Insuficiência Cardíaca

Como o prontuário eletrônico pode ajudar no tratamento de pacientes com IC?

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O tratamento atual recomendado pelas diretrizes para a insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFEr) compreende quatro classes de medicamentos comprovadamente capazes de reduzir hospitalizações e mortalidade:

  • os β-bloqueadores (BB),
  • os inibidores do sistema renina-angiotensina-aldosterona (RAAS) [inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA), bloqueadores dos receptores da angiotensina (BRA) ou inibidores do receptor de neprilisina/angiotensina (IRNA)],
  • antagonistas do receptor de mineralocorticóide (ARM) e
  • os inibidores do cotransportador-2 de sódio-glicose (SGLT2i).

Apesar de evidências convincentes apoiando seu uso clínico, os dados do mundo real mostram uma adoção subótima persistente desses tratamentos, demonstrando uma necessidade de identificar e superar as possíveis barreiras a sua implementação. Este fator motivou o estudo PROMPT-HF (PRagmatic Trial Of Messaging to Providers about outpatient Treatment of Heart Failure), um trabalho que avaliou se a presença de um alerta no prontuário eletrônico dos pacientes, caso ele não estive com a terapia para ICFEr otimizada, aumentaria a prescrição dessas drogas pelos médicos.

Um total de 100 médicos que tratam pacientes com ICFEr foram aleatoriamente randomizamos para terem acesso ao alerta ou seguir os cuidados habituais (sem alerta no prontuário). Esse grupo de médicos cuidava de um total de 1310 pacientes e destes 84% dos pacientes recebiam BB, 71% IECA/BRA/IRNA, 29% ARM e 11% SGLT2i. Esta última classe de medicamentos era a mais subutilizada das quatro classes recomendadas e com o maior potencial para aumento da prescrição.

O desfecho primário, que foi o aumento da prescrição das medicações recomendadas por diretrizes após 30 dias da randomização, foi atingido em 25,7% no grupo com o alerta e em 18,7% no grupo sem alerta (p 0,03). Algum dos desfechos secundários foram analisar o aumento da prescrição de cada uma das drogas de maneira isolada e também se houve diferença entre os grupos em relação a idas ao departamento de emergência, hospitalização e morte. Apenas a adição de BB ao tratamento de base apresentou significância isoladamente, assim como o aumento da dose dessa medicação e não houve diferença entre os grupos em relação aos desfechos clínicos.

Apesar das limitações do estudo, como o fato de ser unicêntrico e o curto seguimento, o desfecho primeiro sugere que esta ferramenta de baixo custo pode ser útil para ser incorporada ao prontuário eletrônico, pois poderia auxiliar na maior prescrição dessas medicações principalmente em serviços que não estão habituados ao uso corriqueiro das mesmas.

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Maria Tereza Sampaio de Sousa Lira

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