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Você sabe interpretar os resultados da MAPA?

Thiago Midlej
Escrito por Thiago Midlej

A primeira coisa que devemos fazer na interpretação de uma MAPA é verificar a qualidade do exame. E como fazemos isso?

Primeiro, o tempo de exame. Esse deve ser aproximadamente 24 horas e não 18 ou 16 horas. Segundo, o número de medidas. Um exame bem feito deve ter pelo menos 16 durante a vigília e 8 durante o sono.  É importante ser relatado também, se houve algum artefato ou erro de medida.

Nessa parte deve ser descrito ainda se o houve sintomas e se esses foram relacionados a alterações nas medidas de PA.

O exame deve conter todos os valores medidos em uma tabela que nos permite ver a variação temporal da pressão arterial e o cotidiano do paciente, assim como relacionar valores de pressão arterial e sintomas em determinado horário.

Uma outra folha deve conter as análises estatísticas com as médias de pressão no período total, de vigília e sono, assim como valores máximos e mínimos desses períodos e os respectivos horários que ocorreram.

A carga pressórica é o percentual de medidas acima dos valores considerados aceitáveis de cada período. Por exemplo, se a carga pressórica na vigília da PAS é de 35%, significa dizer que 35 % das medidas, na vigília estão acima dos valores considerado com aceitáveis, e no caso da nova diretriz, esse valor é 134 mmHg. Importante ressaltar que o valor normal para as cargas pressóricas é de 50%, ou seja, aceita-se até 50% das medidas acima dos valores limítrofes.

O descenso noturno também deve ser descrito no exame. Trata-se do valor percentual de queda da PA durante o sono. Considera-se normal entre 10% e 20%.

Alguns modelos de laudos contêm ainda um gráfico com as medidas de PA  em uma coluna e em outra,  a FC, ambos em relação a  linha de tempo. Nesse gráfico, pode-se comparar as medidas da PAS e PAD em relação aos valores considerados normais.

É importante lembrar também que os pacientes recebem um diário onde deve ser preenchido as atividades realizadas durante o exame assim como os sintomas apresentados.

A conclusão, segundo as diretrizes, deve constar apenas comportamento normal ou anormal da PA nas 24 horas, fazendo com que a interpretação diagnóstica seja correlacionada com dados clínicos pelo médico assistente. No caso de pacientes que estão sob tratamento anti-hipertensivo, deverá ser informado se o(s) medicamento(s) em uso exerce ou não adequado controle da PA nas 24 horas.

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Sobre o autor

Thiago Midlej

Thiago Midlej

Especialista em Cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia​ e pelo Instituto do Coração da Faculdade de Medicina de São Paulo - I​NCOR​​.
Pós graduando da Unidade de Hipertensão do​​ I​NCOR​
Médico plantonista da Unidade Clínica de Emergência do INCOR
​​Cardiologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz

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