Prevenção

Prevenção de diabetes tipo 2: como fazer?

Alguns estudos foram realizados na última década na intenção de buscar medidas eficazes para prevenção de DM2 e dentre eles modificação do estilo devida, uso de metformina, glitazonas, acarbose ou cirurgia barátrica já se mostraram eficazes para esse fim.

                Recente estudo publicado no NEJM em março de 2011 avaliou a eficácia da pioglitazona em comparação ao placebo na prevenção de DM em pacientes com Intolerância à glicose (ACT NOW study). Um total de 602 pacientes foi randomizado para receber pioglitazona em doses de 45mg ou placebo por 2,4 anos. A incidência anual de DM caiu de 7,6% no grupo placebo para 2,1% (RR 0,28 IC 0,16-0,49), o que determinou uma diminuição de 72% do risco de desenvolver DM (NNT 8 em 2,2 anos). Também houve leve decréscimo da PAD, redução da espessura íntima média da carótida e aumento de HDL. No entanto esses benefícios ocorreram às custas de maior ganho de peso e edema em comparação ao placebo. Nesse estudo específico também não houve mais casos de descompensação de insuficiência cardíaca nem surgimento de fraturas atípicas (efeitos adversos esperados das glitazonas).

                A ADA (American Diabetes Association) em seu Standards of Medical Care 2011 recomenda que todos os pacientes com intolerância à glicose- hemoglobina glicada 5,7%-6,4%- deve ser orientado a perda de peso de pelo menos 7% e atividade física 150min/semana. Esses foram os alvos atingidos no clássico estudo DPP (Diabetes Prevention Program NEJM 2002) que até hoje tinha sido o estudo a mostrar maior redução do desenvolvimento de diabetes (58% em 3 anos), inclusive com eficácia superior à metformina  (31%).

                A recomendação da ADA para prevenção de desenvolvimento de diabetes é a seguinte:

– Pacientes com intolerância à glicose: recomendar mudança de estilo de vida já comentada

– A única medicação recomendada até o momento de sua publicação como forma de prevenção é a metformina para pacientes considerados de risco e que apresentassem progressão da hiperglicemia apesar de mudança de estilo de vida. Os  maiores benefícios são obtidos em pacientes com IMC>35kg/m2, < 60 anos e com glicada > 6,0%.

                Não me parece provável que a ADA vá mudar essas recomendações baseado no estudo da pioglitazona, uma vez que com mudança de estilo de vida e metformina não ocorre ganho de peso (ao contrário!) nem edema, nem risco de piora de ICC. Assim, me parece apenas mais um estudo com resultado numérico impressionante mas que provavelmente não deve ser incorporado à prática clínica de pessoas de bom senso.

 

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Patricia Gadelha

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