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Dissecção de Aorta tipo B: Quando intervir?

Eduardo Sansolo
Escrito por Eduardo Sansolo

A dissecção de aorta (DA) é definida como uma laceração na camada íntima e lâmina elástica interna na parede da Aorta ocasionando sua separação em dois canais.

A classificação mais utilizada é a de Stanford, a qual se diferencia em tipo A (com envolvimento da Aorta ascendente) e tipo B (sem envolvimento da Aorta ascendente). Esta classificação é importante, uma vez que divide, com clareza, as dissecções que têm que ser tratadas cirurgicamente (tipo A) e as que são de tratamento eminentemente não operatório (tipo B). A Dissecção de Aorta possui uma prevalência 3 casos/100 mil habitantes, sendo destes 2/3 homens e 2/3 do tipo Stanford A.

Uma vez que a Dissecção do tipo A possui mortalidade de 1-2% por hora no início do quadro, atingindo 30% nas primeiras 48h, seu tratamento é eminentemente cirúrgico e nosso enfoque será sobre a Dissecção do tipo B (DATB).

Segundo o critério temporal, a DATB se divide em aguda (até 14 dias de duração dos sintomas), subaguda (2 a 6 semanas) e crônica (mais de 6 semanas).

O tratamento dos pacientes com DATB começa sempre pelo manejo clínico através da tríade: controle da dor (com derivados opióides), controle da pressão arterial sistêmica e do impulso cardíaco (dp/dt). A intervenção fica reservada para os casos complicados e/ou sintomáticos apesar do tratamento clínico já iniciado, quais sejam:

– sinais de ruptura: hemotórax, alargamento de mediastino, choque;

– Aorta com diâmetro maior que 5 cm;

– sinais de isquemia em órgão-álvo: rim, intestino, membro, medula etc;

– progressão da dissecção (anterógrada ou retrógrada);

– dor intratável;

– hipertensão de difícil controle.

A DTAB não complicada submetida ao tratamento clínico, possui mortalidade em 30 dias de 10%, semelhante à mortalidade se submetida à intervenção. Já os casos sintomáticos/complicados possuem uma mortalidade em 30 dias de 50% só com o tratamento clínico, o que faz necessária a correção cirúrgica. Dos pacientes não complicados tratados clinicamente 40-60% vão necessitar de cirurgia ao longo de 5 anos devido à progressão da dilatação da falsa luz da aorta, mas este é um tema para outro post.

Referências bibiliográficas:

  1. Nienaber CA, Kische S, Ince H, Fattori R. TEVAR in complicated type B aortic dissection. J Vasc Surg. 2011;340:1529–1533.
  2. Svensson LG, Kouchoukos NT, Miller DC, Bavaria JE, Coselli JS, Curi MA, Eggebrecht H, Elefteriades JA, Erbel R, Gleason TG, Lytle BW, Mitchell RS, Nienaber CA, Roselli EE, Sa HJ, Shemin RJ, Sicard GA, Sundt TM III, Szeto WY, Wheatley GH III; Society of Thoracic Surgeons Endovascular Surgery Task Force. Expert consensus document on the treatment of descending thoracic aortic disease using endovascular stent- grafts. Ann Thorac Surg. 2008;85(1 suppl):S1–41.
  3. Fattori R, Tsai TT, Myrmel T, Evangelista A, Cooper JV, Trimarchi S, Li J, Lovato L, Kische S, Eagle KA, Isselbacher EM, Nienaber CA. Complicated acute type B dissection: is surgery still the best option?: a report from the International Registry of Acute Aortic Dissection. JACC Cardiovasc Interv. 2008;1:395–402.
  4. Estrera AL, Miller CC, Goodrick J, Porat EE, Achouh PE, Dhareshwar J, Maeda R, Azizzadeh A, Sa HJ. Update in outcomes of acute type B aortic dissection. Ann Thorac Surg. 2007; 83:842–845.

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