Miscelânia

MOOD-HF: escitalopram para pacientes com IC e depressão

O estudo MOOD-HF (Mortality, Morbidity and Mood in Depressed Heart Faliure Patients) foi apresentado recentemente no congresso do American College of Cardiology (ACC). Foi um estudo randomizado, avaliando a eficácia e segurança do uso de um anti-depressivo inibidor seletivo da receptação da serotonina (ISRS), o escitalopram, em pacientes com insuficiência cardíaca (IC) crônica.

Foram avaliados 372 pacientes com idade média de 62 anos, com IC (FE < 45%) estável e depressão (escore mínimo de 12 no PHQ-9, confirmado posteriormente por um psiquiatria usando o SCID – Structured Clinical Interview).

Após 2 semanas do SCID, foram randomizados para uso de escitalopram até uma dose de 20mg (dose média 13,7mg em 12 semanas) ou placebo. Seguimento médio de cerca de 18 meses.

Critérios de exclusão foram: uso prévio de ISRS ou outro antidepressivo, história de depressão grave ou tentativa de suicídio.

O desfecho primário foi um composto de hospitalização não programada por qualquer causa. E os desfechos secundários, uma redução no escore MADRS (Montgomery-Asberg Depression Rating Scale), os componentes individuais do desfecho primário, morte cardiovascular, hospitalizações relacionadas à IC e questões de segurança.

Não houve diferença nos resultados de desfecho primário.

Os pacientes que receberam o ISRS apresentaram melhora significativa dos sintomas depressivos após 12 semanas de tratamento, mas essa redução foi similiar no grupo placebo (escore de depressão MADRS caiu de 20,3 para 11,1 no grupo ISRS e de 21,4 para 12,6 no grupo placebo, p < 0,001 em ambos os grupos).

Em relação aos eventos adversos, também não houve diferença entre os grupos.

Essa falta de diferença demonstrada nesse estudo pode ter várias razões. Há, por exemplo, diversos tipos de depressão, que não foram consideradas nesse estudo. Há também diferença entre as apresentações de acordo com o sexo (nesse estudo, cerca de 75% dos pacientes eram homens).

O estudo concluiu que o uso de escitalopram não reduz desfechos clínicos nem melhora a depressão, quando comparado ao placebo, em pacientes com IC crônica. Apesar disso, depressão e sintomas melhoraram nos 2 braços do estudo.

Muitas questões sobre o assunto ficam ainda em aberto.

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Sobre o autor

Fernando Figuinha

Fernando Figuinha

Especialista em Cardiologia pelo InCor/ FMUSP
Médico cardiologista do Hospital Miguel Soeiro - Unimed Sorocaba.
Presidente - SOCESP Regional Sorocaba.

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