Prevenção

Estudo NAVIGATOR – o papel do BRA para pacientes com intolerância à glicose

O estudo NAVIGATOR foi um estudo realizado para avaliar se drogas que bloqueiam o sistema renina-angiotensina aldosterona (no caso, bloqueador do receptor de angiotensina – BRA) poderiam reduzir o risco de eventos cardiovasculares ou o risco do novo diagnóstico de diabetes em pacientes com intolerância à glicose.

Publicado no New England J Med, foi um estudo prospectivo, duplo-cego, randomizado, avaliando 9.306 pacientes com intolerância à glicose (glicemia após 2h de 75g glicose oral entre 140 e 200mg/dL) e doença cardiovascular estabelecida ou com fatores de risco cardiovasculares.

Os pacientes foram randomizados para receber Valsartan (até 160mg/dia) ou placebo, ambos associados à mudança de estilo de vida.

Foram seguidos por 5 anos para avaliar o diagnóstico de DM – incidência de 33.1% no grupo Valsartan X 36,8% no grupo placebo (HR 0,86, p<0,001).

Em relação a eventos cardiovasculares (composto de morte por causa CV, IAM não fatal, AVC não fatal, angina instável, hospitalização por IC, revascularização arterial), não houve diferença entre os grupos.

Os autores concluem, então, que o uso de Valsartan levou a uma redução relativa de 14% na incidência de DM em 5 anos. O mecanismo envolvido nessa redução de risco ainda não é bem conhecido. Estudo lançado esse ano no Diabetes Care mostrou que o uso de Valsartan pode aumentar a liberação de insulina estimulada por glicose e a sensibilidade da insulina.

Apesar do grupo placebo ter mais pacientes com síndrome metabólica e maior uso de betabloqueadores e diuréticos, o que poderia influenciar no resultado, após ajuste de ambos na análise dos dados, os benefícios do Valsartan se mantém. Assim, os BRAs (como o Valsartan) e IECAs continuam sendo as drogas de preferência para utilização em pacientes hipertensos com doença ou risco cardiovascular pré-existentes.

Referência: The NAVIGATOR Study Group. Effect of Valsartan on the Incidence of Diabetes and Cardiovascular Events. N Engl J Med 2010;362:1477-90.

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Sobre o autor

Fernando Figuinha

Fernando Figuinha

Especialista em Cardiologia pelo InCor/ FMUSP
Médico cardiologista do Hospital Miguel Soeiro - Unimed Sorocaba.
Presidente - SOCESP Regional Sorocaba.

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