Insuficiência Cardíaca

Posso suspender a furosemida do meu paciente estável com insuficiência cardíaca?

Mônica Ávila
Escrito por Mônica Ávila

Esta publicação também está disponível em: Português Español

Diuréticos são uma classe de medicações de suma importância na insuficiência cardíaca (IC), especialmente nos casos de agudização pelo potencial de aliviar os sintomas. Entretanto, os diuréticos de alça não apresentam impacto no prognóstico da doença cardíaca e podem causar alguns efeitos deletérios. Um estudo brasileiro, o ReBIC-1 Trial, avaliou a segurança e tolerabilidade da retirada da furosemida em pacientes ambulatoriais com IC.

O estudo incluiu pacientes adultos com IC, classe funcional pela New York Heart Association (NYHA)  I or II,  fração de ejeção de ventrículo esquerdo (FEVE) < 45%, nenhuma hospitalização ou procura ao PS nos últimos 6 meses, dose estável de furosemida por pelo menos 6 meses e tratamento otimizado para IC. Os participantes foram randomizados para intervenção (retirada da furosemida) e controle (manutenção da furosemida). Depois da radomização, os participantes recebiam 2 garrafas idênticas (cego para paciente e pesquisadores): comprimidos das 8h e das 14h e acompanhados por 90 dias.

O desfecho primário foi uma auto avaliação da dispneia utilizando uma escala visual e a proporção de pacientes que conseguiram ficar sem diuréticos de alça por 90 dias. Os desfechos secundários foram relacionados a desfechos em IC (hospitalização e procuras ao PS, óbito por IC), mudanças no NT-proBNP, teste de caminhada de 6 minutos, alterações no ganho de peso e função renal em 90 dias.

Foram incluídos 188 pacientes em 11 centros no Brasil (95 intervenção e 93 controle). Não houve diferença entre os dois grupos no desfecho primário. Não houve diferenças nos desfechos secundários entre os grupos.

– Mas os pacientes do grupo em que a furosemida foi retirada devem ter precisado com frequência do retorno do diurético, não?

Na verdade, não. Em 24,7% dos pacientes do grupo sem furosemida a medicação teve que ser feita em algum momento. Já no grupo que persistiu com o diurético, em 16,3% dos casos foi necessário fazer doses adicionais do diurético.

O estudo ReBIC-1 demonstrou que em pacientes com IC estável, a retirada de furosemida não mudou a auto percepção da dispneia e não foi associada a aumento do retorno do diurético. No geral, ambos os grupos tiveram um bom prognóstico a curto prazo, sem incrementos relevantes de hospitalizaçõs e óbito. A descontinuação da furosemida pode ser uma estratégia segura em um grupo seleto de pacientes ambulatoriais, com sintomas de IC estáveis, mínimos ou poucos sintomas de congestão, FEVE reduzida, com tratamento medicamentoso otimizado e seguimento rigoroso.

Referência

Luis E Rohde, Marciane M Rover, Jose A Figueiredo Neto, Luiz C Danzmann, Eduardo G Bertoldi, Marcus V Simões, Odilson M Silvestre, Antonio L P Ribeiro, Lidia Zytynski Moura, Luis Beck-da-Silva, Debora Prado, Roberto T Sant’Anna, Leonardo H Bridi, André Zimerman, Priscila Raupp da Rosa, Andréia Biolo, Short- term diuretic withdrawal in stable outpatients with mild heart failure and no fluid retention receiving optimal therapy: a double-blind, multicentre, randomized trial, European Heart Journal, Volume 40, Issue 44, 21 November 2019, Pages 3605–3612, https://doi.org/10.1093/eurheartj/ehz554

 

 

 

Curso Cardiopapers

Banner Atheneu

Deixe um comentário

Sobre o autor

Mônica Ávila

Mônica Ávila

Deixe uma resposta

Seja parceiro do Cardiopapers. Conheça os pacotes de anuncios e divulgações em nosso MídiaKit.

Anunciar no site

%d blogueiros gostam disto: