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AngioTC coronariana: não olhe apenas para as estenoses

Alexandre Volney
Escrito por Alexandre Volney

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Recentemente publicado no Circulation (doi: 10.1161/CIRCULATIONAHA.119.044720), uma análise post hoc do subgrupo de pacientes submetidos a AngioTC coronariana (TCC) no trial Scot-Heart correlacionou eventos clínicos (infarto fatal e não fatal) com o risco futuro medido por escore clínico (ASSIGN), Escore de Cálcio, Estenose coronariana e carga de aterosclerose total (CT) e carga de aterosclerose de placas de baixa atenuação (CBA) – atribuídas a maior componente lipídico.

Foram incluídos 1769 pacientes, a maioria homens (56%) com média de idade de 58 anos e média de risco cardiovascular 18%.

A análise da carga de aterosclerose foi realizada por software semi-automático com correções manuais se necessária (vide figura), identificando os componentes das placas ateroscleróticas, calculando a volume desses componentes em relação ao volume total do segmento do vaso analisado (em porcentagem).

Imagem representativa da análise de placa por meio de software semi-automático com base nas imagens de TCC. Compare as duas imagens de eixo curto da coronária com o lumen branco (preenchido por contraste iodado) e regiões em escala de cinza ao redor, representadas por cores de acordo com a ateuação tomográfica correspondente do tecido predominante (gordura, calcio etc…)

De importante os resultados demonstraram forte correlação da CBA com o endpoint (infarto fatal/não fatal), maior que todos os demais dados estudados (RR 1,6 com IC 1,1 – 2,34), especialmente nos pacientes que apresentaram essa carga de placas de baixa atenuação maior que 4% nos quais esse risco foi próximo de 5x maior (RR 4,65 com IC 2,06 a 10,5). Vale lembrar que esse dados foi ajustado e se confirmou de forma independente ao risco clínico, escore de cálcio e estenose coronariana.

O que dá para concluir do estudo? Que existe uma forte correlação entre a extensão de placas não calcificadas e seu volume relativo com o desenvolvimento futuro de eventos clínicos (infartos fatais e não fatais). Mas não dá para afirmar qualquer impacto da mudança de conduta relacionada a esse achado. Além disso, na TCC não fazemos de rotina esse tipo de análise e não temos, na grande maioria dos serviços, a disponibilidade desse software. Então fica difícil aplicar essa análise na rotina dos exames.

Mas o que podemos levar para a prática clínica, na indisponibilidade dessa análise específica?

Temos mais uma evidência de que algumas características das placas encontradas na TCC e sua extensão na rede vascular coronariana têm importante valor prognóstico ao identificar grupos de pacientes de maior risco de eventos clínicos (nesse caso infarto fatal e não fatal).

Então, um bom laudo de TCC deve conter uma descrição precisa e de fácil entendimento pelo clínico da extensão do processo aterosclerótico e da presença e proporcionalidade de placas mais associadas a eventos clínicos; e um bom clínico não vai se contentar em saber apenas da presença ou não de estenoses coronarianas…. vai analisar com maior profundidade os achados, refinando o risco do paciente de forma a direcionar seu tratamento e orientação sobre a doença.

Referência: Low-Attenuation Noncalcified Plaque on Coronary Computed Tomography Angiography Predicts Myocardial Infarction: Results From the Multicenter SCOT-HEART Trial (Scottish Computed Tomography of the HEART). Michelle C. Williams et al; Circulation. 2020;141:00–00. DOI: 10.1161/CIRCULATIONAHA.119.044720

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Sobre o autor

Alexandre Volney

Alexandre Volney

Residência em Clínica Médica pelo Hospital do Clínicas da Faculdade de Medicina de São Paulo (HC-FMUSP, 2007)
Residência em Cardiologia pelo Instituto do Coração (InCor-HCFMUSP, 2009),
Especialização em Tomografia e Ressonância Cardiovascular (InCor-FMUSP, 2009-2011)
Especialista em Ecocardiografia (SBC)

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