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PET tem valor prognóstico na endocardite infecciosa?

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O PET/CT com FDG-18F (PET-FDG) já teve seu valor diagnóstico confirmado para endocardite infecciosa de prótese valvar e quando positivo aumenta a sensibilidade dos critérios de Duke modificados de 70 para 97%. Entretanto, seu valor prognóstico ainda não estava estabelecido.

Estudo prospectivo publicado essa semana no JACC mostra o PET-FDG como bom preditor de eventos cardíacos maiores ou de novos eventos embólicos na endocardite de prótese valvar (EPV).

Como o prognóstico da endocardite infecciosa (EI) é frequentemente desfavorável, com alta taxa de mortalidade, novos fatores prognósticos identificados precocemente poderiam resultar numa conduta terapêutica mais rápida.

O estudo analisou 173 pacientes com diagnóstico definitivo de EI esquerda que realizaram PET-FDG até 14 dias do início da antibioticoterapia e foram acompanhados por 1 ano.

O desfecho primário avaliado foi o conjunto de eventos cardíacos maiores (morte, recorrência de EI, falência cardíaca aguda e re-internação hospitalar) e novos eventos embólicos na vigência da antibioticoterapia.

O valor prognóstico do PET-FDG foi avaliado em dois subgrupos, no grupo de 109 pacientes com EPV e de 64 pacientes com endocardite de válvula nativa (EVN). No grupo dos pacientes com prótese valvar, tanto o PET-FDG positivo quanto a intensidade de captação no PET moderada a intensa foram associados a aumento da taxa do desfecho primário, portanto, pior prognóstico. A incidência de eventos foi 62% nos pacientes com PET positivo e 38% nos pacientes com PET negativo. Já no grupo da EVN, O PET-FDG não foi preditivo do desfecho primário.

Algumas considerações importantes sobre os resultados do estudo:

Confirma que a sensibilidade do PET-FDG para diagnóstico de EVN é baixo, por isso, os guidelines atuais da Sociedade Europeia de Cardiologia e da AHA recomendam o uso do PET-FDG apenas para diagnóstico de EI associada a prótese valvar.

– PET-FDG foi preditor de risco independente para complicações cardíacas nos pacientes com EI com prótese valvar.

Foi observada uma relação semelhante à relação de “dose-efeito”, ou seja, a intensidade de captação moderada a acentuada no PET-FDG foi mais fortemente associada aos eventos cardíacos do que os exames negativos ou com captação discreta.

– Já em relação à ocorrência de novos eventos embólicos, o PET-FDG foi preditor prognóstico de maior risco tanto nos pacientes com EI com prótese quanto nos pacientes com válvula nativa. E aqui um resultado interessante, a captação no PET foi fator prognóstico independente do tamanho da vegetação no ECO, que era o melhor preditor de novos eventos embólicos até o momento. Sugere-se então que o PET-FDG positivo associado aos achados do ECO na admissão possa ser considerado como indicação adicional para cirurgias profiláticas nos pacientes com grandes vegetações. Porém, como esse foi o primeiro estudo a encontrar essa associação, mais estudos seriam necessários para reforçar essa indicação.

Conclusão: O estudo reforça o uso PET-FDG na EPV não apenas para diagnóstico como também para avaliação prognóstica.

Referência: San et al. Prognostic Value of 18F-Fluorodeoxyglucose Positron Emission Tomography/Computed Tomography in Infective Endocarditis. J Am Coll Cardiol 2019.

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Maria Eduarda Duarte de Mello Flamini

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