Métodos complementares Prevenção

Curso Básico de Tomografia Cardíaca – Contraste: o que você precisa saber?

Alexandre Volney
Escrito por Alexandre Volney

Esta publicação também está disponível em: Português

Para realização de estudos angiotomográficos é necessária a utilização de um meio de contraste que permite melhor definição das estruturas vasculares. O contraste utilizado na TC é diferente do utilizado em ressonância magnética (gadolíneo) e apresenta algumas desvantagens.

Nos estudos coronarianos (exceto o escore de cálcio) são utilizados usualmente cerca de 80-120ml de contraste dependendo do tomógrafo. Tomógrafos com aquisições mais rápidas, seja por possuírem maior número de detectores ou por técnicas dualsource, podem exigir menor quantidade de contraste.

Os contrastes de tomografia são todos iodados e podem ser divididos entre aqueles de alta e baixa osmolalidade em relação ao sangue e também quanto ao fato de serem iônicos ou não iônicos. Contrastes com alta osmolalidade tem maior propensão a causarem reações adversas e não são utilizados de rotina nos exames de tomografia coronária. Da mesma forma, os contrastes não-iônicos também causam menores efeitos adversos, sendo o custo o principal fator limitante ao uso indiscriminado dos mesmos.

Quando falamos em uso de contraste iodado três itens são de grande relevância para o clínico:

  1. Reações alérgicas

Embora incomuns e na grande maioria dos casos leves, as reações ao contraste iodado são imprevisíveis. Os pacientes com maior risco para efeitos adversos pelos contrastes iodados são principalmente aqueles com histórico de efeitos adversos prévios (urticária, broncoespasmo, edemas, etc) e  asma. Além disso, também devem ser considerados de maior risco pacientes com insuficiência renal prévia, insuficiência cardíaca, doenças hematológicas, diabetes, desidratação, uso de AINE, extremos de idade. Reações leves, usualmente auto-limitadas, ao contraste ocorrem em 10% dos pacientes que utilizam contrastes iônicos e 3% dos que utilizam contrastes não iônicos. Reações graves são mais raras e ocorrem em 1 a cada 100 a 1000 pacientes. Reações tardias podem ocorrer em 0,5 a 2,0% dos pacientes depois de 3 horas a 2 dias após o exame, desaparecendo usualmente com uma semana. Embora controversa, a utilização de corticoides e anti-histamínicos para prevenção de reações alérgicas pode ser recomendada nos pacientes com antecedentes de reação adversa. Um esquema sugerido pelo Colégio Brasileiro de Radiologia é a administração de 50mg de prednisona (13, 7 e 1 hora antes do exame) associado a fexofenadina (anti-histamínico bloqueador H1)180mg na hora do exame, para pacientes de risco moderado ou elevado1.

  1. Nefrotoxicidade

A nefrotoxicidade dos contrastes iodados é conhecida e é caracterizada quando ocorre uma elevação dos níveis de creatinina em 25% dos valores de base até 3 dias após o exame (pico do efeito nefrotóxico), na ausência de outra etiologia provável. Geralmente também é auto-limitada e a função renal se normaliza em até 10 dias. Sua prevenção deve ser realizada com boa hidratação prévia (tanto oral quanto endovenosa em casos selecionados). Uso de acetilcisteína, embora ainda muito utilizado, não apresenta evidência robusta de benefício, como já demonstrado nesse post.

  1. Metformina X Contraste iodado

A metformina é eliminada pelos rins, podendo em casos de disfunção renal, se acumular nos tecidos precipitando acidose lática. Recomenda-se dosagem de creatinina em todos os pacientes que serão submetidos a exames com contraste iodado. Assim, em pacientes com função renal normal deve-se interromper o uso no dia do exame e só reiniciá-la 48 horas após . Caso a função renal seja previamente alterada, sugere-se a medicação com pelo menos 48 horas antes do exame e reiniciá-la após 48horas.

1.Medidas Profiláticas. In: Colégio Brasileiro de Radiologia. Assistência à vida em radiologia: guia teórico e prático. São Paulo, 2000.

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Sobre o autor

Alexandre Volney

Alexandre Volney

Residência em Clínica Médica pelo Hospital do Clínicas da Faculdade de Medicina de São Paulo (HC-FMUSP, 2007)
Residência em Cardiologia pelo Instituto do Coração (InCor-HCFMUSP, 2009),
Especialização em Tomografia e Ressonância Cardiovascular (InCor-FMUSP, 2009-2011)
Especialista em Ecocardiografia (SBC)

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