-IAM, profilático para preparação de cirurgia cardíaca ou para procedimento hemodinâmico em pacientes de alto risco ou como ponte para outros dispositivos.

Alguns trabalhos mostram superioridade desse dispositivo em relação ao BIA.  Nos registros americanos multicêntricos (USpella) em pacientes com IAM, esse dispositivo se mostrou eficaz em otimizar a hemodinâmica dos pacientes nos quais a terapia convencional foi insuficiente para suporte adequado (88% após revascularização miocárdica, 88% após uso de altas doses de inotrópicos e 68% após uso de BIA). O Impella melhorou o IC de 1,9 para 2,5 L/min/m², a PAM de 62 para 87mmHg, e a fração de ejeção de 29 para 37%.

Um estudo alemão (JACC 2008 52(19):1584) comparou 25 pacientes com choque cardiogênico pós IAM; 13 receberam BIA e 12 receberam Impella. O Impella aumentou mais o índice cardíaco 30 minutos após seu implante em comparação com o BIA (p = 0,02), mas a mortalidade em 30 dias foi semelhante nos 2 grupos (46%).

A superioridade do Impella em relação ao BIA precisa ser melhor demonstrada, mas esse dispositivo parece ser uma alternativa interessante a ser usada em pacientes que não respondem bem à terapêutica habitual inclusive com o suporte do BIA. Além disso, pode ser facilmente implantado na sala de hemodinâmica. Talvez o uso do Impella 5.0 possa trazer maiores benefícios para esses pacientes refratários.

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Revisão clínica – Prasugrel

                

- A medicação, após ingerida, é metabolizada por enzimas no intestino e posteriormente no fígado para assumir a forma de seu composto ativo o qual bloqueia o receptor de ADP P2Y12 das plaquetas. Com este receptor bloqueado a atividade plaquetária é inibida irreversivelmente. Provavelmente polimorfimos genéticos do citocromo P450 no fígado explicam a diferença no metabolismo do prasugrel em relação ao clopidogrel, fazendo com que o primeiro seja mais efetivo em inibir a ativação plaquetária.

- Enquanto o clopidogrel demora 3 a 6 horas para atingir o pico de inibição plaquetária (a depender da dose de ataque), o prasugrel demora apenas 30 minutos para fazer o mesmo.

- A medicação foi testada em comparação com o clopidogrel no Trial to Assess Improvement in Therapeutic Outcomes by Optimizing Platelet Inhibition with Prasugrel–Thrombolysis in Myocardial Infarction (TRITON–TIMI) 38.

- Este trial avaliou 13.608 pacientes com angina instável ou infarto agudo do miocárdio que estavam em programação de serem submetidos a angioplastia. No grupo de síndrome coronariana sem supra de ST a medicação era iniciada apenas após a realização de cate. Os pacientes do grupo prasugrel recebiam 60 mg de ataque e após isto, 10 mg/d por 15 meses. O grupo do clopidogrel recebia 300 mg de ataque e posteriormente 75 mg/d.

- Houve diminuição do risco de novo infarto e de trombose de stent, sendo o benefício maior no grupo de DIABÉTICOS e de pacientes com IAM COM SUPRA DE ST. O benefício se manteve no acompanhamento de 15 meses do trial.  Este fato é interessante porque a maioria dos trials usa dupla antiagregação por 12 meses após síndrome coronariana aguda mas no TRITON utilizou-se o esquema por 15 meses – o que pode alterar guidelines no futuro.

- Como nada é perfeito,o prasugrel aumentou o risco de sangramentos maiores no TRITON. A cada 1.000 pctes tratados com a medicação, houve o surgimento de 3 sangramentos fatais!!! Os 3 subgrupos que mais apresentaram aumento do risco de hemorragia com a medicação foram:

1- Idade avançada (>75 anos)

2- Baixo peso (<60 Kgs)

3- AVC/AIT prévios

- Em pctes com <60 kgs é possível que a redução da dose de manutenção de 10mg para 5 mg mantenha o benefício terapêutico diminuindo o risco de sangramento mas isto terá que ser comprovado em outros trials. Nos outros 2 grupos, o mais prudente parece ser eviatr a medicação.

