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Estudo ASPIRANT: uso de espironolactona para hipertensão refratária

O estudo ASPIRANT é um estudo multicentrico, randomizado, duplo-cego, realizado para avaliar o efeito da adição de espironolactona 25mg em pacientes com hipertensão arterial resistente.

Foram incluídos 117 pacientes com PA no consultório acima de 140mmHg de sistólica ou 90mmHg de diastólica apesar de tratamento com pelo menos 3 drogas anti-hipertensivas, incluindo um diurético.

O desfecho primário foi queda da PA média diurna (medida no MAPA) em 8 semanas de tratamento. A diferença entra aqueles que receberam espironolactona comparado com placebo foi de 5,4mmHg na PA sistólica (p 0,024) e 1,0mmHg na PA diastólica (p 0,358). A queda foi significativa também na média da PA sistólica noturna, na PAS de 24hs e na PAS medida no consultório (queda de 8,6, 9,8 e 6,5mmHg; p 0,011; 0,004 e 0,011).

Não houve diferença de eventos adversos entre os grupos.

Os autores concluem que a espironolactona é uma droga efetiva em reduzir a PA sistólica em pacientes com hipertensão resistente. Resultados semelhantes já foram demonstrados para o uso dessa droga nesse perfil de pacientes, independente de resultados séricos de aldosterona e relação aldosterona/atividade de renina sérica (o que nos faria pensar em hiperaldosteronismo primário).

A espironolactona fica então como uma boa opção para ser adicionada como quarta ou quinta droga para pacientes com hipertensão arterial resistente.

 

Referência

1. Václavík J et al. Addition of spironolactone in patients with resistant arterial hypertension (ASPIRANT): a randomized, double-blind, placebo-controlled trial. Hypertension. 2011 Jun;57(6):1069-75. Epub 2011 May 2.

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Sobre o autor

Fernando Figuinha

Fernando Figuinha

Especialista em Cardiologia pelo InCor/ FMUSP
Médico cardiologista do Hospital Miguel Soeiro - Unimed Sorocaba.
Presidente - SOCESP Regional Sorocaba.

1 comentário

  • Só temos que lembrar do risco de hipercalemia causado por espironolactona, principalmente quando associado a IECA ou BRA, especialmente em pacientes com insuficiência renal, idosso, diabéticos. Após o estudo RALES e a encorporação da espironolactona ao esquema terapêutico da insuficiência cardíaca foi documentada uma maior incidência de hipercalemia. Muitas vezes encontramos pacientes com hipercalemia, à s vezes com bradiarritmias (ritmo sinoventricular, BAV), relacionado ao uso da espironolactona. Seria importante avaliar se ocorreu maior incidência de hipercalemia neste estudo no grupo que usou espiro e se faziam acompanhamento do potássio sérico (como no RALES).
    No mais, parabéns pelo Blog, sempre focando aspectos e temas importantes da Cardiologia.

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