Terapia Intensiva Cardiológica

Curso básico de ecocardiografia – swan-ganz virtual parte 1

O swan-ganz revolucionou a terapia intensiva no início da década de 70. O equipamento dava oportunidade ao intensivista de saber inúmeros parâmetros do paciente em tempo real. De todos os parâmetros medidos diretamente pelo aparelho, destacavam-se o débito cardíaco, as pressões em artéria pulmonar e a pressão capilar pulmonar. A resistência vascular periférica não era calculada diretamente pelo aparelho mas era obtida através de fórmulas, daí ser um dos dados menos confiáveis. COmo já sabemos, após alguns anos começaram a surgir inúmeros trabalhos mostrando que o swan-ganz não alterava desfechos no pcte crítico. Já externei minha opinião sobre o assunto neste tópico. O fato é que após estes trabalhos a empolgação com o swan ganz diminui e começou-se a procurar alternativas menos invasivas ao catéter de artéria pulmonar para monitorizar os pctes críticos.

O grande substituto do swan-ganz é, sem dúvida, o ecocardiograma. O exame é não invasivo, traz até mais informações que o catéter de artéria pulmonar, pode ser feito à beira-leito, repetido inpumeras vezes ao longo do dia e com um treinamento básico qualquer intensivista pode extrair do método informações simples e diretas. O eco realizado pelo intensivista obviamente não será tão completo quanto o realizado por um ecocardiografista mas pode ajudar na condução do pcte crítico de forma ímpar.

Bem, voltando aos parâmetros do swan ganz. Como já disse as medidas diretas mais importantes do aparelho são as pressões em artéria pulmonar, a pressão capilar pulmonar e o débito cardíaco. Já vimos em outro tópico como calcular a pressão sistólica de artéria pulmonar pelo eco. Basicamente temos que saber então como calcular a PAOP e o débito cardíaco pelo eco para substituirmos as principais funções do swan ganz. Pois bem, hoje veremos a primeira parte – como calcular a pressão capilar pulmonar.

O trabalho mais clássico que validou isto pelo eco foi publicado em 1997 no Jacc – Nagueh SF, Middleton KJ, Kopelen HA, Zoghbi WA, Quinones MA. Doppler tissue imaging: a noninvasive technique for evaluation of left ventricular relaxation and estimation of filling pressures.  JAm Coll Cardiol. 1997, 30:1527-1533. Nestes estudo os autores chegaram a uma fórmula que calculava a PAOP através de dois parâmetros básicos do eco – a onda E e a onda E' do anel lateral mitral. SIm, as mesmas E e E' que se usa para saber a função diastólica.

Apenas isto. Segundo os autores: " The E/Ea ratio related well to PCWP (r = 0.87; PCWP = 1.24 [E/Ea] + 1.9), with a difference between Doppler and catheter measurements of 0.1 +/- 3.8 mm Hg."

Ou seja:

PAOP = 1,24 x (E/E' lateral) + 1,9

Isto serve para pctes críticos mas também para pctes ambulatoriais. Às vezes pegamos pctes com icc e dpoc por exemplo e não sabemos o que está causando a dispnéia do sujeito. Aumentar o diurético ou intensificar o corticóide inalatório? Nem sempre é fácil diferenciar isto pelo exame físico. Mesmo o BNP pode estar falseado neste caso se o pcte tiver um componente de cor pulmonale pelo DPOC. Uma PAOP baixa indica que provavelmente a bronca é o dpoc exacerbado enquanto que uma PAOP alta indicaria aumento do diurético e outras medidas para icc.

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Sobre o autor

Eduardo Lapa

Eduardo Lapa

Editor-chefe do site Cardiopapers
Especialista em Cardiologia e Ecocardiografia pela SBC

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