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Idosos com Amiloidose Cardíaca e Estenose aórtica, como proceder?

Cristiano Guedes
Escrito por Cristiano Guedes

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O aumento da expectativa de vida traz o foco cada vez mais para doenças prevalentes nos idosos (amiloidose cardíaca – AC e estenose aórtica – EA, p.ex.), que por vezes precisam ser abordadas conjuntamente na tomada de decisão quanto ao tratamento.

Quase 5% dos pacientes > 75 anos tem EA moderada a importante e quando sintomática, está indicado troca valvar transcateter (TAVI) ou cirúrgica, visando melhora de sintomas e diminuição do risco de morte. As numerosas evidências em favor da TAVI aumentou o acesso da população idosa a um tratamento que os beneficia em termos de qualidade de vida e mortalidade.

A prevalência de AC em pacientes idosos também é comum (cerca de 25% em homens >85 anos), sendo a forma mais comum a por transtiretina selvagem ou senil. Quer saber mais sobre amiloidose cardíaca? Basta clicar aqui e aqui. Portanto, a associação de ambas as doenças suscita dúvidas sobre o caminho a ser seguido: se manter tratamento clínico conservador ou tratar a EA.

Recentemente, foi publicado manuscrito no European Heart Journal que constatou que a amiloidose cardíaca é vista em mais de 1 em cada 8 idosos com EA grave, considerados para TAVI. 200 pacientes com EA grave foram incluídos no estudo, desses 26 (13%) foram diagnosticados com AC (Perugini grau 0 = negativo e Perugini graus 1-3 = positivo, pela cintilografia). A maioria dos pacientes (75%) foram submetidos a TAVI e acompanhados por uma mediana de 19 meses. O grupo de pacientes com ambas patologias (EA + AC) era mais idoso (88 vs 85 anos), com pior qualidade de vida, maior espessamento ventricular (14 vs 13mm), mais baixa voltagem no ECG e maior valor de pro-BNP (3702 vs 1254ng/L), de forma estatisticamente significativa (p<0,05).

  • Embora houvesse diferenças nas características basais entre o grupo com EA isolada e o grupo com EA + AC, não houve diferenças nas complicações periprocedimento ou na mortalidade durante o seguimento. Os pacientes com EA + AC tratados por TAVI apresentaram melhor sobrevida em comparação com aqueles que permaneceram em tratamento clínico conservador.

Portanto, em pacientes idosos com EA avaliados para TAVI, a presença de AC não deve contraindicar ou sugerir futilidade do procedimento, uma vez que esses pacientes podem experimentar um benefício de sobrevivência, conforme sugerido nesse estudo.

Referência bibliográfica:

1 – Scully PR, Patel KP, Treibel TA, Thornton GD, et al. Prevalence and outcome of dual aortic stenosis and cardiac amyloid pathology in patients referred for transcatheter aortic valve implantation. Eur Heart J. 2020.

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Sobre o autor

Cristiano Guedes

Cristiano Guedes

Dr Cristiano Guedes

• Doutorado em Cardiologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP)
• Residência médica em Cardiologia pelo Instituto do Coração da FMUSP (InCor-FMUSP)
• Especialista em Hemodinâmica e Cardiologia intervencionista pelo InCor-FMUSP.
• Sócio Titular da Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista
• Cardiologista intervencionista dos Hospitais CárdioPulmonar e São Rafael – Salvador.
• Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/9663860620578411

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