Lípides

Novo guideline americano de dislipidemias: quem deve ser tratado? Que dose de estatina usar?

Continuaremos a discussão sobre o novo guideline americano de dislipidemias. No post anterior já comentamos os 4 grupos que se beneficiam do tratamento com estatinas. Hoje resumiremos as doses de estatinas recomendadas para cada grupo.

Basicamente a diretriz divide as doses de estatina em 3 grupos:

1- Baixa intensidade – costumam reduzir o LDL em menos de 30%

Exemplos: sinvastatina 10 mg, pravastatina 10-20 mg

2- Moderada intensidade – reduzem, em média, o LDL entre 30% e 50%

Exemplos: atorvastatina 10-20 mg, rosuvastatina 5-10 mg, sinvastatina 20-40 mg, pravastatina 40-80 mg

3- Alta intensidade – costumam reduzir o LDL em mais de 50%

Exemplos: rosuvastatina 20-40 mg e atorvastatina 40-80 mg

Os estudos que mostraram benefício com o uso de estatinas, segundo a diretriz, usaram doses de moderada ou alta intensidade. 

O guideline então sugere um fluxograma para resumir as principais informações apresentadas – quem deve ser tratado e com qual dose de estatina. Fizemos uma adaptação para tornar o fluxograma mais sintético:

– Obviamente o fluxograma deve servir como um guia, sem substituir o bom senso clínico. Há pctes que pelo fluxograma deveriam receber dose alta de estatina mas que apresentam algum tipo de intolerância (ex: dor muscular) e vão terminar ficando com dose baixa ou moderada, por exemplo.

– Sempre checar se o pcte não apresenta contraindicações ao uso de estatina antes de iniciar o uso da medicação (revisaremos este assunto em post futuro).

– Mais uma vez sugerimos a todos que leiam o texto do guideline na íntegra uma vez que nele há explicações detalhadas sobre as recomendações sugeridas. Exemplo: no primeiro grupo do fluxograma (pctes com doença aterosclerótica manifesta) recomenda-se usar dose moderada ao invés de alta de estatina nos pctes > 75 anos uma vez que, segundo a diretriz, este subgrupo não apresentou benefícios com as doses mais elevadas da medicação. 

– O uso de estatina não precisa ficar restrito aos 4 grupos citados. O que o guideline diz é que estes são os pctes que mais claramente se beneficiam da medicação de acordo com os trials. Na parte final do fluxograma fica a sugestão de avaliar os outros casos individualmente. A depender dos fatores de risco que o pcte apresente (história familiar de DCV precoce, por exemplo), resultados de exames complementares (ex: escore cålcio > 300, PCR > 2, etc), níveis de LDL > 160 entre outros fatores, pode-se considerar a introdução de terapia com estatinas de maneira individualizada.

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Sobre o autor

Eduardo Lapa

Eduardo Lapa

Editor-chefe do site Cardiopapers
Especialista em Cardiologia e Ecocardiografia pela SBC

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