Coronariopatia

Devemos investigar presença de H. pylori em pacientes que farão uso crônico de aspirina?

Eduardo Lapa
Escrito por Eduardo Lapa

Vimos em outro post que pacientes coronarianos agudos que sangram têm maior mortalidade. Isto também ocorre em pacientes com coronariopatia crônica. Desta forma, devemos tomar todos os cuidados possíveis para evitar sangramento em pacientes coronarianos. O local mais comum de sangramento é o trato gastrointestinal (TGI). A aspirina eleva em cerca de 3x o risco de sangramento no TGI. Este risco aumenta ainda mais em pacientes que possuem infecção por H. pylori.

Desta forma, faz sentido pesquisar H. pylori nestes pacientes e tratar, caso presente? Sim. Isto é especificamente importante em pacientes com histórico de doença ulcerosa péptica. O guideline de 2008 da AHA sobre diminuição de toxicidade gastrointestinal com o uso de aas sugere que pacientes com este antecedente devem ser investigados para H. pylori e, caso o exame seja positivo, tratados.

Mas como investigar estes pacientes? Caso haja alguma outra indicação para endoscopia digestiva alta (ex: sintomas dispépticos em pacientes com >50 anos) pode-se fazer a pesquisa por biópsias gástricas/duodenais. Mas se o paciente não apresentar indicação para EDA, a investigação pode ser feita de forma não invasiva. Há 3 formas:

  • sorologia
  • teste respiratório com ureia marcada
  • pesquisa de antígeno nas fezes

Basicamente, o primeiro exame vê a presença de anticorpos no sangue, sem diferenciar infecção ativa da passada. Os outros dois testes detectam apenas infecção ativa, sendo preferidos.

O uptodate sugere que o médico deve considerar a realização de pesquisa para H pylori em pctes que farão uso crônico de AAS mesmo que não apresentem histórico de úlcera péptica. O custo x benefício desta conduta não foi avaliado ainda de forma adequada.

Resumindo:

  • sempre que for iniciar uso crônico de AAS para um paciente, questione-o sobre antecedentes de doença ulcerosa péptica. Caso o histórico seja positivo, investigue se há ou não infecção ativa pela bactéria no momento. Caso presente, tratar de forma adequada para reduzir o risco posterior de sangramento gastrointestinal.

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Sobre o autor

Eduardo Lapa

Eduardo Lapa

Editor-chefe do site Cardiopapers
Especialista em Cardiologia e Ecocardiografia pela SBC

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