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Como estimar a fração de ejeção do ventrículo esquerdo – método de Teichholz

Já falamos bastante sobre fração de ejeção neste tópico. Para relembrar os conceitos básicos sobre este assunto leiam o post citado. Hoje falaremos sobre o método de Teichholz, o mais utilizado na prática clínica. Este método estima a fração de ejeção do VE através das medidas do diâmetro diastólico final do VE (DDVE) e do diâmetro sistólico final de VE (DSVE). Ok. E como fazemos para realizar estas medidas? Normalmente estas são realizadas no eixo paraesternal longitudinal. O video abaixo mostra um exemplo de exame normal:

Convenciona-se que as medidas do VE sejam realizadas neste eixo, ao nível das pontas das cúspides mitrais quando a valva mitral está aberta. Assim, pode-se medir o DDVE no final da diástole ou quando o VE está com o seu maior volume. Exemplo:

O DDVE neste caso foi de 52 mm.

O DSVE é medido na mesma localização mas no final da sístole ou quando o VE está com o seu menor volume. Exemplo:

Neste caso o DSVE foi de 33 mm. Percebam que a própria máquina já faz o cálculo da fração de ejeção pelo método de Teichholz que no caso é de 65% – FE (Teich) na imagem.

Importante notar que a linha que faz as medidas deve ser idealmente perpendicular às paredes do VE. Caso seja angulada, isto pode aumentar falsamente as dimensões do VE e assim alterar os cálculos da FE. 

Linha perpendicular às paredes do VE:

Linha angulada em relação às paredes do VE – dimensões falsamente aumentadas em relação à figura acima:

Nos exemplos acima, as medidas do VE foram feitas pelo método bidimensional. Contudo, estas medidas também podem ser realizadas pelo método monodimensional (modo M). Exemplo:

Exemplo de cálculo da FE do mesmo pcte pelo modo M:

Opa! Mas como pode ter a FE calculada nas primeiras figuras ter dado 65% e nesta última figura ter dado 63%? Não é o mesmo pcte? Percebam que a única diferença nos dois cálculos foi que o DDVE nas primeiras figuras foi de 52 mm e na última figura foi de 51 mm. Este 1 mm de diferença gerou uma diferença de 2 pontos percentuais na FE (de 65% para 63%). Isto é completamente normal. Na prática clínica é comum que as medidas do eco variem em até 5% ou 10% mesmo entre o mesmo examinador. Por isso o caridologista clínico deve estar familiarizado com o método para não achar uma variação desta monta relevante na condução do caso do pcte.

Mas quais os valores normais da fração ede ejeção? Ver este post.

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Sobre o autor

Eduardo Lapa

Eduardo Lapa

Editor-chefe do site Cardiopapers
Especialista em Cardiologia e Ecocardiografia pela SBC

5 comentários

  • Eduardo, o bidimensional possui muito menos quadros por minuto do que o modo M. Prefiro este aquele. Contudo, ambos são muito falhos. Como você disse, e o fez bem, FE estima-se. Para orientar o clínico, costumo, na conclusão, inserir um comentário que é minha impressão do exame. Exemplo: é frequente nos casos de HVE, haver boa fração de ejeção com função sistólica comprometida, (as vezes bem ruinzinha).

  • Paulo, realmente a resolução temporal do modo M é bem maior. O grande problema é que em adultos frequentemente é difícil de deixar a linha do modo M rigorosamente perpendicular às paredes do VE. Por isso uso com mais frequência as medidas pelo bidimensional. Mas ambos os métodos são validados.

  • Correto. A perpendicularidade é infrequente. Quase sempre superestimamos os diâmetros. Por isso a impressão visual é fundamental.

  • Muito bom, como sempre Eduardo. Apenas vale ressaltar que o ECG precisa estar ligado para as medidas ao bidimensional, usando os tempos do ECG para definir os momentos de medir.

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