Perioperatório

Pré-operatório de cirurgia bariátrica – como fazer? Parte 3

cardio

Resumão do agoritmo proposto pela AHA para avaliar pacientes com obesidade grau 3 (IMC>40) que irão ser submetidos a uma cirurgia não cardíaca eletiva:

1- se paciente sem fatores de risco para doença cardiovascular, assintomático, com boa capacidade funcional, exame físico normal e que vai ser submetido a cirurgia de baixo risco – não precisaria nem de radiografia de tórax, nem de ecg

2- paciente com 1 ou mais fatores de risco para coronariopatia (ex: HAS, DM, DLP, tabagismo, etc) ou com doença cardiovascular manifesta – solicitar ecg e radiografia de tórax. Se algum dos exames sugerir alterações (ex: ecg com sobrecarga de VE, radiografia de tórax com aumento de área cardíaca, etc) – prosseguir investigação de forma usual – pedir ecocardiograma, etc

3- se ambos os exames (ecg e radiografia de tórax) vierem normais – observar a capacidade funcional do paciente. Se boa (paciente consegue subir 1 ou 2 lances de escada sem cansar, por exemplo) – não pedir exames adicionais. Se baixa ou não avaliável (ex: paciente amputado que não consegue se exercitar de forma adequada) – solicitar método de imagem para avaliar a função do VE. Normalmente o método escolhido será o ecocardiograma. Se o ecocardiograma vier alterado, avaliar a necessidade de exames adicionais (ex: fração de ejeção baixar – pedir teste não invasivo para coronariopatia ou mesmo cateterismo direto).

A diretriz deixa um pouco em aberto as indicações para se solicitar testes não invasivos para investigar coronariopatia sugerindo que deve-se seguir o protocolo geral da AHA para avaliação cardiovascular perioperatória.

Fonte: Poirier P, Alpert MA, Fleisher LA, Thompson PD, Sugerman HJ, Burke LE et al. Cardiovascular evaluation and management of severely obese patients undergoing surgery: a science advisory from the American Heart Association. Circulation 2009;120:86–95.

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Sobre o autor

Eduardo Lapa

Eduardo Lapa

Editor-chefe do site Cardiopapers
Especialista em Cardiologia e Ecocardiografia pela SBC

1 comentário

  • Lapa,
    Seria importante deixar claro que quando um paciente lhe procura para fazer um pré-operatório de cirurgia bariatrica, quase sempre será um indivíduo com múltiplas comorbidades (Has, DM, DLP, baixa capacidade funcional) e janela para ecocardiograma ruim. Dessa forma, quase sempre será necessário utilizar exames complementares para estimar o risco de complicações cardiovasculares perioperatorias.

    Seria importante também esclarecer sobre como estratificar o risco para DAC nesses doentes que já são de alto risco. Como a janela ruim para eco estresse pode atrapalhar ou não a investigação, quais as opções de exames que podem ser utilizados, quando enviar direto para o cateterismo.

    Esses pontos facilitarão o entendimento dos demais colegas que não estão habituados com esses doentes.

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