Miscelânia Nefrologia

Como estimar a clearance de creatinina no ambulatório?

Luís Sette
Escrito por Luís Sette

Avaliar a taxa de filtração glomerular tem inúmeras aplicabilidades práticas e pode mudar condutas clínicas, como por exemplo:

  • Correção das doses das medicações (estatinas, betabloqueadores e diuréticos, por exemplo).
  • Avaliação do risco de nefropatia por contraste iodado em pacientes que vão para cateterismo cardíaco e do risco de esclerose sistêmica nefrogênica em pacientes que irão ser submetidos à ressonância magnética cardíaca.
  • Avaliar se os achados clínicos devem-se apenas a alteração cardíaca ou podem estar relacionados a doença renal concomitante (habitualmente com Clearence <60mL/min/1.73m2).
  • Estadiamento da doença renal e encaminhamento para especialista (Clearance <30mL/min/1.73m2; perda maior do que 1mL/min/1.73m2 por mês).
  • Avaliar se a presença de calcificações valvares, anemia, hiperuricemia, acidemia e hipertensão podem ter componente renal.

Mas nem sempre fica claro qual o melhor método para avaliar o Clearance em pacientes ambulatoriais. Será necessário o clearance medido? Posso utilizar fórmulas matemáticas? Qual a melhor?

A avaliação do Clearance medido (urina de 24 horas) é o Padrão ouro na PRÁTICA clínica. No entanto, existem erros de coleta e dificuldades em grupos populacionais específicos, tais como: pacientes incontinentes, idosos, crianças, pacientes com distúrbios neurológicos ou psiquiátricos.

Desta forma, fórmulas matemáticas foram desenvolvidas para estimar o clearance de creatinina. Dentre elas, a mais difundida há décadas é a de Cocroft-Gault ( realizado em 1976- com 249 caucasianos internados).

No entanto, dois estudos populacionais revelaram maior acurácia na estimativa da função renal: Modification of Diet in Renal Disease Study (MDRD – 1628 pacientes), cuja principal limitação é de subestimar o clearance quando >60mL/min e o Chronic Kidney Disease Epidemiology Collaboration (CKD-EPI -12.150 pacientes). Este por sua vez foi validada no Brasil e é a recomendada pelo KDIGO (Kidney Disease: Improving Global Outcomes) de doença renal crônica de 2013

Resumindo:

  • Avalie sempre o clearance dos pacientes com fórmulas matemáticas e, se houver diminuição da TFG <60mL/min/1.73m2 e o paciente permitir, realize o clearance medido (coleta de 24h).
  • Prefira utilizar a fórmula do CKD-EPI
  • Não utilize ambulatoriamente o cockroft-Gault

Esta é uma das 10 dicas de nefrologia que todo médico deveria saber. Sabe quais são as outras 9? Então veja este post.

REFERENCIAS

  • Performance of the Cockcroft-Gault, MDRD, and New CKD EPI Formulas inRelation to GFR, Age, and Body Size CJASN June 2010 5): (6) 1003-1009; published ahead ofprint March 18, 2010, doi:10.2215/CJN.06870909
  • Using standardized serum creatinine values in the modification of diet in renal disease study equation for estimating glomerular filtration rate Ann Intern Med. 2006 Aug 15;145(4):247-54.
  • A new equation to estimate glomerular filtration rate Ann Intern Med.2009 May 5;150(9):604-12. Levey AS

 

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Sobre o autor

Luís Sette

Luís Sette

Formado em Medicina pela UPE
Residência em Clínica Médica UNIFESP
Residência em Nefrologia pela USP
Título de Especialista em Nefrologia pela Sociedade Brasileira de Nefrologia
Mestre em Ciências da Saúde pela UFPE
Professor da Disciplina de Nefrologia da UFPE

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