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Como eu uso Furosemida

Escrito por Fernando Figuinha

Esta publicação também está disponível em: Português

Furosemida é um diurético de alça que produz um efeito diurético potente, com início de ação rápido e de curta duração. Ela bloquea o sistema cotransportador Na+K+2Cl- localizado na membrana celular luminal do ramo ascendente da alça de Henle. Inibe a reabsorção de cloreto de sódio, o que leva à uma excreção urinária aumentada, devido ao gradiente osmótico. Além disso, aumenta também a secreção tubular distal de potássio, e a excreção de íons de cálcio e magnésio.

Na insuficiência cardíaca, além do efeito diurético, promove a redução aguda de pré-carga (pela dilatação da capacidade venosa – ação mediada pela prostaglandina – precisa de função renal adequada), além de reduzir a reatividade vascular das catecolaminas.

Tem ação anti-hipertensiva por aumento da excreção de sódio, redução do volume sanguíneo e redução da resposta do músculo liso vascular ao estímulo vasoconstritor.

O efeito diurético se inicia em 15 minutos da administração intravenosa, durando 3 horas após; e em 1 hora após administração por via oral, durando 3 a 6 horas  em indivíduos sadios.

A principal forma de eliminação é por via urinária, pela secreção no túbulo proximal. Em pacientes com insuficiência renal, a eliminação por ser retardada, podendo demorar até 24h para terminar o efeito. Pacientes com insuficiência hepática também tem aumento de meia-vida da droga.

INDICAÇÕES

Edema devido à doenças cardíacas, doenças hepáticas (ascite), doenças renais (síndrome nefrótica).

No cenário da insuficiência cardíaca aguda também, em pacientes com congestão pulmonar importante.

Além disso, pode ser utilizada em crises hipertensivas, associado à outras medicações.

POSOLOGIA

Podemos iniciar na dose de 20 a 40mg EV (1 a 2 ampolas) e avaliar a resposta, aumentando conforme necessário. No cenário do edema agudo de pulmão, podemos iniciar com 2 ampolas EV, repetindo mais 2 ampolas após 20 minutos se necessário. A dose máxima é de 100 a 300mg por dia nas primeiras 24 horas.

Com o uso crônico, como em pacientes com insuficiência cardíaca, podemos ter uma hipertrofia das células do túbulo distal, que passariam a absorver uma quantidade maior de sódio. Por isso, nesses casos, podemos associar hidroclorotiazida para conseguirmos um efeito mais intenso da medicação.

CONTRAINDICAÇÕES

Não devemos usar se: insuficiência renal com anúria, pré-coma ou coma associado à encefalopatia hepática, hipocalemia ou hiponatremia severa, hipovolemia ou desidratação e hipersensibilidade à medicação.

Sempre é importante monitorizar os níveis de creatinina, sódio e potássio desses pacientes.

Na gravidez, é categoria de risco C, não devendo ser utilizada a não ser que seja muito necessária. Durante a amamentação, ela passa no leite materno e inibe a lactação. É aconselhável interromper a amamentação nesses casos.

EFEITOS COLATERAIS

É muito comum encontrarmos distúrbios hidroeletrolíticos nesses pacientes. Podemos ver desidratação e hipovolemia, principalmente em idosos. Podemos ter hiponatremia, hipocloremia, hipocalemia, além de um aumento nos níveis de colesterol e ácido úrico. Pode observar também hemoconcentração.

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Sobre o autor

Fernando Figuinha

Especialista em Cardiologia pelo InCor/ FMUSP
Médico cardiologista do Hospital Miguel Soeiro - Unimed Sorocaba.
Presidente - SOCESP Regional Sorocaba.

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