Arritmia

Apple Heart Study: o apple watch é bom em detectar fibrilação atrial?

Eduardo Lapa
Escrito por Eduardo Lapa

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Foi publicado hoje no congresso ACC 2019 o estudo Apple Heart Study. Do que se trata o estudo? Você já deve ter ouvido falar que o Apple Watch 4 é capaz de fazer uma derivação eletrocardiográfica e assim detectar fibrilação atrial, certo? Então foi um estudo de validação deste ECG do novo Apple Watch? Não! Os critérios de inclusão deste estudo foram:

Ou seja: incluiu pctes com Apple Watch série de 1 a 3, os quais não fazem ECG. Além disso precisavam ter um iphone 5 ou superior e ter concordado em participar do estudo. Mas como é o dispositivo detecta FA, então? O que ocorria é que os pctes que entravam no estudo baixavam um app específico e tinham o ritmo do pulso monitorado, como o aparelho normalmente faz. Se o pulso fosse irregular, o aparelho começava a fazer medidas mais frequentes. Se 5 medidas próximas confirmassem o ritmo irregular, um alerta era emitido para o paciente fazer uma consulta por telemedicina com um médico do estudo.

A partir daí, era enviado um aparelho de ECG wearable (“”vestível”) que era usado por vários dias. Se este aparelho confirmasse mais de 30s de FA ou se simultaneamente o Apple Watch mostrasse ritmo irregular e o aparelho de ECG, FA, preenchia desfecho do estudo.

O que o estudo mostrou? Quais eram as características dos pacientes?

Foram randomizados mais de 400.000 pacientes em um período de 8 meses o que é um achado impressionante. Talvez essa seja a maior novidade do estudo: a possibilidade de incluir centenas de milhares de estudo de forma virtual. Ah, Eduardo, mas eu estou cansado de ver estudos observacionais com 1 milhão de pacientes nas grandes revistas. Qual o “pulo do gato”? Estes estudos gigantes são normalmente retrospectivos ou transversais. Alguém chega lá numa base de dados e pega os dados de vários pacientes. Tem também a modalidade transversal onde, por exemplo, milhares de pessoas respondem a uma pesquisa sobre hábitos alimentares, por exemplo, e depois fazem algum exame de imagem. Aqui a coisa é diferente. Os pctes foram acompanhados prospectivamente. Se tivesse alguma alteração detectada pelo Apple Watch, eles eram seguidos mais de perto. Bem interessante e aponta para uma tendência na medicina moderna com a popularização dos wearables.

Voltando aos resultados, cerca de 0,5% dos pacientes do estudo tiveram pulso irregular detectado pelo Apple Watch. Destes, 450 usaram o patch de ECG e os pesquisadores tiveram acesso aos dados adequadamente.

E qual foi a acurácia do aparelho nesse contexto quando confrontado com o ECG?

O patch de ECG detectou FA em 34% dos pacientes que o usaram.

89% dos pctes que tiveram FA persistiram ao menos 1h com a arritmia

Valor preditivo positivo de 71%. A conclusão dos autores foi:

A grande questão agora é: o que fazer com esses dados? A grande pergunta que queremos responder não é se o relógio é bom em detectar FA mas sim se esses episódios de FA assintomática se tratados reduziriam risco de eventos embólicos. É a mesma coisa de colesterol. O paciente não está muito interessado em saber se o LDL está em 100, 200 ou 300. O que é importante para ele, em última instância, são os chamados desfechos duros como morte e infarto. Eventos que de fato influenciam a vida dele. Na FA é a mesma coisa. Ele quer saber se uma determinada conduta (ex: anticoagulação) pode reduzir o risco daquela arritmia que não traz sintomas pode reduzir o risco dele de ter um problema sério no futuro. Para isso, já tem estudo desenhado.

 

 

 

 

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Sobre o autor

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Eduardo Lapa

Editor-chefe do site Cardiopapers
Especialista em Cardiologia e Ecocardiografia pela SBC

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