Hipertensão arterial sistêmica

Hipertensão relacionada à obesidade: como manejar?

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No mês de setembro, a American Heart Associationa (AHA) publicou um Scientific Statement trazendo esclarecimentos sobre a interrelação entre obesidade e hipertensão e as particularidades envolvidas no tratamento do indivíduo portador das duas condições. A hipertensão é um fator diretamente envolvido no surgimento e progressão de doença cardiovascular, sendo determinante direto de morbidade e mortalidade. A obesidade se apresenta envolvida por diversos mecanismos, incluindo ativação neuro-hormonal, inflamação e disfunção renal. Dessa forma o documento busca focar nas estratégias para a perda de peso e atualizar as opções de tratamento que estão disponíveis para tratar a hipertensão da obesidade.

A perda de 5% a 10% do peso corporal pode levar a uma redução de mais de 5 mmHg na pressão arterial sistólica e de 4 mmHg na pressão arterial diastólica, observa a declaração. Como intervenção dietética, as diretrizes recomendam a Dieta do Mediterrâneo ou a dieta DASH (Dietary Approach to Stop Hypertension), que enfatizam frutas, vegetais, legumes, nozes e sementes, com ingestão moderada de peixes, frutos do mar, aves e laticínios e baixo consumo de carnes vermelhas e processadas e doces. A dieta mediterrânea também inclui azeite e consumo moderado de vinho (principalmente tinto).  Além da dieta, 150 a 250 minutos de atividade física por semana podem produzir perda de peso de 3 a 7,5 kg, sendo recomendados 200-300 minutos de atividade física por semana para manter esta perda de peso.

Em relação à farmacoterapia, são citados quatro agentes aprovados pelo FDA para perda de peso a longo prazo: as combinações fentermina / topiramato e naltrexona / bupropiona além do Orlistat e liraglutida 3,0 mg (esses dois últimos disponíveis no Brasil). Em 4 de junho, o FDA aprovou um quinto medicamento, Semaglutida na dose semanal de 2,4mg (no Brasil, temos a apresentação de até 1mg, para tratamento de diabetes). Os efeitos de longo prazo dos medicamentos anti-obesidade sobre a pressão arterial são mistos, com reduções na PAS de 1 a 6mmHg e na PAD de 1 a 3 mmHg, sempre proporcionais a redução do peso corporal. A exceção foram os dados da combinação Naltrexona/Bupropiona onde houve elevação de 2 e 1 mmHg na PAS e PAD respectivamente.

A cirurgia metabólica também é colocada como opção de perda de peso para alguns pacientes e está associada à redução da pressão arterial. No estudo GATEWAY publicado em 2018 avaliando obesos hipertensos submetidos a bypass gástrico, 84% dos pacientes atingiram o resultado primário de redução ≥ 30% no número de medicamentos anti-hipertensivos, mantendo uma pressão arterial no consultório <140/90 mmHg, em 12 meses. No follow up de 10 anos do SOS, indivíduos submetidos a tratamento cirúrgico mantiveram redução aproximada de 5 mmHg, tanto na PAS quanto na PAD.

Concluindo, os autores destacam os riscos da obesidade infantil. Estima-se que 18,5% das crianças e adolescentes norte-americanos com idades entre 2 e 19 anos apresentam obesidade. Crianças com obesidade têm um risco duas vezes maior de hipertensão, risco que dobra nos casos de obesidade grave. “À medida que a prevalência da obesidade continua a aumentar, a hipertensão e as doenças cardiorrenais associadas também aumentarão, a menos que estratégias mais eficazes para prevenir e tratar a obesidade sejam desenvolvidas.” Educação dos profissionais de saúde acerca do reconhecimento dos riscos associados a obesidade e proatividade na implementação de medidas adequadas para o tratamento são fundamentais nesse cenário. Pronto para fazer sua parte?

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José Luciano de França Albuquerque

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