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Imagens clássicas em cardiologia – aorta em porcelana

Paciente chega ao pronto-socorro com dor torácica e ecg com infra difuso de ST. Radiografia de tórax mostra aorta bastante calcificada (setas amarelas):

aorta1A paciente foi posteriormente encaminhada para cateterismo cardíaco que confirmou a importante calcificação de aorta ascendente além de lesão ostial de tronco de coronária esquerda e em outras artérias:

Solicitado tomografia de tórax sem contraste que confirmou a presença de calcificação circunferencial da aorta ascendente, arco aórtico (setas amarelas) e porção proximal da aorta descendente (setas verdes).

aorta2aorta3

Revisão de aorta em porcelana:

– Denomina-se aorta em porcelana quando há extensa calcificação da aorta ascendente e/ou do arco aórtico. Não obrigatoriamente a calcificação precisa ser circunferencial. Não há um critério completamente objetivo para se definir a entidade. A maioria das fontes usa o termo quando a calcificação é extensa o suficiente para tornar o clampeamento ou a canulação da aorta ascendente não seguros ao paciente exigindo assim a modificaçnao da técnica cirúrgica.

– Mais frequente em pacientes com doença arterial coronária e em pacientes com estenose aórtica degenerativa.

– Dica: Qual a principal relevância prática desta entidade na prática cardiológica? Como há aumento na incidência de aorta em porcelana em pacientes com estenose aórtica e DAC multiarterial, isto pode interferir diretamente no risco de complicações no  perioperatório das cirurgias cardíacas normalmente utilizadas para tratar a EAo/DAC. Isto porque ao se clampear a aorta durante a cirurgia cardíaca é muito alto o risco de haver embolização de fragmentos de cálcio da aorta para o SNC causando assim acidente vascular cerebral isquêmico.

– Para escapar deste risco de embolização, uma possiblidade é recorrer a procedimentos hemodinâmicos como o implante percutâneo de valva aórtica. Em alguns estudos que avaliaram este técnica a quantidade de pacientes com aorta em porcelana chegou a 1/3 do total randomizado.

– Doenças que aumentam a incidência de aorta em porcelana: doença renal crônica, radioterapia de tórax prévia, doenças inflamatórias sistêmicas (lúpus, artrite reumatoide, Takayassu).

– No caso de necessidade de cirurgia de revascularização miocárdica em paciente com aorta em porcelana, a modificação técnica mais usada é a “no touch” aorta, ou seja, coloca-se os enxertos sem ter que usar CEC ou clampear a aorta. Normalmente utiliza-se as duas mamárias internas podendo também usar enxertos de safena ou de artéria radial partindo da própria mamária ao invés de saindo da aorta.

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Sobre o autor

Eduardo Lapa

Eduardo Lapa

Editor-chefe do site Cardiopapers
Especialista em Cardiologia e Ecocardiografia pela SBC

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