Bulário Terapia Intensiva Cardiológica

Como eu uso Milrinone

Escrito por Fernando Figuinha

Esta publicação também está disponível em: Português

O milrinone é um inotrópico positivo que pode ser utilizado no tratamento da insuficiência cardíaca descompensada, em pós-operatório de cirurgia cardíaca ou em casos de insuficiência cardíaca avançada como ponte para transplante.

INDICAÇÃO

Inotrópico positivo e vasodilatador.

Mecanismo de ação: inibidor de fosfodiesterase III, com efeito inotrópico positivo e pouco efeito cronotrópico positivo. Vasodilatador direto (diminuição de pré e pós carga).

   Ao inibir a fosfodiesterase III, ele reduz a degradação do AMP cíclico. Maiores níveis de AMPc levam à um aumento da ativação da proteína quinase A, que vai fosforilar vários componentes do cardiomiócito como canais de cálcio e componentes do miofilamento. Assim, há um aumento de fluxo de cálcio para dentro da célula, o que aumenta a contratilidade. Isso permite estimular a função cardíaca de forma independente dos receptores beta-adrenérgicos.

  Início de ação em 5 a 15 minutos, pico plasmático em 2 minutos, duração de 3 a 5 hs. Para efeito hemodinâmico, faixa terapêutica de 100-300 ng/ml. Metabolizado no fígado (12%). Eliminado no rim (83% como droga não–metabolizada).

APRESENTAÇÃO

Frasco-ampola de 1mg/ml (20ml)

Diluição (200mcg/ml):

              Soro Glicosado 5% 80ml        EV em bomba de infusão contínua

        + Milrinone       1 amp  – 20ml

DOSE

   Ataque: 50mcg/kg lentamente durante 10 minutos (opcional).

   Manutenção: 0,375 a 0,75mcg/kg/min. Dose total diária não pode ultrapassar 1,13mg/kg.

Cuidados: pode diluir em Soro Fisiológico 0,9% ou Soro Glicosado 5%. Precipita em contato com a furosemida e com procainamida. Não infundir furosemida na mesma via da milrinone uma vez que pode formar um precipitado. Infusão pode ser realizada por acesso periférico ou acesso central com bomba de infusão. Solução diluída pode ser mantida por 72hs.

   Correção para função renal:

Se ClCr 50ml/min –  0,43 mcg/kg/min.

Se ClCr 40ml/min –  0,38 mcg/kg/min.

Se ClCr 30ml/min –  0,33 mcg/kg/min.

Se ClCr 20ml/min –  0,28 mcg/kg/min.

Se ClCr 10ml/min –  0,23 mcg/kg/min.

Se ClCr 5ml/min   –  0,20 mcg/kg/min.

CONTRAINDICAÇÕES

Hipersensibilidade ao milrinone. Cuidado se: FA (controlar resposta ventricular antes de iniciar a droga), estenose hipertrófica sub-aórtica, distúrbio hidroeletrolíticos, hipotensão, infarto recente, doença valvar aórtica ou pulmonar grave, disfunção renal.

Tivemos o estudo OPTIME-CHF com 949 pacientes, que comparou milrinone por 48-72hs vs placebo, e mostrou uma piora dos desfechos e sobrevida em pacientes isquêmicos, por isso deve ser evitado nesse grupo de pacientes.

  Não associar a inibidores da fosfodiesterase-5, como sildenafil, tadalafil, vardenafil ou inibidores não-específicos da PDF-5 (como dipiridamol ou teofilina).

EFEITOS COLATERAIS

Mais comum (>10%) – arritmias ventriculares. 1-10%: arritmia supraventricular, cefaleia, hipotensão, angina / dor torácica. <1%: alteração de função hepática, anafilaxia, FA, broncoespasmo, hipocalemia, rash cutâneo, trombocitopenia, tremores, reação no local da infusão.

Uso na gravidez: classe C. Usar somente se os benefícios justicarem os potenciais riscos para o feto. Uso na lactação: desconhecido se a droga é excretada no leite materno. Usar com cuidado.

Vejam esse post com dicas práticas sobre inotrópicos!

 

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Sobre o autor

Fernando Figuinha

Especialista em Cardiologia pelo InCor/ FMUSP
Médico cardiologista do Hospital Miguel Soeiro - Unimed Sorocaba.
Presidente - SOCESP Regional Sorocaba.

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