ECG

ECG na Pericardite Aguda

 

A pericardite aguda é a patologia mais comum do pericárdio que apesar de ser eletricamente inativo, a pericardite pode cursar com alterações no ECG  pela inflamação do epicárdio ( sem caracterizar miopericardite).

Na investigação da dor torácica secundária a pericardite, o ECG é a principal ferramenta diagnóstica e suas alterações serão aqui discutidas.

As alterações características ocorrem nas seguintes fases:

 

Estágios

Alterações no ECG

  • Estágio I ( primeiras horas a dias)

 Elevações difusas do Segmento ST ( tipicamente concavidade para cima); Ondas T concordantes com desnivelamento do Seg ST; Depressão de ST em V1 ou aVR; Infra desnivelamento do segmento PR ( principalmente em V5 e V6 associado a elevação do segmento PR em aVR; ausência de desnivelamento de seg St recíprocos (imagem em espelho)

  • Estágio II ( dias a várias semanas)

Normalização do segmento ST e PR; achatamento da  onda T

  • Estágio III ( final da sgunda / terceira semana)

Inversão difusas de Onda T, geralmente após o segmento ST ter normalizado

  • Estágio IV ( pode durar até 3 meses)

Normalização do ECG ou persistência de Onda T negativa.

 

 DICAS: 

  • Geralmente o paciente está taquicárdico nos portadores de Pericardite Aguda.
  • Desnivelamento Segmento PR: Deve ser avaliado do final da onda P e início do QRS e reflete o acometimento atrial. Geralmente o Desvio é oposto ao desnivelamento do segmento ST;

  • Desnivelamento do Segmento ST: Geralmente é caracterizado Supra desnivelamento difuso do segmento ST enquanto no IAM o desnivelamento respeita paredes e existe imagem em espelho. Raramente o supra desnivelamento na Pericardite aguda é > 5 mm e a concavidade geralmente é para cima.

Lembrar de IAM quando está associado a onda Q ou aumento do intervalo QT .

  • Inversão de Onda T: Lembrar que na pericardite aguda,  geralmente ocorre  inversão de onda T quando o segmento ST normalizou. Na presença de Onda T invertida na vigência de Desnivelamento do segmento ST concomitante, conderar a possibilidade de IAM.
     
  • Diagnóstico diferencial com Repolarização precoce:  

Na pericardite aguda o supra desnivelamento ocorre tanto em derivações periféricas como precordiais enquanto na repolarização precoce geralmente limita-se as precordiais, principalmente V3-V6.  Outra característica fortemente associada a pericardite é o infra de PR.

A relação Elevação do ST  / amplitude de onda R > 0,25 em V6 sugere pericardite aguda,

 

Diagnóstico Diferencial associado a Pericardite Aguda

ECG

Pericardite Aguda

IAM

Repolarização Precoce

Morfologia do Sg ST

Concavidade para Cima

Convexo para cima

Concavidade para cima

Ondas Q

Ausentes

Presentes

Ausentes

Alterações do Seg St em espelho

Ausentes

Presentes

Ausentes

Localização do desnivelamento seg ST

Derivações periféricas e precordiais

Parede envolvida com IAM

Derivações Precordiais

Relação ST/T

>0,25

Não se aplica

<0,25

Infra -desnivelamento do Segmento PR

Presente

Ausente

Ausente

 

 

 

 

 

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Sobre o autor

Andre Lima

Andre Lima

Editor do site --
Especialista em Cardiologia pela SBC e InCor/ USP --
Especialista em Ecocardiografia pela SBC e InCor/USP --
Especialista em Terapia Intensiva pela AMIB --

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