Arritmia

Pausas no Holter! E Agora? o Que Fazer?

Pedro Veronese
Escrito por Pedro Veronese

As pausas no holter de 24h são um achado relativamente comum e podem trazer muitas dúvidas aos médicos e pacientes. Podem ocorrer por várias causas: disfunção do nó sinusal, disfunção do nó atrioventricular, ação do sistema nervoso autonômico ou devido a medicações cronotrópicas negativas que atuam nessas estruturas.

Nas pausas decorrentes a bloqueios atrioventriculares do 2°grau Mobitz II ou bloqueios mais avançados, a indicação de marca-passo definitivo é consensual. Nos bloqueios de 1°grau e de 2°grau Mobitz I, a indicação de marca-passo é rara, e só ocorre se houver clara correlação entre os sintomas e os achados eletrocardiográficos.

Mas e as pausas que ocorrem devido à disfunção do nó sinusal? Ou as pausas que ocorrem em pacientes com arritmias atrias com baixa resposta ventricular (ex. fibrilação atrial – FA, flutter atrial – FLU e taquicardia atrial – TA)? Ou as pausas que ocorrem por distúrbios autonômicos? O que fazer?

De forma geral, o marca-passo definitivo nas bradicardias está indicado em pacientes sintomáticos (é necessário que haja clara correlação entre as pausas e os sintomas de hipofluxo cerebral) ou naqueles assintomáticos com pausas maiores de 3,0 segundos. Mesmo em atletas vagotônicos de alto rendimento, pausas > 3,0 segundos não são consideradas normais segundo o 36th Bethesda Conference, embora seja relativamente comum se encontrar pausas de até 4,0 segundos nesta população, sem que se caracterize doença.

Na avaliação desses pacientes também é importante determinar o número de pausas e suas durações, o uso de medicação cronotrópicas negativas (ex. timolol colírio – informação frequentemente sonegada pelos pacientes) e o horário das pausas, se na vigília ou no sono. Raramente o estudo eletrofisiológico é necessário para indicar marca-passo nesse contexto.

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Fig. 1: Pausa sinusal de 6,2 segundos evidenciada em holter de 24h em paciente com doença do nó sinusal.

Indicações de marca-passo:

  1. Doença do nó sinusal: pausas sinusais que causam síncope ou pré-síncope na ausência de drogas cronotrópicas negativas ou na presença de drogas que são necessárias e insubstituíveis.
  2. Síndrome do seio carotídeo: pausas > 3,0 segundos após estimulação mecânica do seio carotídeo que levem a síncope ou pré-síncope.
  3. Síncope neuromediada: quando há importante componente cardioinibitório em pacientes sintomáticos, acima dos 40 anos, refratários ao tratamento com medidas gerais e farmacológicas.
  4. Taquicardias atriais (FA – FLU – TA) com baixa resposta ventricular: quando causam sintomas de hipofluxo cerebral sem uso de medicações cronotrópicas negativas ou na presença de medicações necessárias e insubstituíveis, o marca-passo pode ser indicado para suporte terapêutico.

Referências:

  1. Braunwald et al. Tratado de Doenças Cardiovasculares.
  2. Maron and Zipes. JACC Vol. 45, No. 8, 2005:1318–21
  3. Diretrizes Brasileiras de Dispositivos Cardíacos Eletrônicos Implantáveis (DCEI) Arq Bras Cardiol 2007; 89(6) : e210-e237

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Sobre o autor

Pedro Veronese

Pedro Veronese

Médico Especialista em Çlínica Médica pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.
Médico Especialista em Cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia - SBC.
Médico Especialista em Arritmia Clínica e Eletrofisiologia pela Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas - SOBRAC.
Médico do Centro de Arritmias Cardíacas do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.
Médico Doutorando em Cardiologia pelo InCor - FMUSP.
Preceptor da Residência de Clínica Médica do Hospital Estadual de Sapopemba.
Médico Chefe de Plantão do Pronto Socorro Central da Santa Casa de São Paulo.

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