Imagem cardiovascular

A ressonância magnética é o melhor exame para avaliar a fração de ejeção dos ventrículos?

Ricardo Rocha
Escrito por Ricardo Rocha

Vimos no primeiro post as indicações gerais para se solicitar ressonância magnética cardíaca. Iremos agora começar a detalhar melhor estas indicações, colocando imagens práticas para facilitar a compreensão do leitor.

1 – Dúvida na função ventricular, volumes ventriculares e massa (VE e VD).

A avaliação da função sistólica é fundamental na prática clínica, pois tem implicação prognóstica e sua determinação é um divisor de águas em grande parte das intervenções terapêuticas em cardiologia. A fração de ejeção de ambos os ventrículos corresponde à porcentagem do volume sanguíneo que é ejetado durante a sístole.

O método mais recomendado para a avaliação destas medidas é o ecocardiograma, devido ao seu baixo custo, praticidade e disponibilidade (Veja neste outro post como é realizado esta medida pelo ECO). Entretanto, é comum pacientes com avaliação limitada por janela ecocardiográfica ruim, exames com valores discordantes e dificuldade na definição da função do ventrículo direito. Quando o persistir a dúvida, uma boa opção e a Ressonância Cardíaca. O exame é considerado padrão-ouro para a determinação da fração de ejeção, volumes e massa dos ventrículos direito e esquerdo. Sua maior resolução espacial em comparação aos outros métodos possibilita a identificação precisa dos limites das cavidades, diminuindo a variabilidade inter e intraobservador.

Detalhes técnicos: Para o calculo da FE (%) na RMC, usamos a sequência de cine ressonância, que gera imagens dinâmicas semelhante à ecocardiografia. São feitas aquisições em eixo curto com cobertura inteira dos ventrículos e pelo menos dois cortes em eixo longo (2 câmaras e 4 câmaras). Após delineamento das bordas endocárdicas dos ventrículos no eixo curto (Figura 1 e 2), calcula-se os volumes no final da diástole (VDF) e sístole (VSF). Com esses dados, a fração de ejeção (FE) é determinada pela regra de Simpson.

* FE (%) =(Volume sistólico / Volume diastólico final) x 100

  • Volume sistólico = Volume diastólico final – Volume sistólico final.

A massa pode ser obtida multiplicando-se o volume total da parede miocárdica na diástole máxima pela gravidade específica do miocárdio (1,05g/mm3). Todos estes dados podem ser indexados pela superfície corpórea do paciente.

Figura 1 – Determinação das bordas endocárdicas e epicárdica de forma semiautomática em software de análise na diástole máxima.

Figura 2 – Determinação das bordas endocárdicas de forma semiautomática em software de análise na sístole máxima.

 

 

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Sobre o autor

Ricardo Rocha

Ricardo Rocha

Residência em Cardiologia pela USP - Ribeirao Preto
Título de Especialista em Cardiologia pela SBC
Especialista em Tomografia e Ressonância Cardiovascular pelo InCor/FMUSP
Médico do setor de Imagem Cardiovascular das Clinicas Boghos Boyadjian e Mário Marcio - Fortaleza - CE
Médico do setor de Cardiologia e Imagem Cardiovascular do Hospital Monte Klinikum - Fortaleza - CE

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