Prevenção

Proteína C reativa em cardiologia: qual a finalidade? Quando pedir? Como interpretar?

Eduardo Lapa
Escrito por Eduardo Lapa

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QUAL A FINALIDADE DE SE PEDIR PROTEÍNA C REATIVA?

– Sabe-se que a presença de inflamação é fator importante na gênese da doença aterosclerótica e na sua instabilização (ex: IAM, AVCi, etc).

– Assim, marcadores laboratoriais que indicam estado inflamatório aumentado podem estar correlacionados com maior risco de eventos cardiovasculares. Neste contexto, entra o papel da proteína C reativa ultrassensível (PCR-us). Este marcador melhora um pouco o poder de discriminação dos fatores de risco tradicionais (ex: HAS, DM, etc). Quando calculamos escores de risco como o Framinhgam queremos saber qual o risco de um determinado paciente que nunca apresentou evento cardiovascular apresentar IAM, AVC ou outro evento grave nos próximos anos. Através destes escores, podemos estimar se este risco é baixo, moderado ou alto. A adição de exames como a PCR-us tenta melhorar a acurácia destes escores e assim tentar classificar de forma mais precisa o risco do paciente. Desta forma, um pcte que pelo Framingham isolado seria ser classificado como de baixo risco poderia ser reclassificado como de risco intermediário se apresentasse PCR-us elevada, por exemplo.

– Este poder de reclassificação da PCR-us é bastante variável nos diferentes estudos. Estudos grandes como o Framingham e o MESA mostraram números ao redor de 10% do total de pctes reclassificados mas outros estudos mostraram números bem mais modestos.

– O tratamento com estatinas mostrou ser capaz de diminuir os níveis de PCR-us independemente dos níveis de LDL. No clássico estudo JUPITER, quanto mais altos eram os níveis de PCR-us no início do trial, maiores foram os benefícios da introdução de rosuvastatina 20 mg para prevençaõ de eventos cardiovasculares.

QUANDO PEDIR?

– As diretrizes americanas de colesterol colocam a solicitação de PCR-us como recomendação IIb. Ou seja, deve-se considerar a mesma em alguns casos particulares mas não deve ser feita de rotina. Exemplo prático: o guideline estabelece 4 grupos de pacientes que devem receber estatinas de acordo com as evidências atuais. Mas o que fazer perante um paciente que não preenche nenhum dos 4 critérios mas que possui um risco cardiovascular estimado em 5% ou 6,5% pelo escore da AHA? A própria diretriz recomenda considerar estatina nos casos em que o risco ficar entre 5% e 7,4%. Nestes casos podemos avaliar uma série de outros fatores não contemplados pela calculadora da AHA, entre eles a PCR-us.

– Não faz sentido pedir PCR-us para pacientes que já apresentam indicação de estatina. Simplesmente será um exame a mais que não irá alterar a conduta daquele indivíduo.

COMO INTREPRETAR?

– Recomendações do Dr Paul Ridker, certamente um dos pesquisadores que mais sabe sobre PCR-us:

PCR-us < 1 – baixo risco cardiovascular

PCR-us entre 1 e 3 – moderado risco cardiovascular

PCR-us entre 3 e 10 – alto risco cardiovascular

PCR-us > 10 – possível infecção subclínica. Reavaliar após algumas semanas.Caso fique persistentemente acima de 10 sem evidência alguma de infecção – pode sugerir sim risco cardiovascular elevado.

Resumindo, pegou no consultório um paciente de 50 anos com escore de risco da AHA de 6,5% mas que possui PCR-us persistentemente entre 3 e 10 – converse com o paciente sobre o risco x benefício do uso de estatinas no seu caso específico.

Referência: High-Sensitivity C-Reactive Protein. Ridker P. Jacc 2016.

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Sobre o autor

Eduardo Lapa

Eduardo Lapa

Editor-chefe do site Cardiopapers
Especialista em Cardiologia e Ecocardiografia pela SBC

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