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Como diagnosticar sobrecarga de átrio direito pela derivação V1?

Dica: se fase positiva da onda P em V1 for > ou = 1,5 mm – dá-se o diagnóstico de sobrecarga de átrio direito (SAD). Segue exemplo abaixo:

ebstein2 Como diagnosticar sobrecarga de átrio direito pela derivação V1?

Trata-se de ecg de paciente com Anomalia de Ebstein, doença na qual normalmente há SAD pronunciada.

Quais as alterações que a hipotermia pode causar no eletrocardiograma?

A hipotermia pode causar uma série de alterações no ecg. Entre elas, as principais são:

1- ondas J ou O (de "Osborn")

2- Bradicardia

3- Aumento do Qt

O que são as ondas J? Trata-se de um entalhe no final do QRS que pode causar um alongamento do mesmo. 

Ondas J = hipotermia? Não!!!! Outras patologias podem causá-las como a hipercalcemia e mesmo variações de repolarização precoce. 

Um ótimo exemplo de ondas J pode ser visto no ecg abaixo.

hipotermia Quais as alterações que a hipotermia pode causar no eletrocardiograma?Nota-se também bradicardia (frequência cardíaca ao redor de 50 bpm).

O ecg seguinte, já com a temperatura mais elevada, mostra elevação da FC e desaparecimento das ondas J.

hipotermia depois daiane colman Quais as alterações que a hipotermia pode causar no eletrocardiograma?

Imagens gentilmente cedidas pela Dra Daiane Colman Cassaro.

Desafio de ECG

Paciente de 46 anos procura o pronto socorro com queixa de palpitações há 1 hora.

ECG de entrada:

TRN1sn1 Desafio de ECG

Após administração de 6mg de adenosina EV em bolus, repetido o ECG do paciente:

TRN2sn1 Desafio de ECGQual é a arritmia apresentada por esse paciente?

Sabendo que o paciente em questão apresentava ECG normal em avaliação prévia, o que há de diferente no ECG pós adenosina, e o que justifica essa alteração?

(resposta em 07/07/14)

O ECG no paciente portador de DPOC grave

Pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica avançada podem evoluir com sobrecarga das câmaras cardíacas direitas. Este quadro de sobrecarga cardíaca direita secundário ao aumento das pressões pulmonares devido a uma doença pulmonar primária é chamado de cor pulmonale. Mas qual o motivo disto acontecer? A hipóxia tende a causar vasoconstricção da vasculatura pulmonar. Como o DPOC avançado pode cursar com hipoxemia persistente, esta pode levar a uma vasoconstricção difusa da vasculatura pulmonar. O aumento da resistência pulmonar pode levar ao aumento das pressões em artéria pulmonar. Por sua vez, esta elevação da pressão sobrecarrega o ventrículo direito que tende a ficar inicialmente hipertrofiado e, posteriormente, dilatado. O átrio direito acaba dilatando pelo mesmo mecanismo.

No eletrocardiograma destes pacientes, podemos observar sinais de sobrecarga de átrio direito de ventrículo direito. Exemplo:

 O ECG no paciente portador de DPOC grave

 O ECG no paciente portador de DPOC grave

No ecg observamos:

1- onda P apiculada e com amplitude chegando a 5 mm em D2. Onda P > 2,5 mm em D2 = SAD. Quando esta onda p aumentada é resultado de cor pulmonale, dá-se o nome de ONDA P PULMONALE.

2- variação importante de amplitude do qrs entre V1 e V2. É o chamado sinal de Peñalosa-Tranchesi e também significa SAD. Para revisar os critérios de sobrecarga de AD – veja este link.

3- onda S > onda R em V6 – denota SVD

4- onda S profunda em V3 que quando somada a onda R de avL resulta em > 20mm – índice de cornell. Significa SVE

5- Índice de morris presente em V1 – significa SAE.

6- importante desvio do eixo cardíaco (qrs positivo em avR).

Trata-se de mulher com DPOC grave, retentora crônica de CO2 (gaso basal com bicarbonato de 48 e PaCO2 >60) que também possui HAS e sobrecarga de câmaras esquerdas. Achados confirmados posteriormente pelo eco transtorácico.

pixel O ECG no paciente portador de DPOC grave