Arritmia ECG

Extrassístoles Ventriculares frequentes podem induzir disfunção ventricular?

Pedro Veronese
Escrito por Pedro Veronese

Taquicardiomiopatia é a perda da função do ventrículo esquerdo (VE) devido à permanência, por semanas a meses, de frequência cardíaca ventricular elevada. É uma causa reversível de disfunção ventricular esquerda, desde que a frequência cardíaca do paciente seja controlada. As principais causas são as arritmias atriais como: fibrilação atrial, flutter atrial ou taquicardia atrial de alta resposta ventricular. Uma outra causa de taquicardiomiopatia, mas dessa vez não por frequência cardíaca elevada, mas sim por dissincronismo ventricular, é a presença de extrassístoles ventriculares (EV) monomórficas frequentes. Em 2005, Takemoto e col. descreveram 40 pacientes que após serem submetidos à ablação por radiofrequência de EV monomórficas de via de saída do ventrículo direito (VSVD) apresentaram melhora significativa da fração de ejeção com remodelamento reverso do VE. Desta forma, começamos a conhecer uma nova forma de taquicardiomiopatia, não pela frequência cardíaca elevada, mas pela presença de EV que dissincronizam os ventrículos. Nesse clássico trabalho os pacientes com maior chance de evoluírem com disfunção de VE foram aqueles com mais de 20% de EV-VSVD em um holter de 24h.

Em 2010, Baman e col. demonstraram em um estudo retrospectivo que uma densidade de EV 24% em um holter de 24h foi, de forma independente, um fator de risco para taquicardiomiopatia. A maioria dos pacientes estudados tinham como origem das EV a VSVD.

Concluímos que:

1.       Diferentemente das taquicardias atriais que causam disfunção ventricular esquerda por manutenção de altas frequências ventriculares, as EV causam taquicardiomiopatia por dissincronismo ventricular.

2.       A perda de função do VE e o aumento dos diâmetros do VE tendem a se normalizar com o controle das EV.

3.       A ressonância magnética cardíaca não costuma demonstrar realce tardio nesses pacientes mesmo em corações com disfunções importantes.

4.       Densidades de EV > 20 a 24% no holter de 24h tendem a aumentar o risco de taquicardiomiopatia.

5.       EV-VSVD são as mais frequentes, mas EV com outras origens também podem causar disfunção do VE.

6.       O tratamento de escolha para esses pacientes é a ablação por radiofrequência com alta chance de cura.

Referências:

1.       Takemoto M, Yoshimura H, Ohba Y, et al. Radiofrequency catheter ablation of premature ventricular complexes from right ventricular outflow tract improves left ventricular dilation and clinical status in patients without structural heart disease. J Am Coll Cardiol 2005;45:1259– 1265.

2.       Timir S. Baman, MD et all. Relationship between burden of premature ventricular complexes and left ventricular function. Heart Rhythm 2010; 7: 865-869.

 

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Sobre o autor

Pedro Veronese

Pedro Veronese

Médico Especialista em Çlínica Médica pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.
Médico Especialista em Cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia - SBC.
Médico Especialista em Arritmia Clínica e Eletrofisiologia pela Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas - SOBRAC.
Médico do Centro de Arritmias Cardíacas do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.
Médico Doutorando em Cardiologia pelo InCor - FMUSP.
Preceptor da Residência de Clínica Médica do Hospital Estadual de Sapopemba.
Médico Chefe de Plantão do Pronto Socorro Central da Santa Casa de São Paulo.

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