Semiologia

Pode haver edema agudo de pulmão sem o paciente estertorar até ápice?

Eduardo Lapa
Escrito por Eduardo Lapa

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Esse é um conceito que muitos estudantes de medicina desenvolvem na faculdade: para que um paciente seja diagnosticado com edema agudo de pulmão, é necessário que esteja estertorando até o ápice bilateralmente. Só tem um problema: não é assim que funciona na vida real. Por quê? Para isso temos que entender de onde surge o som dos estertores. Na fisiologia normal, os alvéolos são ocupados apenas por ar e não por líquido. Veja figura do nosso livro Cardiologia Cardiopapers:

Na medida em que ocorre aumento das pressões de enchimento em coração esquerdo, ocorre elevação da pressão hidrostática nos capilares o que causa extravasamento de líquido para o interior dos alvéolos. É isso que vai gerar o som dos estertores finos ou estertores crepitantes na ausculta pulmonar.

O edema agudo de pulmão é uma situação aguda em que há franca descompensação cardiopulmonar levando ambos os pulmões a ficarem repletos de líquido, o que pode causar inclusive morte por hipóxia. Quando isso ocorre em um paciente em que o coração era previamente normal (digamos, um paciente que era saudável e repentinamente faz um infarto com supra de ST anterior extenso), é comum auscultar-se estertores finos até ápice bilateralmente. Já quando o paciente tem insuficiência cardíaca crônica, o processo muda um pouco. Nestes pacientes, o sistema linfático passa a se adaptar à congestão permanente, reduzindo assim a quantidade líquido que extravasa para os alvéolos. Desta forma, mesmo este paciente estando nitidamente descompensado, o comum é auscultar-se estertores finos muitas vezes limitados apenas às bases, ou mesmo praticamente não os auscultar!

Resumindo:

  • em pacientes com IC crônica, sinais de congestão perdem bastante acurácia no diagnóstico de descompensação. Melhor focar em outros sinais com presença de terceira bulha e/ou em sintomas como ortopneia. 

DICA: sinais mais específicos para diagnóstico de IC

  1. Pressão venosa jugular aumentada (vista no exame físico através da turgência jugular)
  2. Refluxo hepatojugular 
  3. Terceira bulha
  4. Ictus cordis desviado para a esquerda

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Sobre o autor

Eduardo Lapa

Eduardo Lapa

Editor-chefe do site Cardiopapers
Especialista em Cardiologia e Ecocardiografia pela SBC

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