- Apesar dos pctes randomizados no TRITON estarem em programação de realizar ATC, uma parcela terminou sendo encaminhada para a cirurgia após melhor avaliação. neste grupo de pacientes, o uso do prasugrel aumentou muito o risco de sangramento perioperatório importante (13,4% x 3,2%).  Assim, é uma medicação que idealmente só deve ser iniciada após realização do cate e definição de estratégia terapêutica percutânea. NO MOMENTO NÃO HÁ EMBASAMENTO CIENTÍFICO PARA INICIAR O PRASUGREL DE ROTINA DE FORMA UPSTREAM (na sala de emergência, antes do cate) na síndrome coronariana sem supra de ST. No IAM com supra de ST já é uma outra situação, uma vez que na imensa maioria dos serviços brasileiros o caso vai ser sim definido por angioplastia.

- No TRITON houve diminuição de >50% no risco de trombose de stent, tanto bare-metal quanto farmacológico (passou de 2,4% para 1,1%). Isto contudo foi em um cenário de síndrome coronariana aguda, em que se sabe que o risco de trombose de stent é superior a uma angioplastia eletiva, por exemplo. Assim, a medicação foi estudada até o momento no cenário agudo e não no crônico.

Referência: D Bhatt. Prasugrel in Clinical Practice. New England ournal of Medicine. Volume 361(10), 3 September 2009, p 940–942

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Revisão clínica – Doença de Chagas – parte 3

             

TRATAMENTO DA DOENÇA DE CHAGAS INSTALADA

- Amiodarona – usar se:

1- Taquicardia ventricular sustentatda

2- Taquicardia ventricular não sustentada + disfunção de VE no eco

- CDI – usar se:

1- Taquicardia ventricular com instabilidade hemonidâmica

2- Morte súbita abortada por TV/FV

- Não existem grandes trials avaliando amiodarona x CDI em arritmias ventriculares complexas no pacinte com Chagas.

- O tratamento da insuficiência cardíaca causada por Doença de Chagas é basicamente extrapolado de estudos feitos com outras doenças. Em relação a ressincronização cardíaca, por exemplo, a maioria dos estudos revelou melhor eficácia em pacientes com BRE mas a maioria dos portadores de miocardiopatia chagásica com QRS alargado têm BRD.

- A tabela a seguir, retirada do artigo de revisão do Dr Rassi publicado no Lancet, traz um belo resumo do tratamento da cardiopatia chagásica:

- Pacientes com cardiopatia chagásica avançada apresentam boa evolução quando submetidos a transplante cardíaco.

- Referência: Rassi Jr A, Rassi A, Marin-Neto JA. Chagas disease. Lancet 2010; 375: 1388-1402

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Revisão clínica – Doença de Chagas – parte 2

         

- Para dar o diagnóstico na fase crônica o ideal é ter pelo menos 2 testes de metodologia diferente positivos. As 3 opções principais são: ELISA, hemaglutinação indireta e imunofluorescência indireta.

- Após confirmação do diagnóstico através de sorologia, dev-se realizar no mínimo ECG, radiografia de tórax e anamnese dirigida para sintomas digestivos (constipação, disfagia, dispepsia, etc). Se ECG normal e paciente sem sintomas de TGI sugestivos – classifica-se como forma indeterminada e o mesmo deve ser seguido a cada 1-2 anos, realizando ECG nas visitas de retorno. Já para os pacientes com alterações de ECG sugestivas da forma cardíaca da doença de chagas – está indicado a realização de Holter de 24 hrs e de eco TT.

- Em todo paciente com a forma cardíaca da doença deve-se calcular o escore de Rassi para saber o prognóstico em 5 e 10 anos.

OBS: tabela retirada do artigo do Dr Rassi publicado no Lancet (vide referência no final deste comentário)

- O tratamento antiparasitário deve ser oferecido aos seguintes pacientes:

1- infecção aguda

2- Infecção congênita

3- Reativação da doença (ex: pcte com AIDS ou em uso de imunosupressores)

Nos seguintes pacientes o tratamento antiparasitário é contra-indicado:

1- Gestantes

2- Insuficiência renal importante

3- Insuficiência hepática importante

4- Cardiopatia chagásica avançada

5- Megaesôgafo com disfagia

- Medicação de primeira escolha – Benznidazole. Em adultos – 5 mg/kg/d 1xd durante 60 dias

- Nos outros casos (forma indeterminada, cardiopatia leve, esofagopatia leve, etc) o tratamento é controverso.

- A eficácia do tratamento antiparasitário em pacientes com cardiopatia chagásica leve/moderada está sendo avaliada no trial BENEFIT.

Referência: Rassi Jr A, Rassi A, Marin-Neto JA. Chagas disease. Lancet 2010; 375: 1388-1402

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