Coronariopatia

Prasugrel – apenas para pctes agudos?

Recentemente fizemos uma breve revisão sobre o prasugrel. Nela foi demonstrado que a medicação até o momento só havia sido estudada em um grupo de pacientes com síndrome coronariana aguda e que possuíam programação de serem submetidos a ATC. Neste contexto, a medicação teve um leve benefício em relação ao clopidogrel, principalmente nos pctes diabéticos e com iam com supra de ST.

Para saber o efeito do uso de prasugrel na população de pctes com coronariopatia crônica submetidos a ATC foi desenvolvido o trial TRIGGER-PCI. O trial se propunha a analisar 2.150 pctes neste cenário, comparando o prasugrel com o clopidogrel. Os pctes possuíam alta agregabilidade plaquetária (avaliada pelo teste Verifynow).

Esta semana os patrocinadores do estudo anunciaram que o mesmo foi interrompido após randomização de 432 pctes uma vez a análise parcial dos dados revelou que dificilmente o estudo chegaria a um resultado positivo. Uma das explicações para isto seria o fato do desfecho procurado (IAM ou morte cardiovascular) estar ocorrendo de forma bem menor do que o esperado. Os pesquisadores imaginavam um taxa de desfecho primário ao redor de 7% mas a análise parcial dos dados revelou que provavelmente este número não chegaria nem a 2,3% ao final do estudo. Uma possibilidade para explicar isto seria o uso de stents farmacológicos de segunda geração (apesar de nenhum estudo até o momento ter mostrado diminuição de mortalidade em pctes com DAC crônica tratados com stent farmacológico).

O fato é que com uma taxa muito baixa de eventos fica difícil uma medicação se sobrepor a outra. Ruim para a indústria farmacêutica, bom para os pctes uma vez que mostra que independente da medicação adjunta utilizada o prognóstico deste grupo de indivíduos melhorou bastante quando comparado com trials prévios (ex: ISAR-REACT e CREDO – taxa de IAM ou morte cardiovascular entre 4-5% em 6 meses).

Importância do estudo: não há evidência que o prasugrel seja melhor que o clopidogrel após ATC em pctes com coronariopatia crônica. Atentar que não é errado usar o prasugrel nesta situação. Não houve piora dos desfechos. Contudo, se não houve benefício parece ser bobagem comprar uma medicação mais cara.

Nota: um outro cenário que está sendo estudado o prasugrel é nas síndromes coronarianas agudas tratadas clinicamente (sem ATC e sem RM). O nome do trial é TRILOGY-ACS.

Referência: TheHeart.org

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Sobre o autor

Eduardo Lapa

Eduardo Lapa

Editor-chefe do site Cardiopapers
Especialista em Cardiologia e Ecocardiografia pela SBC

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