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Como descobrir a causa da parada cardiorrespiratória pelo traçado eletrocardiográfico?

Pedro Barros
Escrito por Pedro Barros

Obter o retorno da circulação espontânea (RCE) numa parada cardiorrespiratória (PCR) é bastante desafiador, especialmente em ritmos não-chocáveis como assistolia e atividade elétrica sem pulso (AESP).

Identificar a causa da PCR (e corrigi-la) é um ponto considerado chave por duas razões:

  1. Aumenta a chance de RCE (especialmente nos ritmos não-chocáveis)
  2. Pode prevenir nova PCR após RCE.

A identificação da causa da PCR se baseia na busca dos 5 Hs e 5 Ts, a qual é feita geralmente pelo histórico do paciente uma vez que a avaliação clínica é muito limitada tanto durante a PCR como no período imediato após RCE. Uma ferramenta que pode ajudar nesse diagnóstico diferencial é o traçado eletrocardiográfico identificado, o qual poderia dar “pistas” da causa da PCR conforme descrito abaixo:

Hipóxia: Bradicardia

Hipovolemia: Taquicardia com QRS estreito (sinusal)*

H+ (acidose): QRS de baixa amplitude

Hipotermia: Onda J de Osborn

Hipocalemia: QRS largo com onda T plana, onda U proeminente e QT longo

Hipercalemia: QRS largo com onda T apiculada, P pequena e padrão sinusoidal

Tamponamento: Taquicardia com QRS estreito (sinusal)* + alternância elétrica

Tromboembolismo pulmonar: Taquicardia com QRS estreito (sinusal)* + S1Q3T3

Trombose coronária: Alterações isquêmicas de ST e T

Pneumotórax: Taquicardia com QRS estreito (sinusal) ou bradicardia a depender do que predomine em cada caso (redução de pré-carga ou hipóxia, respectivamente).

Toxina: Variável de acordo com intoxicação mas comumente há QT longo

* Casos de AESP que iniciaram como taquicardia (Ex: hipovolemia), podem evoluir com queda da frequência cardíaca e assistolia na persistência da PCR.

Dica adicional: Além de ajudar no diagnóstico diferencial da causa da PCR, o ECG é útil também para definir prognóstico: QRS largo e com baixa frequência tem pior sobrevida que os casos com QRS estreito e frequência cardíaca normal/alta.

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Sobre o autor

Pedro Barros

Pedro Barros

Especialista em Clínica Médica pela UNIFESP/EPM e SBCM
Especialista em Cardiologia pelo InCor-HCFMUSP e SBC
Especialista em Ecocardiografia pelo InCor-HCFMUSP e SBC
Mestre em pesquisa clínica pela Duke University.
Doutor em cardiologia pela Universidade Federal de São Paulo.
Coordenador médico da rede de dor torácica e de prevenção de TEV Hospital Totalcor/Amil – São Paulo.
Médico pesquisador do Instituto Brasileiro de Pesquisa Clínica (BCRI).
Coordenador adjunto do curso de medicina do centro universitário São Camilo.

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