Miscelânia

Os anti-inflamatórios não hormonais interagem com o AAS?

Os anti-inflamatórios não hormonais (AINH) são medicamentos muito utilizados no controle da dor. Atuam na ciclo-oxigenase (COX), mesmo sítio de ação do ácido acetil-salicílico (AAS), utilizado como anti-agregante plaquetário para prevenção primária ou secundária de eventos cardiovasculares.

Sendo assim, será que o uso de AINH pode interferir na ação do AAS?

O Ibuprofeno, por exemplo, é um inibidor reversível da COX. Como ambos ocupam praticamente o mesmo sítio de ligação, o uso de ibuprofeno pode evitar a ligação do AAS na COX plaquetária, levando à uma redução da inibição da produção do tromboxano e redução da inibição plaquetária esperada pelo AAS.

Estudos ex vivo mostraram que AINH como ibuprofeno, indometacina e naproxeno podem interferir no efeito do AAS, enquanto o celecoxib e meloxicam não apresentam essa ação.

Outros estudos com voluntários sadios mostram que ibuprofeno, naproxeno, celecoxib e piroxican podem interferir na ação do AAS, enquanto o paracetamol, o cetorolaco e o diclofenaco não.

Apesar disso, estudos prévios mostram que o diclofenaco é um dos AINH mais relacionados com elevação da mortalidade cardiovascular. Uma revisão sistemática da maioria dos estudos que abordam essa questão publicada em 2011 sugere que os mais seguros seriam o ibuprofeno e o naproxeno.

Com relação ao momento de administração, baseado na farmacocinética das drogas, é provável que o uso de ibuprofeno após cerca de 2 horas da administração do AAS não reduza o efeito anti-plaquetário esperado. Por outro lado, o uso de ibuprofeno até 12hs antes do AAS pode reduzir seu efeito.

O FDA recomenda que uma dose de ibuprofeno de 400mg seja tomada 8hs antes ou pelo menos 30 minutos após a dose do AAS. Além disso, o uso ocasional de ibuprofeno não deve reduzir os efeitos cardioprotetores do AAS em dose baixa.

Em síntese, sempre que possível devemos evitar o uso de AINH para pacientes de alto risco cardiovascular. Quando forem realmente necessários, considerar o perfil de segurança de cada um, (consideraria o uso de naproxeno ou ibuprofeno), preferencialmente após 30minutos da administração do AAS.

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Sobre o autor

Fernando Figuinha

Fernando Figuinha

Especialista em Cardiologia pelo InCor/ FMUSP
Médico cardiologista do Hospital Miguel Soeiro - Unimed Sorocaba.
Presidente - SOCESP Regional Sorocaba.

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