Arritmia

ESC 2011: Estudo ARISTOTLE

Resultados preliminares do estudo ARISTOTLE já foram apresentados no cardiopapers.

Essa semana, o resultado final desse estudo foi apresentado do congresso europeu de cardiologia e publicado no NEJM.

Foram comparados 18201 pacientes com fibrilação atrial e pelo menos 1 fator de risco para AVC, para o uso de varfarina, com objetivo de INR entre 2,0 e 3,0 e apixaban, 5mg 2x por dia.

O desfecho primário (AVC isquêmico ou hemorrágico, ou embolia sistêmica) ocorreu em 1,6% dos pacientes com varfarina, contra 1,27% dos pacientes com apixaban – HR 0,79, com p significativo para não inferioridade e para superioridade. Pacientes que usaram apixaban apresentaram uma redução de risco de sangramentos maiores de 31% comparado com aqueles que utilizaram varfarina, além de uma redução de risco de 11% para mortalidade por qualquer causa (com p 0,047).

Quando avaliado AVC, o grupo que usou apixaban apresentou uma redução de risco de 49% em AVCh, mas sem redução de risco em AVCi.

Comparado com seus "rivais" dabigatran (estudo RE-LY) e rivaroxaban (estudo ROCKET-AF), o apixaban foi o único que reduziu desfecho em AVC, sangramento e mortalidade. Apesar disso, o dabigatran reduziu a incidência de AVCi, e o apixaban não mostrou esse benefício nesse estudo.

O dabigatran é o único dos novos anticoagulantes que está liberado para uso em pacientes com FA para prevenção de eventos isquêmicos. Apesar desses resultados animadores com o uso de novos anticoagulantes orais, a varfarina se manterá soberana na prevenção de AVC em pacientes com FA por um bom tempo…mesmo após aprovação dessas medicações, o preço será um fator limitante importante para o uso dessas drogas em larga escala. O Pradaxa (dabigatran), por exemplo, custa cerca de 200 reais por mês aqui no Brasil.

 

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Sobre o autor

Fernando Figuinha

Fernando Figuinha

Especialista em Cardiologia pelo InCor/ FMUSP
Médico cardiologista do Hospital Miguel Soeiro - Unimed Sorocaba.
Presidente - SOCESP Regional Sorocaba.

2 comentários

  • Lapa, você tinha comentado quanto à necessidade de trocar a varfarina por apixaban (quando esse tiver disponível e se o paciente tiver condições financeiras para tal…), já que houve benefício em mortalidade com o uso dessa droga…
    Eu acho que não seria má prática médica manter a varfarina nessas condições, se o paciente estiver com controle de INR adequado…devemos lembrar que nesses 3 estudos citados (ARISTOTLE, ROCKET-AF, RELY) somente cerca de 60% dos pacientes tinham valores de INR em níveis terapêuticos.

  • Figas, é realmente interessante este aspecto. Seria similar ao ticagrelor x clopidogrel – agora que o ticagrelor está disponível e considerando que a diminuição de mortalidade no PLATO foi real – não seria má prática deixar de usar a medicação no lugar do clopidogrel se o serviço dispuser da mesma?
    É uma questão mais de bioética do que técnica na verdade…

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