Coronariopatia

Guia de medicamentos cardiovasculares: clopidogrel

O clopidogrel é um anti-agregante plaquetário que age como inibidor do receptor de ADP plaquetário.

Indicação

Prevenção de eventos aterotrombóticos (infarto agudo do miocárdio (IAM), acidente vascular cerebral (AVC) e morte vascular, naqueles que já apresentaram IAM, AVC ou doença arterial periférica, como alternativa ao AAS (estudo CAPRIE – classe de recomendação I – nível de evidência B).

  Em síndrome coronariana aguda (SCA) sem supra-desnivelamento de ST (estudo CURE – IA) e com supra  de ST (estudos CLARITY e COMMIT – IA), associado ao ácido acetilsalicílico (AAS); ou de forma isolada, naqueles com contra-indicação ao AAS.

  Pode ser usado ainda em combinação com AAS 81-100mg/dia para prevenção de AVC em pacientes com FA, quando há contra-indicação para o uso de anticoagulação plena (estudo ACTIVE-A; IIa – NE B).

Mecanismo de ação: derivado tienopiridínico. É um pró-fármaco – precisa de metabolização hepática pelas enzimas do citocromo P450. Seu metabólito ativo age como inibidor irreversível do receptor de adenosina difosfato (ADP) – inibe seletivamente a ligação da ADP ao receptor plaquetário P2Y12, inibindo assim a ativação do complexo glicoproteico GP IIb/IIIa mediado por ADP.

   Início de ação em 2 a 4hs. Duração do efeito: de 3 a 10 dias. Suspender 5 dias antes de procedimentos cirúrgicos.

Apresentação: comprimidos de 75mg.

Dose

Para prevenção de eventos aterotrombóticos, 75mg 1x por dia.

  Em angina instável de risco intermediário ou alto, e em IAM sem supra ST, na dose de 300mg VO de ataque, seguido de 75mg 1x por dia após, associado ao AAS, por 12 meses (IA).

  Em IAM com supra de ST, na dose de 300mg VO de ataque, seguido de 75mg 1x por dia após, associado ao AAS (IA), Em pacientes > 75 anos, não dar dose de ataque.

  Utilização da dose 600mg VO de ataque, seguido de 150mg ao dia por 7 dias e 75mg 1x por dia após, associado ao AAS, em pacientes submetidos á angioplastia com alto risco de eventos isquêmicos e baixo risco de sangramento (indicação IIa-B; estudo CURRENT OASIS 7).

Cuidados: estudos sugerem uma redução da atividade anti-plaquetária do clopidogrel com o uso associado de inibidor de bomba de prótons, em especial com omeprazol e com esomeprazol (ver estudo SPICE).

  Além disso, o clopidogrel precisa passar por metabolização hepática (citocromo P450 2C19) para formar o metabólito ativo. 30 a 40% dos pacientes apresentam metabolização lenta desse citocromo, e assim formam menos o metabólito ativo do clopidogrel, o que leva a um aumento nas taxas de eventos cardiovasculares comparados com aqueles com função normal do CYP2C19.

Contra-indicações: hipersensibilidade à substância ou componentes do produto; sangramento ativo, como úlcera péptica ou hemorragia intra-craniana; intolerância à galactose (há lactose nos excipientes do produto).

Efeitos colaterais: hemorragias; dispepsia, dor abdominal, diarreia; pode causar aumento do tempo de sangramento, leucopenia e plaquetopenia (raro).
Uso na gravidez: classe B. Estudos em animais não mostram evidencias de prejuízo à fertilidade ou toxicidade fetal. Há poucos dados em mulheres. Segurança desconhecida na lactação.

Nomes comerciais: Plavix®, Plaq®, Lopigrel®, Iscover®.

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Sobre o autor

Fernando Figuinha

Fernando Figuinha

Especialista em Cardiologia pelo InCor/ FMUSP
Médico cardiologista do Hospital Miguel Soeiro - Unimed Sorocaba.
Presidente - SOCESP Regional Sorocaba.

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