Coronariopatia

Infarto com supra com > 12h de sintomas: vale a pena mandar para o cate?

Uma situação razoavelmente frequente na prática clínica é a do paciente que chega à emergência com infarto com supra de ST com mais de 12 horas do início dos sintomas. Sabe-se que o grande benefício da terapia de reperfusão miocárdica se dá nas primerias horas do início do quadro. Geralmente, após 12 horas do início do quadro, já não há mais músculo cardíaco para salvar. Por isto, as diretrizes de uma recomendam o uso de trombolíticos ou de angioplastia primária em pctes com supra de ST há menos de 12 horas. Há situações, contudo, em que há miocárdio viável mesmo após 12 horas do início do quadro. Como isto pode ocorrer? Um dos mecanismos é a recanalização parcial da artéria ocluída pelo sistema fibrinolítico endógeno do paciente. Este sistema então consegue recanalizar pelo menos uma parte da artéria que volta a ter um fluxo mínimo para manter parte do músculo vivo. E como saber, clinicamente, que isto está ocorrendo? A grande dica é a presença de dor torácica persistente. Costuma-se dizer que enquanto há dor, há músculo viável. 

Resumindo: paciente com infarto com supra de ST com > 12 horas de sintomas mas que persiste com dor torácica – mandar para o cate de imediato.

Exemplo prático: pcte chegou à emergência com quadro de dor torácica há cerca de 14 horas. Dor presente na admissão. Ecg revelou:

O ecg mostra supra de ST em toda a parede anterior além de inversão de onda T em parede lateral. Nota-se ausência de onda R de V1 a V5 o que, em termos eletrocardiográficos, sugere a presença de área eletricamente inativa no local. Contudo, já que o pcte ainda estava com dor torácica presente, foi encaminhado para o cate que mostrou:

Observa-se lesão suboclusiva em terço médio da artéria descendente anterior. Realizada angioplastia da lesão com sucesso:

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Sobre o autor

Eduardo Lapa

Eduardo Lapa

Editor-chefe do site Cardiopapers
Especialista em Cardiologia e Ecocardiografia pela SBC

4 comentários

  • Parabéns pelo caso, Eduardo. Embora saibamos que uma suboclusão em fase aguda de IAM com pouco mais de 12h de evolução seja quase uma certeza da existência de músculo viável, principalmente em uma região suprida pela DA, seria interessante um acompanhamento ecocardiográfico para evidenciarmos quanto de músculo foi efetivamente poupado, visto que o ECG já mostra padrão de QS em parede anterior.

  • Dr Brivaldo, excelente podermos contar com a participação do senhor aqui no site. Certamente faremos o acompanhamento com ecocardiogramas seriados deste paciente.

  • Boa tarde, caso interessante. Gostaria de saber se em hospitais sem o recuso do cate, poderia ser utilizado trombólise após 12 horas no paciente com dor refratária?

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