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Dieta vegetariana = saúde, certo? Errado!!!

Eduardo Lapa
Escrito por Eduardo Lapa

Estudos que avaliaram o papel de dietas vegetarianas em diminuir o risco cardiovascular nem sempre apresentam resultados homogêneos. Um problema destes trabalhos é que a própria definição de dieta vegetariana varia entre eles. Alguns consideram que a exclusão de carne vermelha, por exemplo, já faria com que a pessoa fosse considerada vegetariana enquanto outros consideram que há a necessidade de se excluir todas as proteínas de origem animal (o que costumamos chamar de vegano). Além disso, muitos estudos consideram todas os alimentos de origem vegetal como sendo uma mesma categoria. Fica fácil de entender que batata frita e azeite de oliva extra virgem são de origem animal mas obviamente possuem efeitos distintos no sistema cardiovascular.

Para tentar contornar estes problemas logísticos, um grande trabalho publicado no JACC tentou dividir as comidas de origem vegetal em 2 grandes grupos: um considerado saudável composto de frutas, legumes, cereais integrais (ex: arroz integral, milho, cereal matinal integral, aveia integral, etc) e azeite de oliva extra-virgem,  e outro de alimentos considerados menos saudáveis como sucos de frutas, cereais não integrais (ex: arroz branco, pão convencional não integral, bebidas artificialmente adoçadas (ex: refrigerantes, doces e sobremesas (ex: chocolate, etc). Além disso, avaliava também o consumo de alimentos de origem animal como leite, carne, ovos, etc.

Trata-se de estudo observacional que avaliou mais de 200.000 pacientes. Os mesmos eram submetidos a questionários a cada 2 anos os quais perguntavam, entre outros dados, sobre hábitos alimentares. Através destas respostas os pesquisadores criaram um índice de alimentação saudável. Resumindo, o consumo de alimentos saudáveis causou uma tendência à redução de doença arterial coronária (DAC). O consumo de alimentos de origem vegetais considerados não saudáveis aumentou em 25% o risco de DAC.

Opiniões pessoais:

  • Trata-se de estudo observacional e portanto a evidência produzida obviamente não é tão robusta quanto a de um ensaio clínico randomizado.
  • Os dados eram coletados a partir de questionário o que sempre pode causar vieses de aferição.
  • De toda forma, é um estudo bastante relevante por enaltecer os diferentes espectros dos alimentos de origem vegetal. Uma pessoa que come pão francês normal com presunto acompanhado de um suco de frutas adoçado artificialmente no café-da-manhã, uma lasanha de vegetais no almoço acompanhado de refrigerante e uma pizza com refrigerante no jantar pode ser considerada vegetariana. Isto está longe de ser uma dieta saudável. Cada vez mais os médicos têm que dominar conceitos básicos de nutrição para saberem orientar adequadamente os seus pacientes e até para a sua própria saúde. Não podemos apenas dizer ao paciente: esta parte de alimentação você discute com seu nutricionista. O estudo acima mostra bem a relevância deste conhecimento.

Referência: Satija A. Healthful and Unhealthful Plant-Based Diets and the Risk of Coronary Heart Disease in U.S. Adults. J Am Coll Cardiol 2017.

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Sobre o autor

Eduardo Lapa

Eduardo Lapa

Editor-chefe do site Cardiopapers
Especialista em Cardiologia e Ecocardiografia pela SBC

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