Coronariopatia Emergências

Infarto do miocárdio em jovens: o que todo médico precisa saber?

Escrito por Alexandre Soeiro

Esta publicação também está disponível em: Português

Nos últimos anos tem-se observado um aumento progressivo de casos de infarto agudo do miocárdio (IAM) em pacientes considerados jovens. Isso gera dúvidas sobre sua apresentação, diagnóstico e manejo clínico. Na literatura, a própria definição é questionável. São considerados jovens pacientes os que possuem menos de 45-55 anos na maioria dos estudos. No entanto, recentemente o corte passou a ser definido como 49 anos.

DICA: em se tratando de infarto agudo do miocárdio, considera-se atualmente que os casos que ocorrem dos 49 anos para baixo são considerados precoces (IAM em jovens).

Baseado nisso, revisão recente publicada no Journal of American College of Cardiology apresentou dados interessantes sobre o assunto. Seguem alguns achados específicos dessa população:

  • Cerca de 80-90% são ateroscleróticos, 10-20% com coronariografia normal (MINOCA) e 5% relacionados à dissecção coronariana espontânea;
  • Os fatores de risco mais comuns são tabagismo, história familiar para doença coronariana precoce e dislipidemia.
  • Tabagismo é o fator de risco mais prevalente, estando presente em 70 a 95% dos casos;
  • Uso de drogas como cocaína e maconha também são relacionados em até 11% dos casos;
  • A apresentação clínica não apresenta diferença relevante em relação aos pacientes mais idosos;
  • Quanto ao tipo de IAM, a incidência de IAM com supradesnível de ST é maior. Aproximadamente 55-75% dos pacientes são IAM com supradesnível de ST;
  • Em relação à anatomia coronariana, o acometimento tende a ser menos extenso. Lesões uniarteriais estão presentes em 38-58% dos pacientes. Lesão de tronco de coronária esquerda ocorre em apenas 5% dos casos;
  • Em mulheres, é mais comum encontrarmos IAM com coronariografia normal e cerca de até 35% dos casos de IAM são dissecção coronariana espontânea, principalmente em períodos de gestação/puerpério.

Referência: J Am Coll Cardiol 2022;79:2431–2449.

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Sobre o autor

Alexandre Soeiro

Alexandre de Matos Soeiro

Médico Assistente e Supervisor da Unidade Clínica de Emergência - InCor (HCFMUSP).
Coordenador do Curso Nacional em Emergências Cardiológicas •
Coordenador da Liga de Emergências Cardiovasculares do InCor - HCFMUSP. •
Professor Convidado de Graduação do Terceiro, Quarto e Sexto Anos da FMUSP.
Médico Preceptor em Cardiologia - InCor - HCFMUSP - 2011.
Especialista em Cardiologia pela SBC.
Residência Médica em Cardiologia -InCor - HCFMUSP.
Especialista em Clínica Médica pela SBCM.
Residência em Clínica Médica - HCFMUSP.
Graduação em Medicina pela FMUSP.

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