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Paciente com dor torácica: ainda devo usar CKMB?

Escrito por Eduardo Lapa

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Dúvida frequente: num paciente com dor torácica aguda eu ainda devo solicitar dosagem de CKMB?

Durante vários anos a dosagem de CKMB foi usada para a confirmação de infarto agudo do miocárdio. Se lermos a diretriz de 2014 Sociedade Brasileira de Cardiologia, estava lá escrito: CK-MB massa e troponinas são os marcadores bioquímicos de escolha

Mas o que diz a nova diretriz da SBC de 2021 sobre síndromes coronarianas agudas sem supra de ST?

Se você tem troponina no seu serviço, principalmente troponina ultrassensível, não é necessário mais dosar o CKMB.  A troponina isolada já resolve.

Por quê? Porque a troponina é mais sensível e mais específica para confirmar o  diagnóstico de infarto. A CKMB não vai mudar a conduta nestes casos.

Exemplo:

Você pediu troponina E CKMB para um paciente com dor torácica aguda.  A troponina do paciente vem negativa mas a CKMB vem aumentada. Qual seu raciocínio? Esquece a CKMB, você vai interpretar o paciente com marcador de necrose miocárdica negativa já que a troponina é mais confiável. A CKMB ela pode ter resultado falso e positivo já que está presente não só no músculo cardíaco mas também no músculo esquelético.

Outro cenário  agora.

Você  tem um paciente com troponina aumentada e CKMB normal. Qual é o seu raciocínio? Marcador de necrose miocárdica positivo.

Quer dizer então que eu nunca mais vou pedir CKMB para paciente com dor torácica?

Nem 8, nem 80. Em algumas situações podemos pensar.

Primeira situação: você não possui troponina em seu serviço. Paciência. Vai de CKMB mesmo.

Segunda situação: você até tem disponibilidade de troponina, mais ela é qualitativa.

Ela só diz se a troponina é ausente ou presente mas não dá uma noção de graduação.

Ou seja, aquela troponina positiva pode ser levemente positiva ou pode ser 100 vezes o limite superior da normalidade. Não tem como saber. Nesse caso a CKMB pode ajudar em alguma coisa.

E o reinfarto? Muita gente associa diagnóstico de reinfarto com CKMB e não com troponina. Isso porque a troponina pode permanecer elevada por 7, 10 dias após o infarto inicial. Já a CKMB tende a normalizar-se após 2 ou 3 dias. Então classicamente  usava-se CKMB para dar diagnóstico de infarto. Contudo as diretrizes já colocam que se o nível de troponina do seu paciente já estava estável ou caindo, é possível lançar mão da troponina mesmo para diagnóstico de reinfarto. Caso haja aumento de 20% ou mais na dosagem mais recente em relação às prévias, sugere diagnóstico de reinfarto. Já se a troponina ainda vinha em curva de ascenção, aí podemos pensar em recorrer a CKMB.

https://youtu.be/iQvigkLFOBo

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Sobre o autor

Eduardo Lapa

Editor-chefe do site Cardiopapers
Especialista em Cardiologia e Ecocardiografia pela SBC

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