Métodos complementares

Ecocardiograma transesofágico intra-operatório: para todos ou para poucos ?

Escrito por Giordano Bruno

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O uso de ecocardiograma transesofágico no intraoperatório de cirurgias valvulares já é atualmente consenso na prática não só nos procedimentos mais delicados como plastias, como também nas demais situações para avaliação imediata do resultado do procedimento. Mas, e em relação aos pacientes que serão submetidos à revascularização miocárdica cirúrgica? Mesmo havendo alguma vantagem de estender a monitorização pela equipe anestésica durante os tempos cirúrgicos, nenhum grande estudo até então mostrou diferença em relação ao procedimentos cardíaco em si com a utilização rotineira de ecocardiograma transesofágico.

Recente Coorte retrospectiva com mais de 1 milhão de pacientes submetidos à CRM isolada demonstrou que o uso de ecocardiograma transesofágico no intra-operatório está associado à redução de maneira significativa tanto a mortalidade quanto outras complicações como tempo de ventilação mecânica, insuficiência renal, readmissões e morbidade de maneira geral (inclusive quando feita a análise multivariada).

A morbimortalidade foi reduzida de 12,5% para 11,6% com o uso de ecocardiograma transesofágico havendo neste grupo uma maior chance de realização de cirurgia valvar não-planejada, o que poderia explicar a superioridade do ecocardiograma transesofágico, inclusive com baixo escore de propensão se considerarmos os paciente que tinham valvopatia significativa previamente.

Como limitações temos o fato de ser estudo observacional (a escolha de usar ETE já poderia indicar algum viés ou variável de confusão não avaliada) além do fato que muitos pacientes que foram para CRM isolada terem alguma valvopatia que precisasse de melhor definição por exame complementar na fase pré-operatória, inclusive do próprio ETE de maneira mais eletiva.

Em um centro que já tem a rotina de usar ETE em cirurgias valvulares, fica a sugestão a partir desse estudo de considerá-la em casos de CRM principalmente em já portadores de valvopatia, lembrando que alguns casos de insuficiência mitral funcional isquêmica podem regredir quando é feita revascularização sem precisar de reparo cirúrgico na valva.

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Sobre o autor

Giordano Bruno

Médico Cardiologista e Ecocardiografista formado pela UFPE
Supervisor da residência em cardiologia do Hospital Agamenon Magalhães - SES/PE
Coordenador dos protocolos da cardiologia do Realcor / Real Hospital Português/PE

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