Coronariopatia

Fibrinólise x Angioplastia – Ainda Existem Dúvidas no Tratamento do Infarto Agudo do Miocárdio?

Alexandre Soeiro
Escrito por Alexandre Soeiro

A escolha da melhor estratégia (angioplastia primária versus fibrinólise) no tratamento do infarto agudo do miocárdio com supradesnível de ST (IAMCSST) depende de diversas variáveis. Entre elas estão o tempo de dor do paciente, o tempo até a realização da intervenção coronária percutânea, características clínicas e disponibilidades das estratégias no serviço em questão. É consenso de que pacientes com dor torácica há menos de 2 – 3 horas tenham um benefício semelhante entre as duas estratégias em termos de reperfusão.

No entanto, trabalho publicado recentemente chamado Codi-IAM fez um levantamento de todos os pacientes com IAMCSST com menos de 120 minutos de dor até o contato médico inicial, em 2009 na região da Cataluña na Espanha. Os centros envolvidos não possuíam hemodinâmica. Foi realizada a comparação das duas estratégias de tratamento com foco na mortalidade em 30 dias (desfecho primário). A amostra final foi composta por 2.470 pacientes. Seguindo o protocolo de atendimento, fibrinólise foi fornecida a 243 pacientes (9,8% – grupo fibrinólise) e 2.227 pacientes foram transferidos para um centro de PCI (90,2% – o grupo de transferência para ICP). O tempo médio para ICP foi de 119 minutos.

Sangramento clinicamente significativo, necessitando de transfusão ou hemorragia intracraniana e necessidade de intubação e ventilação mecânica foram mais freqüentes no grupo fibrinólise (P= 0,03 e 0,015, respectivamente. A mortalidade apresentou tendência a ser menor no grupo ICP x Fibrinólise (5,1% x 7,7%, p = 0,09). No entanto, quando avaliados pacientes transferidos em até 99 minutos até ICP, a mortalidade foi de 2,0% (p < 0,01) e entre 99 e 140 minutos foi de 4,6% (p = 0,03), significativamente menor no grupo ICP. Realização de fibrinólise foi um fator de risco independente de mortalidade e, 30 dias (OR = 1,91; p = 0,04), junto de idade e classificação Killip. Os autores concluem que se a transferência até ICP levar menos de 140 minutos, o paciente deve preferencialmente ser transferido devido ao melhor prognóstico.

Os autores concluem que se a transferência até ICP levar menos de 140 minutos, o paciente deve preferencialmente ser transferido devido ao melhor prognóstico. No entanto, trata-se de estudo retrospectivo e com N limitado, principalmente no grupo de fibrinólise. Além disso, contempla apenas uma região de um único país com um sistema de saúde peculiar. Os resultados encontrados vão contra as orientações de diretrizes e dos principais estudos que avaliaram o assunto.

Referência: Carillo X, et al. European Heart Journal (2016) 37, 1034–1040.

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Sobre o autor

Alexandre Soeiro

Alexandre Soeiro

Alexandre de Matos Soeiro

Médico Assistente e Supervisor da Unidade Clínica de Emergência - InCor (HCFMUSP).
Coordenador do Curso Nacional em Emergências Cardiológicas •
Coordenador da Liga de Emergências Cardiovasculares do InCor - HCFMUSP. •
Professor Convidado de Graduação do Terceiro, Quarto e Sexto Anos da FMUSP.
Médico Preceptor em Cardiologia - InCor - HCFMUSP - 2011.
Especialista em Cardiologia pela SBC.
Residência Médica em Cardiologia -InCor - HCFMUSP.
Especialista em Clínica Médica pela SBCM.
Residência em Clínica Médica - HCFMUSP.
Graduação em Medicina pela FMUSP.

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