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Curso básico de eco – o que é TAPSE????

Iremos iniciar uma sessão de noções básicas de ecocardiografia para o cardiologista clínico. Isto porque grande parte dos cardiologistas, por falta de conhecimento, ao lerem o laudo de um ecocardiograma se atentam apenas às conclusões e às medidas básicas (dimensão do VE, FE, etc). Contudo, isto não é o correto. Por tratar-se de um exame extremamente corriqueiro na prática clínica e que dita a conduta em boa parte dos casos (cirurgia se valvopatia importante, tratamento completo para ICC se FE baixa, etc) o cardiologista clínico obrigatoriamente deve ter noções pelo menos mínimas para avaliar se o exame foi bem feito ou não. Exemplo: paciente em fase aguda de IAM anterior com hipocinesia moderada de toda esta parede (mas sem acometer a parede septal, por exemplo) com FE calculado pelo método de Teichholz normal. Na vigência de alterações da contratilidade segmentar a FE deve ser calculada pelo método de Simpson e não pelo Teichholz. Este paciente poderia então receber atenolol ao invés de carvedilol, por exemplo, o que traria conseqüências deletérias. O ecocardiografista está errado de não ter feito o método recomendado mas o cardiologista clínico também estará errado caso não perceba isto. É com este objetivo que iremos colocar estas dicas básicas – de forma que o cardiologista possa entender praticamente todas as informações citadas no laudo do eco e avaliar se estas estão condizentes com a situação clínica do pcte (muitas vezes um exame físico bem feito acompanhado de ECG e radiografia de tórax são bem mais confiáveis que um eco não tão bem feito).

O ventrículo direito muitas vezes é chamado pelos ecocardiografistas de ventrículo esquecido. Isto se deve ao fato de haver muito mais estudos sobre a avaliação da função do ventrículo esquerdo do que de do VD. Grande parte desta paucidade de dados sobre a função sistólica do VD se deve ao fato do seu formato em forma de crescente, o que dificulta a reconstrução da sua morfologia por um método bidimensional (o eco 2D convencional). Contudo, há formas sim de se estimar a função do VD pelo eco 2D e isto tem implicações prognósticas e terapêuticas.

Uma das formas mais simples de se fazer isto é o TAPSE (tricuspid annular plane systolic excursion). Baseia-se no fato de que quando a função contrátil do VD é normal há um deslocamento razoável do anel tricúspide em direção ao ápice do VD durante a sístole. E como medir isto pelo eco? Bem simples. Basta colocar o cursor do modo M em cima do anel lateral da tricúspide e ver o "morro" que vai ser formado durante a sístole. Se este for maior do que 15 mm – a função do VD é normal. Na figura acima, por exemplo, foi de 24,7 mm. Se igual ou menor a 15 mm – função de VD alterada. O ponto de corte para se considerar a função alterada varia bastante de acordo com a literatura (15, 18, 20 mm). O valor de 15 mm ou menos é sugerido pelo consenso da sociedade americana de ecocardiografia.

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Sobre o autor

Eduardo Lapa

Eduardo Lapa

Editor-chefe do site Cardiopapers
Especialista em Cardiologia e Ecocardiografia pela SBC

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