ECG Questões

Desafio de ECG – qual a taquiarritmia mostrada?

Escrito por Gabriela Rassi

Esta publicação também está disponível em: Português

Você está de plantão na sala de emergência e recebe uma paciente do sexo feminino, 64 anos, com queixa de palpitações iniciadas há uma hora.

Os sinais vitais na entrada são: FC 170 bpm, PA 130×80, Sat O2 95%.

O que mostra o eletro?

Resposta:

Resposta: Batemos o olho e logo vemos que se trata de uma taquicardia de QRS estreito e com R-R regular.

Não há onda P visível, porém nota-se um entalhe na porção final de V1 (pseudo R) e de DII (pseudo S), que corresponde à onda P retrógrada.

Trata-se, portanto, de uma TPSV com RP curto (nesse caso específico, RP < 70 ms), cuja causa mais provável é a taquicardia por reentrada nodal (TRN).

A TRN é a taquicardia supraventricular mais comum e ocorre mais frequentemente em mulheres de meia idade.

A taquicardia ocorre por um mecanismo de reentrada no nó atrioventricular (NAV). O circuito envolve duas vias – uma via rápida (período refratário longo) e uma via lenta (período refratário curto).

A arritmia se inicia quando um extraestímulo chega ao NAV e encontra a via rápida no período refratário e, assim, desce aos ventrículos pela via lenta. Ao chegar na porção inferior do NAV, o estímulo pode encontrar a via rápida fora do seu período refratário e retornar aos átrios, completando assim o circuito de reentrada.

Pacientes normalmente relatam sintomas de palpitações e vertigem de início e término súbitos. As crises podem ocorrer espontaneamente ou após uso de estimulantes, como cafeína ou álcool.

Cerca de metade dos pacientes relatam sentir uma sensação de pulsação no pescoço durante a taquicardia (“frog”), causada pela contração simultânea de átrios e ventrículos (o átrio se contrai contra a válvula tricúspide fechada).

Como a manutenção da TRN depende da condução pelo nó AV, manobras ou drogas que retardam a condução e prolongam a sua refratariedade podem ser usadas para encerrar a taquicardia.

Se houver estabilidade hemodinâmica, pode-se realizar inicialmente a  manobra vagal – massagem do seio carotídeo (atenção para pacientes idosos e com alto risco para doença aterosclerótica) ou manobras de valsalva – e/ou adenosina IV (dose inicial de 6 mg e posteriormente 12 mg em bolus).

Se inefetivos, pode-se fazer uso de betabloqueador ou diltiazem / verapamil IV e em último caso Amiodarona IV.

Lembrando que se em algum momento houver instabilidade hemodinâmica, deve-se prontamente realizar a cardioversão elétrica sincronizada.

No caso apresentado, houve reversão para o ritmo sinusal após administração de Adenosina 6 mg.

Note que aqueles entalhes apontados em V1 e DII já não aparecem mais:

E o que fazer com essa paciente após a reversão para o ritmo sinusal?

O tratamento farmacológico a longo prazo, eficaz em 30% a 60% dos casos, inclui o uso de betabloqueadores e bloqueadores de canal de cálcio. Caso sejam ineficientes, pode-se usar anti-arrítmicos classe IC (propafenona) ou antiarrítmicos classe III (sotalol).

Devido à sua alta eficácia (>95%) e baixa incidência de complicações, a ablação por cateter tornou-se a terapia preferencial em relação à terapia farmacológica e pode ser oferecida como opção terapêutica inicial.

Fonte: 

– Clinical arrhythmology and electrophysiology: a companion to Braunwald’s heart disease / Ziad F. Issa, John M. Miller, Douglas P. Zipes.— 2nd ed.

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Gabriela Rassi

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